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Política

Publicado em Sexta, 24 de Abril de 2009 - 15h22

ASSEMBLÉIA ESTUDA ABRIR CPI PARA RESPONSABILIZAR CONSTRUTORA SHAIN POR ROMPIMENTO DA BARRAGEM EM VILHENA

ALE


O deputado estadual Miguel Sena (PV-Guajará) disse nesta sexta-feira que vai acionar a Comissão de Fiscalização de Controle Externo da Assembléia Legislativa ou requerer a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI. para apurar responsabilidades quanto ao rompimento das barragens da intitulada Usina do Apertadinho localizada em Vilhena, e que além dos danos ambientais provocados, traz transtornos e prejuízos à população rondoniense.De acordo com o deputado Miguel Sena, o relatório de diagnóstico de sinistro elaborado por técnicos especialistas da Shain S/A (empresa responsável pela construção da usina), comprovam de forma incontestável a irresponsabilidade técnica da construtora, e que resultou num prejuízo superior a R$ 200 milhões de reais.
Segundo o deputado, a obra já deveria ter entrado em funcionamento ano passado, fazendo a interligação da rede de energia elétrica da região de Vilhena com Porto Velho, mas infelizmente as gritantes falhas na obra de engenharia da usina, provocaram o rompimento das barragens e um autêntico desastre ambiental. Continuando afirmou ele que em conseqüência deste problema, a Eletrobrás vem bancando despesas “astronômicas” com fornecimento de óleo diesel para colocar em funcionamento a termelétrica que atende a região sul do Estado.
Acontece, observou Miguel Sena, que estes valores bancados pela Eletrobrás vem sendo sistematicamente repassado para a conta de luz da população rondoniense, onerada por conta de irresponsabilidade de uma construtora , conforme já está comprovado tecnicamente. Disse o parlamentar ser visível que em alguns trechos a barragem foi edificada em terreno “arenoso” ou de erosão, e que fragilizou toda a infraestrutura.

RELATÓRIO
O deputado Miguel Sena disse que vai intensificar a busca de informações a respeito deste problema, mas que vai lutar para que a população rondoniense não seja prejudicada por conta de irresponsabilidades da construtora Schain S/A. Ele também apresentou um resumo das conclusões do relatório de diagnóstico de sinistro, conforme a seguir relatado:
“Do conjunto de resultados de ensaios disponíveis, pode-se concluir os seguintes aspectos principais: Não há influência da estratificação na permeabilidade do arenito. Nota-se que amostrar com aparentemente mesmo aspecto visual e mesma granulometria apresentaram comportamentos diferentes, quanto à sua erodibilidade e mesmo quanto à resistência; O arenito se constitui basicamente de areia fina, com teores de finos (argila e silte); Os ensaios indicaram susceptibilidade à dispersão em graus variados, e por conseguinte à erodibilidade; A resistência do arenito na umidade natural é muito baixa, comparável à de uma areia fina argilosa; e nos ensaios de absorção, quando a amostra é submersa em água, a maioria das amostras desmoronou, indicando sua grande susceptibilidade à água.
Os peritos ao fazerem sua perícia quanto ao texto geológico e geomecânico similar, apresentaram os seguintes dados: Os arenitos da fundação da barragem e do vertedouro da PCH de Apertadinho são arenitos de idade muito mais recente, do Terciário-Quarternário, portanto, muito menos sujeitos à diagênese que confere existência à rocha sedimentar por compactação e cimentação. Tais arenitos se sobrepõe a arenitos do grupo Parecis, Formação Utiariti, anteriores ao terciário, correspondendo a arenitos esbranguiçados, resistentes, suavemente dobrados e falhados. No caso da PCH Apertadinho, a inspeção após a ruptura mostrou que as encostas remanescentes apresentaram várias ocorrências de “piping” no arenito friável de idade do terciário-quaternário, devido ao rebaixamento rápido pelo esvaziamento do reservatório estando os maciços laterais da margem direita ainda saturados pelo enchimento do mesmo. Pelas observações feitas e pela experiência pessoal, conclui-se que o “piping” pode ocorrer em arenitos de baixa cimentação”.
Ao concluir, o deputado Miguel Sena afirmou que o relatório dos peritos é contundente ao apontar responsabilidades, conforme constante na síntese do diagnóstico, conforme a seguir:” A análise e interpretação do dossiê de dados, estudos e desenhos de projeto, efetuadas por esta equipe de profissionais desvinculados de qualquer ação relacionada à obra previamente à sua ruptura, permite colocar que o projeto desenvolvido desde os estudos iniciais pecaram no entendimento das reais problemáticas associadas aos arenitos friáveis e pouco consolidados locais, e na proposição de introdução de dispositivos de projeto que viessem a garantir seu comportamento com segurança.

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