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Política

Publicado em Terça, 30 de Dezembro de 2008 - 16h25

Há 26 anos, um Estado diferente - Por Lúcio Albuquerque

Lúcio Albuquerque


Se você é dos que consideram a idade cronológica de um fato histórico apenas a partir de quando ele acontece, claro que este 4 de janeiro vai marcar os 27 anos que o ministro Ibrahim Abi-Ackel, representando o presidente João Figueiredo, declarou, da sacada do Palácio Presidente Vargas, instalado o Estado de Rondônia.Mas o Estado de Rondônia não começou a tomar corpo apenas a partir de quando o coronel Jorge Teixeira chegou e anunciou, em seu discurso de posse, que estava cindo com a missão de transformar o Território em Estado. Até porque não houve transformação. Quando o presidente João Figueiredo assinou a Lei complementar 41 (22.12.1982) ele não estava dando uma de mágico, que é quem transforma. Ele estava criando.

Quando se fala da criação do Estado, a figura que vem à mente de muitos é a de Teixeira. Deixam de lado outras figuras que construíram aos poucos o que seria, nos últimos 25 anos do século XX, um Estado diferente na Amazônia e no Brasil.

Para começo de conversa, foi graças à busca da exploração do ouro negro, a borracha, que aos poucos os seringueiros foram invadindo uma parte da Bolívia, gerando a Guerra do Acre, o Tratado de Petrópolis, a decisão brasileira de assumir a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a decisão do governo brasileiro de construir a Linha Telegráfica Estratégica – onde só uma figura com o carisma e a coragem de Rondon seria possível liderar homens para cumprir as metas planejadas (e quem duvidar sugiro a leitura de Rio da Dúvida).

Um Estado construído a partir da junção de terras de dois outros membros da Federação, passando pela saga dos nordestinos nos dois ciclos da borracha e, depois, no ciclo da cassiterita, na vontade dos nativos e, mais modernamente, a partir da grande corrida em busca das terras de Rondônia, no caminho aberto a mando de Juscelino Kubistchek.

Mas há personagens locais dos quais muitos preferem esquecer. Não falo de Aluizio Ferreira, onipresente na nossa História. Pessoas como a professora Laudímia Trota, que em 1947 criou a Escola Normal, passando a formar aqui mesmo as nossas professoras. Ou o bispo dom Xavier Rey, chamado também de Apóstolo do Guaporé.

Em 1970, foi o trabalho de uma equipe de jovens, muitos deles que nem sabiam identificar uma seringueira, apesar de técnicos agrícolas ou engenheiros-agrônomos: Assis Canuto, Paulo Brandão, Ademar Sales, José Melo e outros, liderados pelo capitão Sílvio Gonçalves de Faria, que permitiu ao Brasil a única experiência positiva de reforma agrária, absorvendo centenas de milhares de brasileiros desesperançados e que mudaram suas vidas e vieram completar o trabalho iniciado no século XIX pelos que também são responsáveis por fazer de Rondônia um Estado diferente na Amazônia.

No mesmo período foi a visão grande do governador Humberto da Silva Guedes que gerou a base para que Rondônia deixasse a figura de Território para a História. E de sua equipe, da qual faziam parte o seu filho Cesar Auvray Guedes, o médico rondoniense Jacob Atallah, os agrônomos William Cury e Luiz Carlos Menezes, isso apenas para citar alguns.

A lista é grande. Rondônia não ascendeu à condição de Estado por obra e graça de uma pessoa apenas. Aqui, apesar de alguns terem se destacado, os méritos não podem ser de apenas um: trata-se de uma construção coletiva, em que cada um colocou seu tijolo – e cuja obra está sendo continuada.

Inté outro dia, se Deus quiser!

jlucioalbuquerque@gmail.com


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