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Polícia

Publicado em Quinta, 07 de Julho de 2016 - 15h38

Agricultores protestam contra ensino à distância em frente a Seduc em Porto Velho

Ivanete Damasceno/Rondoniagora


Cerca de 2,5 mil trabalhadores rurais participam desde a quarta-feira (6) do movimento Grito da Terra em Rondônia. Na manhã desta quinta-feira, o grupo se concentrou em frente a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para protestar contra o sistema de educação a distância implantado em várias comunidades rurais. Segundo a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Rondônia (Fetagro), o método está estimulando a desistência do aluno e afastando a comunidade da educação.

De acordo com Fábio Menezes, presidente da Fetagro, na quarta-feira, o grupo se concentrou em frente ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para mostrar indignação quanto a lei de previdência que, “se houver a reforma, vai afetar diretamente o trabalhador rural”. O grupo também reclama da extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e sobre a paralisação do programa Minha Casa, Minha Vida Rural.

Em nível estadual, Fábio diz haver demandas específicas são a questão da regularidade ambiental, investimentos na agricultura familiar e principalmente, o processo de educação no campo. “O estado já implantou um projeto de quase 200 salas de aula, tirando o professor para colocar o ensino a distância. Essa metodologia ela não se aplica a realidade do campo. Para a educação no campo precisamos de um professor qualificado metodologia específica para cada realidade, precisamos do envolvimento da comunidade. Essa metodologia vai causar o êxodo rural, vai causar um afastamento maior das famílias com o processo do educação e não garante qualidade”, avalia o presidente da Fetagro.

Agricultor de São Miguel do Guaporé, Antônio Silva Lima diz que o projeto não tem beneficiado e o prefere que haja um professor dentro da sala de aula. “Tanto os meus filhos, quantos os dos outros agricultores estão sem vontade de ir estudar. Não quero meu filho aprendendo com um computador. O professor é melhor”, desabafa o agricultor.

Fábio Menezes diz que, em várias comunidades, os alunos já estão desistindo e por conta disso já começaram a recolher assinaturas contra esse método de ensino. “As aulas são transmitidas aqui de Porto Velho. O professor que fica na sala não consegue responder as perguntas do alunos. As dúvidas são feitas via chat e demoram para serem respondidas. A gente acha que se fosse bom, que fosse implantado aqui na cidade que é  mais fácil, tem energia, internet. O estado implantou sem fazer qualquer consulta, nós já conseguimos recolher 12,4 mil assinaturas contra esse projeto e até setembro vamos juntas 30 mil para demonstrar que não aceitamos esse projeto de educação no campo”, garante.

Sobre a compra direta do produtor rural para a merenda escolar, Fábio explica que em reunião, a secretaria acatou as sugestões dos agricultores para conseguir adquirir os 30%, conforme determina a lei. “Já com relação a educação não houve avanço. A Seduc diz que está com a folha estourada e não há como contratar professores”, finaliza.

Posição da Seduc

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) disse em nota que o projeto de Mediação Tecnológica tem o objetivo de levar o Ensino Médio a todas as localidades distantes e de difícil acesso. "Vale destacar que os alunos recebem aulas ao vivo com a presença de um professor multidisciplinar em sala de aula."
 
As aulas são oferecidas apenas em localidades em que não há professores habilitados para determinadas disciplinas.
 
Ainda de acordo com a nota, além da entrega de tablets realizada pelo governo para que os estudantes possam rever as aulas em tempo livre, a Seduc informa estar aberta para diálogos com lideranças de movimentos e discutir melhorias para o ensino em todo o estado.


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