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Política

Publicado em Quinta, 13 de Março de 2008 - 08h53

FOLHA DE S. PAULO: SEM FORO PRIVILEGIADO, GURGACZ FOI INDICIADO POR SUSPEITA DE LAVAGEM DE DINHEIRO, CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO E FORMAÇÃO DE QUADRILHA

FOLHA DE S. PAULO


Presidente estadual do PDT é alvo da PF em Rondônia

Empresa de Acir Gurgacz em Manaus é suspeita de fraude em financiamento de R$ 19 mi

Pedetista foi diplomado senador em Rondônia em 2007, mas perdeu a vaga; suposto esquema envolve funcionários do Basa, no AM

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

A Polícia Federal fez uma devassa ontem em empresas e propriedades de Acir Gurgacz, presidente do PDT em Rondônia, por suspeita de fraudes em financiamento de mais de R$ 19 milhões obtido no Basa (Banco da Amazônia). Funcionários do banco são investigados sob suspeita de corrupção.
Em maio de 2007, Gurgacz chegou a ser diplomado senador pelo Tribunal Regional Eleitoral na vaga de Expedito Júnior (PR) -que foi cassado, mas conseguiu retornar ao cargo por meio de recurso.

Sem diploma e foro privilegiado, Gurgacz foi indiciado por suspeita de lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro e formação de quadrilha -junto com seu pai, Assis, a mãe, Nair, e o irmão Algacir, além de um ex-gerente da empresa Eucatur (União Cascavel) Adelino Silva. A Eucatur, da qual Gurgacz é sócio junto com os outros familiares, explora há mais de 20 anos os sistemas de transporte coletivo de Manaus e interestadual entre Amazonas e Roraima.

O suposto esquema de fraudes em financiamentos do Basa concedidos à Eucatur foi descoberto em 2006. "O Detran do Amazonas encontrou discrepância nos números de chassis da empresa. Como se trata de verba federal, começamos a investigar", disse o delegado Domingos Sávio, coordenador da Operação Articulados.

Segundo a investigação, os sócios da empresa apresentaram ao banco sete ônibus articulados como tendo sido fabricados em 2004, mas perícia determinada pela Justiça atestou que os chassis são de 1993.

O banco, gerenciador do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte, deu à Eucatur R$ 290 mil para a compra de cada ônibus.

Cada chassi, no entanto, custou à empresa R$ 12 mil, segundo a PF. Depois, os ônibus recebiam uma carroceria nova -espécie de "maquiagem" para driblar as auditorias do Basa.

Outra suposta fraude detectada nos financiamentos do banco à Eucatur foi no pagamento de combustível com crédito expedido pelo banco.

Dos R$ 19 milhões, a PF comprovou fraudes em mais de R$ 3 milhões. Ontem, a polícia apreendeu computadores e jóias na casa de Gurgacz, em Manaus. Na casa de seu pai, em Cascavel (PR), foram apreendidos documentos e US$ 13 mil.
Em Manaus, os agentes lacraram os sete ônibus articulados na sede da empresa.

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