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Deputados acreanos invadem reserva indígena em Rondônia para pescar e são recebidos à bala

Quinta-feira, 23 Abril de 2009 - 11:57 | A Tribuna


Material jornalístico transcrito do jornal A Tribuna do Acre

Preocupado com a demora, o barco onde estavam os deputados Helder Paiva (PR) e Élson Santiago (PMN) rumou igarapé acima, acreditando que o motor da embarcação do irmão pudesse ter tido algum problema e deixado seus ocupantes à deriva.

Quatro barcos tinham partido de Rio Branco para a pescaria. No decorrer da viagem de carro, o ex-vereador Carlinhos teve a ideia de comprar um sacolão para presentear os índios e conseguir pescar sem problemas. Enquanto os demais barcos ficaram ancorados no igarapé com os demais integrantes da comitiva pescando, Carlinhos, o advogado Ilêdo Fernandes e seu sobrinho Tiago resolveram ir à sede da reserva entregar o sacolão ao cacique Sabá. Foi o erro. Assim que chegaram, foram presos, tiveram o barco e o sacolão apreendidos e ficaram detidos, vigiados por índios armados.

Preocupado com a demora, o barco onde estavam os deputados Helder Paiva (PR) e Élson Santiago (PMN) rumou igarapé acima, acreditando que o motor da embarcação do irmão pudesse ter tido algum problema e deixado seus ocupantes à deriva.

Novo erro. Ao aportarem numa cachoeira em frente á aldeia central, foram recebidos de maneira hostil por vários índios que seguraram na borda da canoa e lhes deram voz de prisão, a exemplo do que tinham feito com o grupo do ex-vereador Carlinhos. Num descuido, o piloteiro Luiz Carlos, primo de Santiago, ligou o motor e arrastou os índios igarapé abaixo até este soltar a embarcação e rumaram na direção da fazenda, fora da reserva, onde estavam acampados.

Mas a sorte não estava do seu lado. No meio do trajeto, deu uma diarreia no piloteiro, que procurou o mato. Mas foi surpreendido por um grupo de indígenas armados que tinham vindo por um atalho que contorna as curvas do igarapé. Recebeu ordem de parar, mas, ao invés disso, incentivado pelos deputados Helder Paiva e Élson Santiago, ainda com as calças no joelho, ligou o motor e fugiram sob uma saraivada de balas, mas por sorte os índios erraram todos os tiros.

“As balas passaram zunindo sob as nossas cabeças”, conta o deputado Élson Santiago (PMN). “A sorte é que eram ruins de pontaria, pois, caso contrário, não estaríamos contando a história.”

Já na fazenda dos pecuarista Fernandes, os deputados Helder Paiva e Élson Santiago resolveram voltar à aldeia para pagar um resgate pela liberação do irmão deste, de Carlinho Santiago e de seu filho Tiago. Mas, ao chegarem, o cacique não quis nem conversar, prendeu todos e colocou na casa-prisão com os demais, onde permaneceram detidos sob forte pressão psicológica até as 16 horas, quando veio uma guarnição da PM de Rondônia que os soltou com os barcos, isso depois de muita negociação com o cacique, que não queria liberar as embarcações e os motores, confiscados com os peixes.

O grupo foi levado para o quartel da PM e, após deliberações de praxe, foi liberado.

O deputado Élson Santiago (PMN) disse ontem à TRIBUNA que viveu horas de terror, pensando que morreria quando os índios começaram a atirar no seu barco e jura que não sabia que estava pescando numa reserva indígena.

Outro momento de muita tensão foi quando foram presos e levados para a aldeia com armas apontadas na sua direção.

“Nunca vi tanto índio na minha vida, eram cerca de 500, todos revoltados e nos ameaçando de morte. Cheguei a pensar que nos matariam. Eu só voltei à aldeia para tentar liberar meu filho Tiago e meu irmão Carlinho Santiago”, conta o parlamentar, que até agora se diz assustado e certo de que escapou de morrer pela mão de Deus. Sobre novas pescarias, diz que elas continuarão mas bem longe do igarapé Ribeirão.
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