Polícia
Operação contra garimpo ilegal atinge dragas de mais de R$ 4 milhões no rio Madeira
Sexta-feira, 30 Outubro de 2026 - 17:37 | Redação

Dragas usadas na extração ilegal de ouro no rio Madeira foram alvo de uma operação da PF e do Ibama nesta sexta-feira (30), em Porto Velho. As estruturas, avaliadas em mais de R$ 4 milhões cada, operavam sem autorização em um trecho acima da Usina de Jirau e foram inutilizadas após a retirada de mercúrio e outras substâncias nocivas.
A fiscalização ocorreu durante a segunda fase da Operação Nêmesis, aproximadamente 27 km acima da barragem. As equipes também apreenderam armas de fogo e equipamentos utilizados na queima do amálgama, processo empregado para separar o ouro e que apresentava vestígios de mercúrio.
O trabalho foi direcionado exclusivamente às dragas instaladas em pontos sem autorização para exploração mineral. Áreas com títulos minerários e licenças ambientais válidos ficaram fora da operação.
Para identificar as irregularidades, a PF cruzou a localização das estruturas com os registros da Agência Nacional de Mineração (ANM). A análise apontou que os locais fiscalizados não possuíam Permissão de Lavra Garimpeira nem licenciamento ambiental.
Imagens de satélite já mostravam a concentração dessas dragas no trecho irregular desde abril de 2025. Durante esse período, as embarcações mudaram de posição ao longo do rio, permanecendo fora das áreas autorizadas e provocando alterações visíveis nas margens.
O tamanho das estruturas e o investimento necessário para mantê-las em funcionamento indicam uma atividade organizada, com capacidade de extração em grande escala, e não uma exploração individual ou rudimentar.
Mercúrio retirado antes da destruição
Antes de inutilizar as dragas, as equipes recolheram o mercúrio metálico e outras substâncias prejudiciais ao meio ambiente encontradas nas embarcações. A medida evitou que esses materiais fossem lançados no rio durante a destruição das estruturas.
O material foi apreendido e receberá destinação ambientalmente adequada. As armas e os demais equipamentos recolhidos também serão contabilizados e encaminhados conforme os procedimentos legais.
A inutilização foi adotada porque não havia condições de retirar as dragas do local. As estruturas estavam acima da barragem de Jirau, sem disponibilidade de meios adequados para reboque ou de espaço compatível para armazenamento.
A medida está prevista no artigo 111 do Decreto nº 6.514/2008, que permite inutilizar equipamentos em determinadas situações, incluindo a impossibilidade de transporte e guarda ou a existência de riscos ambientais e à segurança dos agentes públicos.
Contaminação e investigação
O mercúrio utilizado na separação do ouro representa risco de contaminação para o rio Madeira. Durante o processamento, o metal pode atingir a água e o ar, acumular-se nos peixes e afetar populações ribeirinhas e indígenas que dependem do rio.
A legislação brasileira proíbe o uso de mercúrio na extração de ouro fora de atividades licenciadas pelo órgão ambiental competente, conforme o Decreto nº 97.507/1989. O Brasil também assumiu compromissos de redução e eliminação desse uso na Convenção de Minamata, promulgada pelo Decreto nº 9.470/2018.
Além da contaminação, a exploração irregular de ouro no leito do rio provoca assoreamento e destruição das margens.
A investigação busca identificar quem financia a atividade, organiza a logística, fornece mercúrio e outros materiais e recebe o ouro extraído ilegalmente.