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Publicado em Sexta, 08 de Fevereiro de 2008 - 12h14

DIREITO NA MEDICINA – POR CÂNDIDO OCAMPO

CÂNDIDO OCAMPO


Dismorfofobia e a cirurgia plástica Não é novidade para ninguém que a cirurgia plástica tornou-se para muitos a fonte da beleza eterna, a “onda do momento”, que incorporou nos nossos valores a “cultura do silicone”, onde principalmente as mulheres fazem questão de divulgar que já foram submetidas a procedimentos estéticos de implante, o que há tempos atrás era inconveniente tornar público.
A busca pela beleza artificial se tornou uma obsessão, tendo como conseqüência a realização de procedimentos muitas das vezes fadados a não alcançar a expectativa do paciente, expectativa esta que se transforma em frustração, e, por conseqüência, em potenciais demandas judiciais.
Essa universalização de padrões de beleza, imposta principalmente pelos veículos de comunicação de massa, e a tentativa de conter a banalização desses procedimentos e diminuir os riscos inerentes a qualquer ato cirúrgico, foram os principais motivos que levaram o Conselho Federal de Medicina a baixar norma impondo alguns limites éticos às cirurgias de lipoaspiração, que não obstante reconhecida e consagrada dentro do arsenal das cirurgias plásticas, só pode ser realizada com indicações precisas para correções do contorno corporal em relação à distribuição do tecido adiposo subcutâneo, sendo expressamente vedada sua indicação para emagrecimento.
Esse ambiente agressivo de busca de beleza a qualquer custo, apesar de não ser a causa do problema, fez aumentar as manifestações de casos de pessoas portadoras de “Transtornos Dismórfico Corporal”, ou “Dismorfofobia”, cujo quadro caracteriza-se por uma preocupação exagerada do indivíduo com algum defeito em sua aparência física, em geral imaginado, inexistente ou quase imperceptível à observação comum. O defeito imaginário nem sempre é confessado, pois o paciente supõe que todos o percebem, e a preocupação em ocultá-lo ou disfarçá-lo resulta em fonte de grande insatisfação e sofrimento. O alvo da queixa pode ser qualquer imperfeição ou dissimetria, mesmo imperceptível, natural do corpo.
O portador da síndrome, em sua maioria mulheres, mesmo após ter sido submetido à cirurgia plástica para tentar diminuir o sofrimento, permanece em agonia, pois trata-se de um insatisfeito contumaz em razão de seu problema ser de ordem psicológica e muitas das vezes até psiquiátrico.
Estes fatos são emblemáticos a demonstrar que o cirurgião plástico está bem mais exposto que os demais profissionais da medicina, impondo ao mesmo uma postura cada vez mais criteriosa e ética, evitando assim que seja alvo de demandas judiciais que podem ser evitadas.

Cândido Ocampo, advogado atuante no ramo do Direito Médico.

candidoofernandes@bol.com.br


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