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Publicado em Segunda, 27 de Junho de 2011 - 17h24

FHC 80anos: para o Brasil, um grande estadista. Para o PSDB, um autêntico líder

Aparício Carvalho


FHC 80anos: para o Brasil, um grande estadista. Para o PSDB, um autêntico líder

* Por Aparício Carvalho

Um dos idealizadores do PSDB e ainda hoje o seu maior líder, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completou, dia dez de junho, 80 anos de uma vida repleta de exemplos dignificantes sobre os quais o povo brasileiro deveria fazer uma oportuna reflexão.
A efeméride foi fartamente noticiada pela mídia, trazendo no bojo das felicitações a surpreendente manifestação da presidente Dilma Rousseff que, ao contrário do seu antecessor, de forma atenciosa e engrandecedora,  homenageou o aniversariante, recordando o fato de ter sido FHC, desde Juscelino Kubitschek, o primeiro antecessor a entregar a faixa presidencial a um político oposicionista também eleito.

Além da carta de Dilma, o site comemorativo especialmente construído para a data, reúne também depoimentos elogiosos de políticos brasileiros e estrangeiros, como Bill Clinton e Tony Blair, ex-ministros, empresários e celebridades como Roberto Carlos, Paulo Coelho e o ex-jogador Ronaldo.

São oitenta anos de uma vida pública dedicada às causas sociais, forjada ainda na juventude, como líder estudantil, aflorando com mais intensidade no exercício da docência universitária, como professor de Sociologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), de onde foi arbitrariamente demitido durante o governo militar que dominou o Brasil de 1964 a 84.

Diretas-Já

Demitido da USP, o exílio o levou a viver e trabalhar como professor e pesquisador em diferentes países da América Latina e Europa, assim como nos Estados Unidos. Mas, mesmo fora do Brasil, fez campanha pela reforma democrática.  Durante as eleições de 1978 vamos encontrá-lo em plena luta nacional pela redemocratização do País. Em 1984, já senador, sua presença era marcante nos comícios empolgantes da campanha das Diretas-Já. Nos palanques, Fernando Henrique Cardoso integrava a mais ampla frente democrática que este País já conheceu, com Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Franco Montoro, Mário Covas, Dante de Oliveira, Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Roberto Freire, José Sarney, o próprio Lula, Orestes Quércia, José Richa, Pedro Simon e Miguel Arraes, entre muitos outros.

O povo brasileiro, muitas vezes acusados de ter memória curta, certamente jamais esquecerá aquelas cenas do comício final das Diretas-Já, no dia 16 de abril de 1984, quando, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, mais de 1 milhão e meio de cidadãos acalentavam o sonho da redemocratização ao som do Hino Nacional, na inconfundível interpretação de Fafá de Belém.
Mas para a amarga frustração do povo brasileiro, as eleições diretas não vieram em 1984. A emenda Dante de Oliveira foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de votos exigidos. A luta, porém, não foi em vão. Para alegria da grande maioria da população, o Congresso elegeu Tancredo Neves, mesmo sem o apoio da bancada petista.  Com a morte de Tancredo assumiu seu vice, José Sarney inaugurando o que se convencionou chamar de Nova República, abrindo os portões da democracia para que o próximo presidente já fosse eleito pelo sufrágio universal.

Constituinte e Plano Real

Com a abertura democrática, a grande aspiração nacional passou a ser a elaboração de uma nova Constituição. A Constituinte de 1988 produziu uma Carta Constitucional que pouco avançou em termos de conquistas sociais, embora sob muitos aspectos, tenha aberto perspectivas inovadoras, como no caso específico das questões relativas ao meio ambiente. Tanto é assim que, depois de 23 anos de vigência, o número de emendas já aprovadas transformaram-na em um instrumento de sucessivos casuísmos, conferindo ao uma carga volumosa de responsabilidades sem a previsão dos recursos e os meios para atender com a necessária dignidade os propalados “direitos do cidadão”.
 
Mesmo, assim, na elaboração da Constituição de 1988, lá estava Fernando Henrique Cardoso que, em 1986, foi reeleito senador, quando aquele PMDB dos tempos da resistência obteve expressiva vitória em todo o Brasil, inclusive em Rondônia, em grande parte graças à popularidade do Plano Cruzado. Naquelas eleições, Mário Covas e FHC foram os senadores mais votados da história: cada um deles obteve mais votos que o governador eleito de São Paulo, Orestes Quércia. Mário Covas e Fernando Henrique tornaram-se, naquele momento histórico do Brasil, os principais líderes nacionais do PMDB.
 
Em 1989 Fernando Collor venceu Lula prometendo combater ferozmente a corrupção e a caçar aos marajás em todo o País. Sua bravata eleitoreira terminou em setembro de 1992, quando o Congresso votou seu impeachment, sob a acusação de corrupção generalizada. Para sucedê-lo assumiu o vice-presidente Itamar Franco.
 
Foi no governo Itamar que nasceu o Plano Real. Fernando Henrique, inicialmente escolhido ministro das Relações Exteriores, deixou o Itamaraty em maio de 1994, para assumir o Ministério da Fazenda e preparar o Plano Real, um programa de combate à inflação que baixou os índices inflacionários da economia brasileira de 50% para 1%.
 
Qualquer cidadão brasileiro sabe que Plano Real foi um dos maiores sucessos econômicos e políticos da história do Brasil. Talvez seja até um caso exemplar em todo o mundo. Só quem é muito jovem e não conheceu os malefícios da inflação brasileira pode ignorar sua importância. Mas quem como eu, já acompanhava como vereador, deputado federal e vice-governador a política e a economia nacional, não esquece que o PT votou maciçamente contra esse plano no Congresso, inclusive com Lula fazendo-lhe os mais duros ataques.
 
Para se ter uma idéia, nos 26 anos que decorreram de 1967 a 1993, a inflação brasileira cresceu 1,4 quatrilhão por cento. Os mais pobres eram os que mais sofriam, porque não podiam atenuar seus efeitos com aplicações beneficiadas pela correção monetária no famoso “overnight”.
 
O sucesso do Plano Real foi tão grande que, ao domar o monstro da inflação, Fernando Henrique Cardoso se credenciou a ocupar a cadeira que era de Itamar. Seu alto nível de popularidade ficou registrado na história com duas vitórias sucessivas nas urnas, derrotando Lula no primeiro turno, tanto em 1994 como em 1998.
 
Uma herança bendita

Em seus dois mandatos presidenciais, Fernando Henrique Cardoso demonstrou que desenvolvimento é muito mais que aumento de taxas. É um processo de ampliação do direito de escolhas do cidadão e de fomento à expansão do potencial humano, de produtividade e participação em decisões que o afetam diretamente. Esta concepção de "desenvolvimento humano" se alastrou Brasil a fora e tem crescido em cada região do mundo que trabalha por suas próprias soluções. Incansável defensor do desenvolvimento humano, FHC impulsionou o progresso no Brasil apregoando seu conceito de “cidadão planetário”, com o advento da globalização da economia.

Sem entrar muito em detalhes, quero destacar apenas duas realizações históricas, além do Plano Real, concretizadas no governo Fernando Henrique Cardoso: a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Reforma do Estado. A primeira se não acabou, pelo menos reduziu drasticamente os déficits nas administrações públicas. E a segunda, promovida com a modernização do Estado pelas privatizações, foi mal compreendida em sua gênese e motivação e é demonizada até hoje em campanhas eleitorais; mas muitos dos que a demonizam recorrem agora à estratégia de privatização dos aeroportos, como já ocorreu com algumas rodovias, de 2003 para cá. Contrariando insinuações e acusações de muitas lideranças do PT, FHC nunca cogitou privatizar a Petrobrás, os Correios, a Caixa Econômica ou o Banco do Brasil. Aliás, no setor bancário, FHC promoveu a solidez do sistema com o PROER – projeto descaradamente criticado pela oposição petista.
 
Em seus oito anos de administração demonstrou rara habilidade ao conduzir com eficácia os quatro eixos de governo: o político, o macroeconômico, o social e o de intercâmbio de problemas. Como estadista, pensando nas futuras gerações, criou o Bolsa-Escola, que Lula, com sua sagacidade e pensando nas próximas eleições, ampliou para o Bolsa-Família.  Em seu governo não esqueceu o problema ambiental e evitou todos os apelos ao populismo. Inclusive, nas eleições de 2002, consolidou a democracia brasileira com sua conduta impecável na transição de governo, com uma transparência jamais vista num processo sucessório.
 
Concluindo, quero fazer coro aos milhões de brasileiros que até hoje agradecem a herança bendita deixada ao Brasil pelos dois mandatos presidenciais do estadista Fernando Henrique Cardoso. Um dos grandes orgulhos que tenho na vida é de comungar com suas idéias e fazer parte da geração de brasileiros que acompanharam e continuam acompanhando sua trajetória de líder, que ostenta uma ficha absolutamente limpa, como político e administrador.
 
Parabéns, Fernando Henrique Cardoso, pelos seus 80 anos de vida!

* Aparício Carvalho de Moraes é médico psiquiatra, mestre em ciências da saúde, especialista em clínica médica, educação em saúde pública, vigilância sanitária e epidemiologia, administração de serviços de saúde pública, administração hospitalar e medicina do trabalho.  Também é jornalista profissional e escritor, com várias obras publicadas. Como político já ocupou os cargos eletivos de vereador do Município de Porto Velho, deputado federal e vice-governador do Estado de Rondônia.
Pioneiro na instalação do ensino superior privado em Rondônia, atualmente é o diretor geral da FIMCA, Faculdades Integradas Aparício Carvalho.


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/geral/fhc-80anos-para-o-brasil-um-grande-estadista-para-o-psdb-um-autentico-lider)
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