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Nacional

Publicado em Sábado, 05 de Dezembro de 2009 - 11h18

Candidato a vice da oposição faz campanha de dentro da cadeia na Bolívia

G1


Nos comícios da chapa Plano Progresso para a Bolívia (PPB), de oposição ao presidente Evo Morales nas eleições presidenciais que ocorrerão neste domingo (6), o candidato a presidente Manfred Reyes Villa aparece segurando um pôster com uma foto no lugar onde deveria estar seu candidato a vice. Leopoldo Fernández não está ausente por motivo de viagem: ele está preso desde setembro do ano passado na penitenciária de San Pedro, em La Paz, acusado de ter comandado um massacre de camponeses quando era prefeito de Pando (cargo equivalente ao de governador no Brasil).A candidatura é possível pela lei porque Fernández ainda não foi julgado. Ele aguarda o processo na prisão, já que teve negado o pedido de habeas corpus. A estratégia da oposição ao lançar um candidato prisioneiro é escancarar o suposto autoritarismo da administração de Morales. Da cela, Fernández envia cartas que são publicadas no site da campanha, denunciando sua condição e clamando por ′justiça′.

O porta-voz da campanha de Manfred, Erick Fejardo, disse em entrevista ao G1 que Fernández está sozinho em uma cela, mas sofre constantes represálias e ameaças. "É uma campanha muito difícil, pois o presidente usa recursos do Estado para fazer promoção de sua candidatura". Segundo ele, Leopoldo Fernández está proibido de fazer campanha de dentro da prisão.

A reportagem tentou entrar em contato com a campanha de Morales para tratar do assunto, mas não obteve resposta.

"Sem duvida é uma estratégia que teve um impacto midiático muito interessante a princípio, pois ele se coloca como vítima", disse em entrevista ao G1 o analista político boliviano Fernando Mayorga. Segundo Mayorga, havia muita expectativa entre os meios de comunicação para conseguir judicialmente uma entrevista com o candidato. "Mas, quando ele conseguiu falar a uma rede de TV, cometeu um erro na minha opinião, pois se concentrou na crítica ao governo, em seu caráter autoritário, não propôs nada novo, não falou de sua campanha."

Em declarações à imprensa nas semanas anteriores à eleição, o chefe de campanha do Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo Morales, lamentou essa estratégia, que qualificou de ′vitimização′. O próprio plano de governo da chapa começa com um texto de ataque ao governo Morales, dizendo que nos últimos quatro anos os bolivianos têm sido vítimas de um governo "intolerante e autoritário".

Para a doutora em sociologia e professora da Universidad Mayor de San Andrés (La Paz) Fernanda Wanderley, a candidatura de Fernández representa a preocupação da oposição com uma concentração de poder no governo, e o medo é de que esse processo se radicalize. "Ele está preso, mas não há provas, não houve julgamento. Ele representa essa preocupação de que a ausência de uma oposição articulada leve a uma hegemonia do governo Evo Morales."

A prisão

Fernández é acusado de genocídio por ter supostamente contratado pistoleiros para realizarem uma emboscada contra uma comitiva de simpatizantes de Morales, que resultou em até 18 mortes. Depois do incidente, La Paz declarou estado de sítio em Pando e logo prendeu o prefeito. Ele aguarda julgamento e teve o pedido de habeas corpus negado. Em outubro deste ano, o PPB anunciou oficialmente sua candidatura a vice-presidente.

Fernández não é o único candidato do PPB encarcerado. Na semana passada, a candidata a senadora suplente por Cochabamba Florentina Quilla foi detida em Oruro. Acusada de estelionato, ela tinha uma sentença condenatória desde 2003.

A eleição

O presidente Morales é favorito para ganhar as eleições presidenciais conseguindo a reeleição já no primeiro turno. Segundo as últimas pesquisas, ele tem entre 52% e 60% das intenções de voto, contra 19% do PPB de Manfred Villa e 9% de Samuel Doria Medina.

Fundamental para o MAS, no entanto, é conseguir a maioria no Congresso para governar com tranquilidade. Hoje o partido tem maioria apenas na Câmara. A oposição acabou se unindo no Senado e dificultando a aprovação de muitas propostas governistas.

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