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Publicado em Terça, 22 de Janeiro de 2008 - 10h12

Após leilão de usinas do Rio Madeira, população ribeirinha está apreensiva

Agência Brasil


Depois de um ano marcado por protestos, moradores das margens do Rio Madeira que serão atingidos quando a água for represada para formação das barragens das usinas de Santo Antônio e Jirau estão ainda mais apreensivos com a perspectiva do início das obras, após o leilão que definiu o consórcio executor das usinas, em dezembro.O começo das obras depende da licença de instalação, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em entrevista à Agência Brasil no início de janeiro, o diretor de Licenciamento Ambiental do órgão, Roberto Messias Franco, afirmou que a autorização para as obras deverá sair entre o fim de 2008 e o começo do próximo ano. O complexo é um dos principais empreendimentos energéticos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que completa um ano hoje (22).

“Quando eles anunciarem que vão fechar as comportas, se não tiverem retirado a gente de lá, vamos ter de sair, porque ninguém é peixe para viver na água”, desabafa o agricultor José Ferreira da Silva, ribeirinho da comunidade de Joana D'Arc, próxima à futura hidrelétrica de Santo Antônio.

Assim como a família de Silva, outras 2,5 mil terão de deixar a área próxima às hidrelétricas – segundo cálculo das empresas Furnas e Odebrecht, responsáveis pela obra. De acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no estado, esse número pode chegar a 10 mil.

Antes do início das obras, as famílias deverão ser reassentadas em outras regiões. No entanto, grande parte dos ribeirinhos não acredita que a mudança será positiva, de acordo com um dos representantes do MAB, José de Oliveira Paes. “Não queremos que a situação da usina de Samuel se repita. Até hoje, há famílias não indenizadas”, afirmou, em referência aos atingidos pela barragem da hidrelétrica de Samuel, construída a 50 quilômetros de Porto Velho na década de 1980.

De acordo com o MAB, os moradores ainda não têm data ou previsão de quando serão transferidos, o que aumenta a preocupação das comunidades ribeirinhas. “Isso é que eu estou matutando. Só sei que, mais cedo ou mais tarde, vou ter de sair. A minha idéia é sair por morte. Nasci e me criei lá. Jamais quero sair”, conta o pescador José Maria Silva Mendes, morador de uma comunidade próxima à Cachoeira de Teotônio, que ficará submersa com a construção da primeira usina.

O complexo hidrelétrico do Madeira produzirá 6.450 megawatts – aproximadamente metade da potência de Itaipu, usina mais potente do país. Segundo o governo, as duas usinas deverão suprir 8% da demanda energética do país, por meio da integração ao Sistema Interligado Nacional. De acordo com o consórcio Furnas–Odebrecht, a energia produzida pelas turbinas atenderá primeiramente o estado de Rondônia, ainda abastecido por termelétricas. O excedente será exportado para outros estados.


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