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Publicado em Terça, 06 de Outubro de 2009 - 19h55

Nova tecnologia para controle de sigatoka-negra é apresentada em Rondônia

Daniel Medeiros


Nova tecnologia para controle de sigatoka-negra é apresentada em Rondônia
Simples e barata, uma tecnologia da Embrapa apresentada na última semana em Rondônia é a mais nova arma no combate à sigatoka-negra, a principal ameaça à cultura da banana em todo o mundo. Os cientistas descobriram que a aplicação de pequenas doses de fungicida em determinada parte das folhas das bananeiras é suficiente para garantir a saúde da planta e a produção de frutos de qualidade. A tecnologia foi apresentada em curso realizado na Embrapa Rondônia com participação de profissionais da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron).

Os estudos que deram origem à nova tecnologia tiveram início em 2003, na Embrapa Amazônia Ocidental, uma das 42 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Os pesquisadores aplicaram fungicidas em diferentes partes das bananeiras, como a raiz, o pseudo-cale (equivalente ao tronco da planta) e as folhas. Os melhores resultados foram obtidos com a aplicação de pequenas doses de fungicida puro na axila da segunda folha – contada de cima para baixo –da bananeira. A axila é a base da folha, onde ela se prende ao pseudo-caule.

Os números são animadores. Nos ensaios realizados pela Embrapa, bananeiras submetidas ao controle com a nova tecnologia apresentaram folhas verdes durante todo o período de produção dos cachos e conseguiram desenvolver frutos de qualidade. Os cachos pesam cerca de cinco quilos a mais que os produzidos por bananeiras em que a doença não foi controlada.

Engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Luadir Gasparotto explica que é necessária a adaptação de uma seringa para a aplicação dos fungicidas na axila da bananeira. Como não existe equipamento com tais caraterísticas no mercado, os pesquisadores utilizaram uma seringa veterinária e adaptaram uma mangueira de 25 cm de comprimento no lugar da agulha. Na extremidade da mangueira foi colocado um cano metálico, com cerca de dois metros de comprimento, para que seja possível aplicar o fungicida na folha que fica na parte mais alta da planta.

Além de eficaz, o método mostrou-se também barato. Enquanto outros tratamentos para controle da sigatoka-negra exigem 52 pulverizações de fungicida por ano, a nova tecnologia exige apenas três aplicações em cada ciclo produtivo. Com fungicidas a base de Flutriafol, são recomendados 2 ml do produto por planta em cada aplicação. Fungicidas a base de Azoxystrobin são aplicados em doses de 1 ml por planta.

Outra vantagem é ambiental. Com as pulverizações tradicionais, seja por meio de avião ou manual – com pulverizador costal –, o fungicida é lançado no ambiente, podendo contaminar outras plantas, animais e pessoas. As aplicações localizadas, com a seringa, evitam o desperdício e diminuem os riscos de contaminação ambiental.

Principal ameaça

Causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, a sigatoka-negra ataca as folhas da bananeira e foi descrita pela primeira vez em 1963, no Distrito de Sigatoka, nas Ilhas Fiji. Os primeiros sintomas da doença aparecem na face inferior da folha, como estrias de cor marrom, que evoluem para a cor preta. Provoca rápida destruição da folha, reduzindo a capacidade fotossintética e a produtividade da planta.

Monitoramento feito pela Embrapa Rondônia mostra que, dos 26 municípios onde a doença foi monitorada no Estado, apenas cinco não apresentaram amostras contaminadas. A sigatoka-negra é apontada por especialistas como a principal responsável pelo abandono de bananais em Rondônia, principalmente das variedades prata, nanica e maça, bem apreciadas pelo mercado.

Luadir Gasparotto, um dos criadores da nova tecnologia de controle, mostra que existem duas formas de se driblar a doença. Uma delas é adotar variedades resistentes, como a BRS Conquista, da Embrapa. A outra é controlar a sigatoka-negra por meio da aplicação de fungicidas, o que até agora tinha elevado custo. Mais barata, a nova tecnologia permite até mesmo a pequenos produtores o controle da doença e o retorno do cultivo de variedades mais suscetíveis.

O novo método de controle de sigatoka-negra foi apresentado a técnicos da Idaron, o órgão responsável pelo controle fitossanitário em Rondônia, durante um curso realizado na Embrapa Rondônia nos dias 29 e 30 do último mês. Além de aspectos teóricos da bananicultura, foram feitas demonstrações práticas de aplicação de fungicida em axilas de bananeiras. Também participaram do curso profissionais da Embrapa Rondônia, da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Regularização Fundiária (Seagri), da Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) e da Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac).


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