Rondônia, segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Últimas Notícias   Rondoniagora.com no Facebook Rondoniagora.com no Twitter Rondoniagora.com no Youtube

Política

Publicado em Quarta, 29 de Junho de 2011 - 05h26

Autoridades desconfiam de consórcio nos tumultos em Jirau

RONDONIAGORA


Brasília – Dois meses após o tumulto envolvendo trabalhadores no acampamento da construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), o Ministério Público do Trabalho volta ao canteiro da obra e lavra 212 autos de infração a normas trabalhistas e de segurança, segundo o procurador Francisco José Cruz que participou de audiência pública terminada no início da noite de hoje (28), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

O diretor institucional do consórcio Energia Sustentável do Brasil, José Lúcio de Arruda Gomes, descartou a hipótese dos tumultos ocorridos entre os dias 15 e 17 de março tenham sido provocados por causa de reclamações trabalhistas. “Aquilo não foi coisa de trabalhador”. Ele declarou à Agência Brasil que “a fagulha [do episódio] foi criminal”, disse ao lembrar que houve tentativa de arrombamento de dez caixas automáticos de bancos existentes no acampamento e o período coincidiu com o pagamento de salários.

Dezessete pessoas envolvidas estão presas pela Polícia Civil de Rondônia, “algumas delas tinham mandado de prisão em outros estados”, disse o diretor que ainda elenca a possibilidade de que possa haver alguma associação entre os supostos criminosos e grupos trabalhistas radicais. Além da Polícia Civil, a Polícia Federal também abriu inquérito para apurar o caso. Segundo o presidente do consórcio Energia Sustentável, Victor Paranhos, os órgãos de segurança institucional do governo federal também acompanham as investigações.

Para o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores das Indústrias dos Estados de Rondônia e do Acre (Fitrac), Antônio Acácio Amaral, o consórcio tem algum interesse no episódio. “Me mostre uma agulha da Camargo [Corrêa] incendiada”, disse durante a audiência pública. A mesma tese tem o deputado federal Delegado Waldir (PSDB-GO): “nenhum maquinário de grande valor foi queimado”, declarou.

De acordo com o consórcio, 70 alojamentos e 50 ônibus usados pelos trabalhadores foram queimados; além de uma lavanderia, uma farmácia e uma sala de TV existentes no canteiro e carros particulares.

O deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, descarta os argumentos da empresa e disse que havia de fato razões para a “revolta popular”, em função das condições de alojamento; dificuldades de acesso ao refeitório; e da diferença de salários e de benefícios. Segundo o procurador Francisco José Cruz, ainda não há como “ mensurar o fato específico que originou aquela revolta”, mas sublinha problemas causados pelo grande fluxo populacional na obra e pela terceirização e até “quarteirização” de empresas prestadoras de serviço.

Em março, cerca de 22 mil pessoas trabalhavam na obra, apenas 70 empregados do próprio consórcio. A maioria era da Camargo Correia (responsável pelas obras de construção), da Enesa (montagem da estrutura de instalação das turbinas) e da Toshiba (linha de transmissão). O consórcio Energia Sustentável do Brasil é formado pela franco-suíça GDF-Suez (50,1% do capital); pelas estatais Eletrosul e Chesf (20%, cada) e pela empreiteira Camargo Corrêa (9,9%).

(Disponível em https://www.rondoniagora.com/politica/autoridades-desconfiam-de-consorcio-nos-tumultos-em-jirau)
Rondoniagora.com





2016 © Rondoniagora.com - Jornal Rondoniagora é uma publicação de Central de Jornalismo, Produção, Marketing e Assessoria Ltda. Todo o noticiário, incluindo vídeos, não podem ser publicados, retransmitidos por broadcast, reescritos ou redistribuídos sem autorização escrita da direção, mesmo citando a fonte.

Avenida Guaporé, 4248 - Bairro Igarapé - Porto Velho - RO (69) 3225-9705

Desenvolvido por
Idalus Internet Solutions