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Cidades

Publicado em Sábado, 30 de Maio de 2009 - 19h49

Prefeito do AM quer mudar cidade inteira para fugir de cheias

TERRA


O prefeito de Anamã, localizado junto ao rio Solimões, a 169 km de Manaus, quer mudar a sede inteira do município para fugir dos efeitos da enchente. "Todo ano, a gente sente a cheia, mas este ano foi maior e a água invadiu até os prédios públicos. E não dá pra administrar uma cidade onde até os prédios públicos ficam alagados", afirmou o prefeito Raimundo Chicó (PCdoB). Anamã está com 95% de seu território alagado. Os prejuízos, segundo cálculos da prefeitura, superam R$ 1 milhão, dinheiro que foi gasto quase todo em empenhos feitos junto a fornecedores. A prefeitura tem um orçamento anual de R$ 14 milhões. Para mudar a sede da cidade, a administração começará um estudo de viabilidade técnica.

"Nós temos duas áreas em foco na região de terra firme. Assim que o rio baixar, vamos pegar engenheiros, topógrafos e os vereadores para ver a viabilidade dessa idéia. Nessa época do ano, nós temos a enchente, mas, quando o rio baixa, a seca deixa várias comunidades isoladas. E não vai adiantar colocar a sede num local que fique isolado", avalia Raimundo Chicó.

Segundo ele, não se sabe ainda se existe alguma área em que poderia ser viável este projeto. "Construir uma cidade requer abrir ruas, construir toda a infra-estrutura, levantar novas instalações, escolas. É construir uma cidade inteira", avaliou a diretora executiva da Secretaria Estadual de Infra-Estrutura do Amazonas, engenheira Waldívia Ferreira de Alencar.

Ela lembra ainda do que ocorreu com o município de Boca do Acre (AM), nos anos 70, quando a sede do município foi mudada da várzea para a terra-firme e instalada em uma área chamada de Platô do Piquiá. "É preciso acima de tudo que a população queira mudar também. Porque, naquele caso, a população ficou dividida e teve gente que ficou na parte baixa e continua sofrendo alagação até hoje", disse Waldívia.

Anamã fica localizada na margem do lago que leva o mesmo nome, que serve de ligação ao rio Solimões. Quando vem a seca, o lago fica baixo em profundidade. "Quando a seca está grande, nem barco grande passa no lago. Somente de rabeta (embarcação pequena movida a um motor a gasolina com um grande eixo que liga a hélice) entra na cidade", lembra o prefeito Chicó.

A idéia do prefeito de Anamã é um exemplo das alternativas que os prefeitos dos municípios atingidos pela cheia no Amazonas estão buscando para minimizar os prejuízos e até mesmo prevenir a situação para os próximos anos considerando que enchente faz parte do regime das águas na bacia Amazônica.

Nesta sexta-feira, as 55 prefeituras que decretaram situação de emergência no Amazonas firmaram convênio com o governo do Estado para receberem a primeira parte dos R$ 80 milhões que o Ministério da Integração Regional disponibilizou para o atendimento à população atingida pela cheia. "Hoje, nós temos 355 mil pessoas afetadas pela cheia no Amazonas", informou o secretário de governo do Estado, José Melo.

Cada município receberá, em média, de R$ 100 mil a R$ 200 mil. Os municípios de Barreirinha, Careiro da Várzea e Anamã vão receber reforço na verba por conta da situação mais crítica em que se encontram, cada um, em torno de R$ 650 mil. "Nós temos recebido muita ajuda da população de outras cidades, principalmente de Manaus. Uma empresa cedeu três balsas-dormitório que estão sendo usadas pelos moradores que foram desalojados pela cheia. Hoje, mais de 60% da população saíram da cidade", informou o índio saterê-mawe Mecias Pereira Batista, prefeito de Barreirinha.

No município do Careiro da Várzea, pelo menos 30 criadores de gado não conseguiram levar seus rebanhos para os pastos de terra-firme, aonde a água não chega durante a cheia. O gado está sendo guardado em cima de estruturas de madeira, algumas flutuantes, que são chamadas maromba.

"Com isso, os bois ficam fracos. A nutrição é o maior problema que os bois enfrentam, porque o criador fica com dificuldades de pegar capim que é a base da alimentação dos animais. Os pastos de capim ficam alagados", diz Tarcísio Fabiano, médico-veterinário do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam). Para amenizar o problema, os técnicos do órgão estão tentando que o a secretaria de produção rural do Estado distribua rações aos produtores.

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