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Política

Publicado em Quarta, 29 de Setembro de 2010 - 09h30

Atingidos pela barragem de Jirau denunciam desvalorização de terras

Assessoria


“Quando o Grupo ESBR [Energia Sustentável do Brasil] chegou à região para falar sobre o reservatório que seria construído em Jirau, eles prometeram que os atingidos seriam indenizados. Foram passados para nós alguns valores. Por exemplo, a terra nua [sem benfeitoria] R$ 1.800,00 por hectare. E hoje eles estão mandando propostas menores que R$ 500 por hectare”.

A denúncia acima foi transmitida ao vivo a todo o Brasil pela Rádio Nacional, durante entrevista na segunda-feira (27) no Programa Nossa Terra, apresentado pelo radialista Airton Medeiros. O denunciante, Sérgio Tesser, é um dos moradores da região de Mutum Paraná que terão suas propriedades atingidas pela barragem da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira.

A barragem de Jirau tem impacto direto na vida de milhares de famílias que vivem nas proximidades do rio Madeira -- incluem agricultores, pescadores, proprietários de terras, e índios. E todo o Distrito de Mutum Paraná está com os dias contados. Quase toda a população já foi remanejada para Nova Mutum, que foi projetada e construída pelo consórcio ESBR. Mas, ainda resta cerca de 50 famílias em Mutum Paraná, que aguardam serem resolvidas suas situações.

Em reunião ocorrida no dia 07 de janeiro deste ano, foi convocado o Comitê Sustentabilidade da Barragem de Jirau previsto no Plano de Gestão Ambiental, quando ficou estabelecido que os atingidos seriam indenizados através de carta de crédito ou través de remanejamento para outra localidade. As propostas já começaram a ser emitidas, no entanto, há denúncia no Ministério público Federal em Rondônia de que a empresa não disponibiliza com clareza as informações sobre os processos de indenização.

Na Rádio Nacional, Sérgio Tesser ainda denunciou que a falta de clareza por parte da empresa interessada na barragem tem dificultado aos atingidos o acesso à ampla informação de seus direitos. “Muitos ribeirinhos, por serem leigos em seus direitos, estão assinando essas propostas e entregando suas propriedades”. Sérgio disse ainda: “eles vão destruir tudo o que temos e não querem pagar o preço justo por nossas terras. E não temos sequer o direito de contraproposta. Ainda mais, nos ameaça dizendo que, se não aceitarmos essas propostas, teremos problema com o Ministério Público”.

Edcarlos Lucas de Jesus é um dos agricultores que já receberam proposta da ESBR. Sua propriedade de 50 hectares, localizada no ramal Primavera, na região de Mutum, foi avaliada em R$ 14 mil. Para ele, a proposta é injusta. “Estou aqui labutando nessa terra há dez anos. A terra é boa e já tem muita coisa plantada. Aqui vivo com minha esposa e meus dois filhos. Nunca quis vender essa terra, mas já que temos que sair, que seja por um valor justo! Essa terra vale entre 70 a 80 mil Reais, e eles querem pagar só 14 mil”, queixou Edcarlos.

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