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Nacional

Publicado em Terça, 16 de Novembro de 2010 - 09h06

Rondoniense é morto em Portugal após ser ofendido e atingido com canivete

G1


Rondoniense é morto em Portugal após ser ofendido e atingido com canivete
Um brasileiro foi morto com uma facada em uma cidade ao norte de Lisboa (Portugal). Segundo a sua companheira, a vítima morreu porque urinou na rua.Luciano Correia da Silva, 28 anos, natural de Rondônia, foi assassinado na madrugada do último domingo na cidade de Caldas da Rainha, distante cerca de 100 km da capital portuguesa.

A companheira de Luciano, a também brasileira Andressa Valéria, 26 anos, disse ao jornal Correio da Manhã que os dois haviam saído de um bar à noite e se dirigiam para a casa onde moravam, quando o brasileiro parou na rua para urinar.

Andressa afirma que uma pessoa com sotaque português e aparentemente embriagada começou a gritar com Luciano. Segundo ela, o agressor dizia: ′brasileiro de m....., volta para a tua terra, vagabundo′.

O homem teria puxado um canivete assim que Luciano fechou o zíper da calça. Neste momento, Andressa diz ter ido a um café ao lado para pedir ajuda. Quando voltou, ela viu Luciano no chão, atingido por um golpe profundo no peito.

O agressor fugiu, levando consigo o canivete. Luciano foi levado ao hospital, mas não resistiu ao ferimento.

A Polícia Judiciária (PJ) não deu informações sobre o crime, alegando que ele ainda está sob investigação. A assessoria de imprensa da PJ disse que a resolução destes casos costuma ser rápida, mas não quis prever quanto tempo isto pode levar.

O órgão afirma que as ofensas xenófobas podem ser consideradas um agravante, o que vai depender do julgamento.

Segundo Andressa, Luciano era serralheiro e vivia em Portugal havia quatro anos, tendo a sua situação de imigrante legalizada. O casal viveu junto por dois anos, junto com uma filha de Andressa, de um ano e nove meses.

Preconceito

"Eu não me conformo que meu marido morreu por preconceito e tenha que ser enterrado num país preconceituoso", desabafou a brasileira Andressa Valéria, de 26 anos, ao telefone. Cansada e emocionada, a manicure paranaense contou em entrevista ao G1 como viu o companheiro, o rondoniense Luciano Correia, ser ofendido - e depois morto - por um homem aparentemente embriagado na madrugada de domingo na cidade de Caldas da Rainha, oeste de Portugal.

"Estávamos voltando de um barzinho, 3h30 da madrugada, caminhando na rua com dois amigos, e ele parou para fazer xixi. Passou esse homem de aproximadamente 40 anos, aparentemente embriagado, e começou a falar ′Brasileiro de m... vai pra sua terra, porco de m...′ e o Luciano disse: ′Vou mesmo. Estamos fartos de vocês, desse preconceito, de trabalhar e não receber′. Eu segurei ele pelo casaco, vi o homem tirando o canivete, e me coloquei entre os dois dizendo que estava grávida. Não estou grávida, mas eu falei para ele não fazer nada. Aí o homem foi para o lado dos meninos, o Luciano correu para lá e eu fui buscar ajuda em um café. Foi quando um dos meninos veio me avisar que o homem tinha furado o Luciano."

O casal, que vivia junto apesar de não ser casado no papel, estava vendendo os pertences e planejava voltar para o Brasil ainda neste ano. "As condições estão muito difíceis em Portugal, não queríamos mais nada aqui, o país está em crise", conta Andressa. A paranaense diz que essa não foi a primeira vez que sofreu preconceito. "Uma vez entrei no banco e fui ofendida, me chamaram de puta brasileira. [...] Foi por preconceito. O homem não matou ele porque ele estava fazendo xixi, foi por preconceito, entende? Tem muitos portugueses bons aqui, muitas pessoas boas. Mas tem muito preconceito também."

Andressa agora pede ajuda para levar o corpo de Luciano Correia de volta ao Brasil. "Os brasileiros daqui estão ajudando com o que podem. Eu queria fazer um apelo por ajuda para enterrar meu marido no Brasil. E avisar para quem está fora do Brasil que faça um seguro de vida porque se algo acontece você não tem como obter ajuda."


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