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Cidades

Publicado em Terça, 21 de Julho de 2009 - 17h01

Projeto vai revitalizar rio no município de Ouro Preto do Oeste

Wania Ressutti


A morte pré-anunciada do Rio Boa Vista, em Ouro Preto do Oeste, na região central de Rondônia, tem levado os organismos governamentais a tomar decisões nem sempre aceitas por todos na região. Mas o resultado dessa ação poderá garantir o futuro não só dos usuários habituais do Rio como resgatar a floresta trazendo de volta a flora e a fauna nativa.

O Projeto de Revitalização do Rio Boa Vista vem sendo executado pela Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater) em parceria com outras nove instituições: Ministério Público, Sedam, Cplac, Prefeitura de Ouro Preto do Oeste, Caerd, Unir, Sipam, Policia Ambiental de Candeias do Jamari e produtores da agricultura familiar.

A revitalização do Rio Boa Vista surgiu através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e os produtores cujas propriedades estão próximas às margens do Rio. Trinta metros de área de cada lote tiveram que deixar de ser utilizadas com pastagens e foram cercadas deixando somente um carreador para que o animal pudesse beber água.

A idéia não agradou alguns, como no caso do Sr. Alcino de Souza, da Linha 81, que abriu mão de 60 metros (30 de cada lado) de pastagem formada, uma vez que o rio passa dentro de sua propriedade. Já, Antônio Serrano, produtor cuja fundiária de sua propriedade fica às margens do Rio Boa Vista sabe que essa ação será importante para sua própria subsistência. “É uma coisa boa pra nós e pra proteger as arvores. Eu acredito que depois que formar, vai ser beneficio para todo”. Serrano já plantou a fundiária e agora está plantando as margens de um afluente que corta sua propriedade.

O Rio Boa Vista, tem uma vazão de água de 7.600 m3 por dia, das quais cerca de 5.000 m3 são utilizadas para abastecer Ouro Preto do Oeste, uma cidade com 36.040 habitantes (IBGE/2007). Segundo levantamento feito no local, a degradação das matas ciliares tem prejudicado muito a natureza fluvial e o Rio corre risco de morte, caso nada seja feito. Mediante esse fato o Ministério público reuniu as diversas instituições envolvidas com causas ambientais para buscar soluções que pudessem paralisar os danos.

O Projeto

O Projeto de Revitalização do Rio Boa Vista prevê a recuperação de 30 metros das margens de cada lado do Rio, ao longo de 34 quilômetros da nascente até a bomba de captação da Caerd. O primeiro passo foi convocar os moradores e todos os envolvidos para acertar o TAC. Depois disso foi estipulada uma atribuição para cada instituição envolvida.

A Emater local realizou o levantamento de campo em conjunto com a Cplac (Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira) e produtor para identificar os 30 metros das margens do Rio. “O produtor escolhia aonde seria os bebedouros e os acessos dos animais ao rio”, diz Elias Monteiro da Costa, engenheiro agrônomo da Emater, que está acompanhando todo o processo. A área reservada foi cercada e a perspectiva é de que sejam plantadas 48.600 mudas de essências nativas florestais e frutíferas, a fim de cobrir toda a extensão estipulada. “Ao todo já plantamos cerca de 90% a 95% da área”.

Educação ambiental

A proposta de poder contribuir com a preservação do meio ambiente chegou também aos alunos das escolas do local. Elias conta que tem ministrado palestras nas escolas de Ouro Preto do Oeste, especialmente nas públicas, buscando a conscientização de todos na importância de se preservar o meio ambiente. “Nós entendemos que é importante trabalhar com essas crianças”, explica.

Dessa ação surgiu a proposta de envolver as crianças nas atividades de plantio das matas ciliares. “A gente tem feito varias ações em prol do meio ambiente, mas essa realização do plantio foi a realização de um sonho”, diz a professora e orientadora educacional Márcia Fátima Cambruzzi Gagiola, da Escola Estadual Horácio Carelli Mendes.

Para a orientadora da Escola Estadual Joaquim de Lima Avelino, Sara Siqueira, essa ação é muito importante para o aprendizado do aluno porque ele “já vai aprendendo a preservar o meio ambiente, conservar o que está tendo ainda e ainda mais contribuir para que haja melhorias”, diz.

Jaqueline da Silva Rebouças Athaíde, aluna da Escola Estadual Joaquim de Lima Avelino, diz que a Escola vem trabalhando sempre com meio ambiente, vendo o que está acontecendo e que aprendeu muito com essa experiência e explica que foi uma oportunidade para “ver as dificuldades que tem em relação ao rio, pra ver como está a situação e pra ver que realmente não é mentira porque o pessoal, quando fala pensa que é um exagero e não é um exagero”. Já, para Rosimeire da Silva Costa, aluna do primeiro ano da Escola Estadual Horácio Carelli Mendes, essa foi uma “oportunidade para estar conservando a nascente do nosso rio pra que a gente possa ter uma boa água, de boa qualidade”. Wellington da Silva Oliveira, também da Escola Horacio Carelli vai mais longe. Para ele é muito importante “fazer um bem para o meio ambiente, pois assim os nossos filhos e netos vão ter uma água melhor e poderão ter um futuro melhor”.

Animado com o andamento dos trabalhos Elias Monteiro acredita que dentro de três anos já será possível ter um resultado mais visível. “Dentro de três anos, com certeza, nos vamos ter outro visual. A mata ciliar reconstituída, além de frutíferas como açaí, cacau, nós vamos ter, com certeza, reconstituída a mata ciliar e vamos ter comida para os peixes e para os animais que circundam o rio”.


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