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Cidades

Publicado em Domingo, 17 de Junho de 2012 - 10h56

Um ano sem Zé Gaúcho – Por Francisco Marquelino Santana

Francisco Marquelino Santana


Era o dia 30 de junho de 2011 quando um acidente inesperado na BR 364 tira a vida de um dos mais notáveis defensores da tão almejada autonomia político - administrativa de Extrema de Rondônia: José Hermeto Mazurkewicz, o Zé Gaúcho. O velho guapo nunca arredou o pé de seus ideais políticos e tampouco fraquejou diante da inoperância do Estado frente à implantação deste município.

Passado um ano de sua morte, o povo bravio deste recanto esquecido, sente profundamente a falta de seu mártir, enquanto “seus adversários políticos” são obrigados a amargar o sentimento de não escrever se quer uma linha solicitando a emancipação.

Os “Al-Qaedas”, como bem dizia Zé, ainda insistem em comungar a peleja caduca de acreditar no meio Termo pilantra, como se este fosse o único caminho de se conseguir cravar a bandeira da emancipação deste brioso povo. “O soldado tem que morrer em pé”, dizia ele diante daqueles que fraquejavam na luta pela emancipação, preferindo acreditar nos milagres de São Valter. Por falar em Valter, no dia 16 de março de 2010 Zé Gaúcho já anunciara o que mais tarde poderia acontecer com o então deputado estadual, a começar pelo título do seguinte artigo: “Plebiscito e a falta de Decoro Parlamentar”. Neste seu artigo Gaúcho acusa Valter Araujo de semear discórdia entre lideranças e comunidades da Ponta do Abunã, ao fazer um pronunciamento em Extrema de forma mentirosa, descabida e covarde. Atentemos aqui para o que diz Zé Gaúcho: “Em uma festa em Extrema, dia 13-03, sábado, para comemorar o resultado positivo do plebiscito realizado no último domingo de fevereiro (28-02), onde deveria ser apenas alegria ou regozijos, o deputado Valter Araujo, em suas propaladas alicantinas, querendo se postar de ‘grande orador’, esqueceu, ou não lhe fora ensinado, que quem fala muito da bom dia pra cavalo, ou boa noite, já que estou me referindo ao episódio do ultimo sábado a noite(13) em Extrema.

O deputado teria por obrigações de ofício, diante das circunstâncias que o momento requer de ser o fiel conciliador de possíveis divergências entre grupos rivais, jamais tomar partido, semeando ou insuflando a discórdia, demonstrando falta de equilíbrio emocional, ou desespero, por não haver conseguido ‘tapar o sol com a peneira’ ou fazer as comunidades todas de reféns com suas artimanhas maliciosas. Pois suas investidas tem deixado muitos questionamentos (...)Chamo a atenção da mesa diretora, pela observância da postura pública de seus pares, pois o incidente foi de tamanha gravidade que o deputado declinou nomes e fatos mentirosos, e pior, sabemos que sua atribuição é parlamentar e não executivo.” Ainda em 2009 no artigo intitulado “ Emancipação: uma esquadra à deriva”, o velho guapo já demonstrava sua insatisfação com Valter Araujo, e sempre dizia que “o Al Qaeda vivia metendo a cuchara suja na parrillada”, conforme algumas observações feitas por ele: “ O deputado Valter Araujo exigiu ou evocou para si o comando da esquadra que na primeira manobra parece ter entortado o leme(...) há quem diga que o Hospital Regional de Extrema não entra em funcionamento efetivo por tratar-se de campo de investimento de emendas parlamentares do deputado.” Mazurkestradamus já tinha previsto e denunciado as manobras perigosas daquele que se intitulava o “pai da emancipação”.

Ele não perdoava nem as brincadeiras de mesa de bar. Em 2008, Zé entrou numa ligeira discussão com outro pioneiro da região que não acreditando na criação do município, apostava qualquer coisa se Extrema emancipasse. Neste mesmo dia ele foi para casa se munir de caneta e papel, e o resultado da discussão transformou-se no seguinte artigo: “Rocão põe sob aposta anel de couro”. Imaginem só a repercussão gerada. Homem de farta linguagem literária, o guapo nunca se intimidou com nenhum tipo de ameaça e fazia questão de nunca “perder suas estribeiras”.

No dia 15 de junho de 2011, quinze dias antes de sua morte, Zé Gaucho escreveu o seguinte artigo: “Comenda Governador Jorge Teixeira”. Observemos um pequeno trecho deste artigo: “Na noite do dia 06/08/2011 tive um sonho, ou melhor, um pesadelo e como se fosse uma visão real, avistei o corpo do Ex Governador, em seu caixão na tumba se contorcendo e encobrindo seu rosto como alguém que não queria ser reconhecido. Em sonho ainda querendo entender o fenômeno, um galo cantou e eu acordei. Passei a madrugada meditando sobre a visão do sonho.” Quinze dias depois Zé Gaucho faleceu.

O Gaúcho de Santa Rosa costumava evocar seu espírito de liberdade e jamais deixou de tecer suas críticas a quem quer que seja. No dia 20 de junho de 2011, dez dias antes de morrer, ele mais uma vez bateu duro naqueles que insistiam usar a Emenda Constitucional Nº 15 de 12 de setembro de 1996 no intuito de impedir a instalação do Município de Extrema de Rondônia, vejamos o que disse Zé no artigo “Emancipação de Extrema”: “Condicionar agora, a implantação do Município à necessidade de regulamentação da lei federal é, no mínimo, uma infantilidade de mau gosto de menino rebelde que não teve bom ensinamento, para não dizer, que seja malvadeza de gente grande que não entende o português.”

No dia 26 de junho de 2011, quatro dias antes de sua morte, Zé Gaúcho recebe sua última homenagem em vida, num artigo escrito por Valdomiro Soster: “A verdade na Ponta do Abunã.” Eis um trecho desta histórica reflexão: “Sobre a luta pela emancipação de Extrema de Rondônia, além de dezenas de artigos publicados, ajudou a fazer todo levantamento Jurídico – Constitucional para fundamentar a tese defendida pelo TRE/RO, e que fora vitoriosa”. O ex - deputado estadual pelo Estado do Acre, compadre e amigo de longas datas de Zé Gaúcho, Valdomiro Soster ainda diz: “O mínimo que o Governo de Rondônia lhe deve, seria uma espécie de status de Secretário de Estado da Ponta do Abunã, permanente!”.

Até o dia 30 de junho estaremos relembrando alguns artigos escritos pelo líder maior da emancipação, que sem nenhuma sombra de dúvida, deixou-nos como herança, um vasto e riquíssimo legado sócio-histórico-cultural que precisa ser muito bem preservado. Não poderemos deixar cair no esquecimento a imagem daquele que brincava com as palavras. A Ponta do Abunã jamais será a mesma sem Zé Gaúcho, e hoje lamentamos profundamente essa perca irreparável que certamente tornou-se relevante marco divisório da história do nosso povo. O caudilho da emancipação foi sem dúvida um incontestável guapo que sempre defendeu de forma ilibada este querido e amado braço ocidental do Estado de Rondônia. Saudades.

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