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Publicado em Quarta, 10 de Dezembro de 2008 - 10h24

Transmigração também influenciou o nosso jornalismo - Por Lúcio Albuquerque

Lúcio Albuquerque


Transmigração também influenciou o nosso jornalismo - Por Lúcio Albuquerque
Quando leio ou ouço comentários sobre dificuldades que se tem hoje para produzir texto jornalístico e fechar a edição de um noticiário ou de um jornal em Rondônia, eu fico pensando o que o interlocutor ou autor diria, se tivesse vindo antes, em épocas não tão distantes mas que, pela mudança violenta e célere dos meios tecnológicos da comunicação, parecem ser (as épocas) coisas do período pré-diluviano.

O jornalista Euro Tourinho conta que quando começou a atuar em jornal, um dos produtos mais disputados na chegada de um navio (naquele tempo não havia rodovia) era justamente o jornal ou a revista, de onde redatores recortavam matérias para edições próximas. Mais modernamente, quando o jornal "A Tribuna" começou a circular, em 1976, os noticiários nacional e internacional eram "coletados" pelo mesmo sistema de "gilete-press", que consistia em alguém escolher a matéria a ser reproduzida e fazer o recorte que era colado numa folha de papel e diagramado (no caso de "A Tribuna", enquanto nos outros era paginado) para a edição do dia seguinte do jornal local.

(Àquela altura os jornais de Rio, São Paulo e Brasília chegavam, religiosamente, no avião da tarde, e eram vendidos na banca do Silva, ao lado do Café Santos - esquina da Sete de Setembro com Prudente de Moraes - aliás, por que hoje eles não vêm mais?).

Para noticiar o resultado do futebol, na "A Tribuna, o editor Ivan Marrocos datilografava (computador era coisa do filme "2001 - Odisséia no Espaço") os jogos da rodada e dava a lista para o Enéas "Alicate", nosso repórter de esporte, para ficar ouvindo os jogos e anotando resultados, quem fez o gol, etc. No "Alto Madeira" e em "O Guaporé" quem fazia isso, respectivamente, eram os jornalistas João Tavares e José Pedro Sá.

Era comum, nas noites de domingo - porque "A Tribuna" também circulava às segundas-feiras, o pessoal da Rádio Caiari pegar conosco lá os resultados do futebol para ler no final da jornada esportiva deles.

Tenho foto (que vou publicar em março no meu livro sobre os 100 anos da Imprensa em Rondônia) do repórter Luiz segurando um imenso equipamento, nada mais que um gravador, entrevistando o então governador Jorge Teixeira. Na TV, o cinegrafista penava com um equipamento de 15 quilos, pendurado ao ombro, além, claro, da filmadora.

Fotógrafo mandar material do interior para Porto Velho era uma guerra. Perguntem ao presidente do Sinjor, Marcos Grutzmacher. Na cobertura da instalação dos municípios na BR-364, em 1977, o governador Humberto Guedes mandou que um avião, todos os dias, além de trazer materiais de interesse da administração, também trouxesse os filmes (de rolo) e as fitas de VHS para uso pelos jornais e TVs.

O título deste artigo cita "Transmigração". Ela mudou muita coisa no nosso dia-a-dia amazônico. E, claro, também, na imprensa. Além da imensa mudança tecnológica, a transmigração influenciou o jornalismo local que vai completar um centenário ano que vem. Sobre este século da presença da Imprensa entre nós, vou lançar o livro "Da Caixa Francesa a Internet – 100 anos da Imprensa em Rondônia", com circulação prevista para março.

Inté outro dia, se Deus quiser!

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