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Polícia

Publicado em Sexta, 01 de Abril de 2016 - 18h57

Revoltados com R$ 40, servidores prometem campanha contra Mauro

Da Redacao


O funcionalismo municipal condenou duramente o reajuste de R$ 40 oferecido pela Prefeitura de Porto Velho aos profissionais da Educação e promete não esquecer no momento oportuno, o irrisório valor, que não acrescenta em nada no contracheque do trabalhador.

“É uma vergonha essa proposta. Você passa vergonha no supermercado com R$ 40”, desabafa a professora Andrea Ribeiro. Há seis anos na educação do município, ela diz que a categoria vai fazer a maior campanha contra o prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif. “Prefeito que não valoriza educação não merece a reeleição. A educação está agonizando na mão de médico”.

Na mesma corrente está praticamente toda a categoria, com apoio inclusive do quadro técnico e de apoio das escolas. É o caso da merendeira Ana Lopes e do agente de secretaria escolar Carlos da Silva Freire. “Esta proposta é uma brincadeira com a nossa cara. Não dá para comprar nem dois quilos de carne”, afirma Carlos.

Os servidores da educação municipal estão em greve desde o dia 18 de março e pedem reposição salarial de 25%. A prefeitura alega queda na arrecadação e diz que só pode oferecer R$ 40 de reajuste do auxílio alimentação ou a incorporação de uma gratificação de R$ 80, concedida no ano passado. Segundo a categoria, esta incorporação já estava deveria ter ocorrido.

“Estamos na educação porque acreditamos que o país ainda tem jeito. Mas a falta de valorização nos deixa frustrados.  Enquanto ele (o prefeito) tenta fazer apologia, nós vemos uma demagogia nesta proposta indecente”, revolta-se Ana Helena Collins, professora há mais de 15 anos somente no município. “Isso que ele ofertou nem proposta é. Não desmerecemos classe nenhuma, mas gari está ganhando mais que um professor. E não é que ele ganha bem, somos nós que temos o pior salário do município. Por isso, somos obrigados a trabalhar em três turnos, fazer horas-extras, porque se não for assim, você olha seu contracheque final do mês e ver apenas R$ 1.113,68”, dispara a professora.

A supervisora escolar Fátima Lucas analisa que em 36 anos na educação o setor só piora. E desabafa também: “Eu acho que R$ 40 é para lembrar de votar nele. Por que do jeito que ela fala, quem está de fora pensa que a gente vai ter R$ 120 de aumento e não é. Ele está ofertando o que já temos. O que já é nosso direito”, reclama Fátima. A professora Andréia Loures completa a indignação: “Nós estudamos quatro anos, depois fazemos pós-graduação, mestrado, e somos desrespeitados. Vai chegar o momento em que ninguém quer ser professor. É por isso que a classe tem tantos profissionais afastados. Porque o trabalho é intenso, mas nada de valorização”.

“A falta de valorização é geral. Eu trabalho na Escola Ulisses Soares e diariamente vejo as salas de aula com excesso de alunos, crianças especiais e nós somos obrigados a nos desdobrar porque não tem cuidador. E isso só faz cair a qualidade da educação. Todo dia só recebemos documentos com mais obrigações. A revolta é geral. Os governantes têm que lembrar que os filhos deles passam pelas nossas mãos e parecem que eles não querem que ninguém aprenda nada”, acredita a professora de educação física Maria Ana Castro.

Descaso

Inconformada com tanto descaso, a professora Jaqueline Oliveira questiona o que é feito com o recurso específico da educação. “A prefeitura recebeu os royalties das usina no valor de R$ 75 milhões para serem aplicados na educação. E onde foi parar? Todo ano, o recurso do Fundeb é devolvido, porque não vemos melhoria na educação. Se não devolve, onde está sendo aplicado? E ainda tem essa diferenciação de servidores do município. Por que os servidores da saúde vão ganhar gratificação de R$ 500, R$ 300 e R$ 200 e para nós só pode R$ 40? Todos merecem. E todos precisam”, detona.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia (Sintero), Manoel Rodrigues da Silva, tudo é lamentável, mas a categoria é obrigada a aceitar. “Nós estamos aceitando essa proposta porque somos obrigados. Não temos alternativa, já que precisamos respeitas a lei de proíbe greve seis meses antes das eleições. É por isso que estamos suspendendo a greve e aceitando esses míseros R$ 40 propostos no auxílio alimentação. Se ele diz que melhorou é verdade, mas a inflação comeu mais de 26%, mas se analisar não houve esse ganho. E hoje, o trabalhador em educação tem um dos piores salários do município”, diz.

Em relação ao projeto de gratificação para os servidores da saúde, Manoel explica que poderia ter ofertado a mesma proposta para a educação. “Não somos contra esse aumento da saúde, o que questionamos é porque não apresentou essa proposta dentro do custeio da educação. Nós queremos que aprovem o da Saúde, nosso repúdio é porque não deu o mesmo tratamento para as duas categorias”, finaliza.


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