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Política

Publicado em Terça, 20 de Outubro de 2009 - 14h45

Deputado reclama do Parlamento e avalia que 60% não retornam após eleições

Yodon Guedes


Um grande debate para salvar o Parlamento, desenvolver uma pauta voltada aos interesses sociais e regionais e não apenas aos “interesses” do governo do presidente Lula foi proposto pelo deputado federal Ernandes Amorim (PTB), na noite de segunda-feira na Câmara.

Ele sugere uma reunião que envolva os líderes, todos os deputados e a presidência da Casa, para tratar especificamente dessa questão sob o risco de o Parlamento continuar se desmoralizando, não cumprir uma pauta social e ainda por cima favorecer uma série de “desmandos” que só alcança em benefícios cartéis e grandes corporações.

Ele citou como exemplo “dessa vergonha” o fato de o governo Lula pedir apoio do Congresso para remanejar recursos. “E olha o que fizeram: meteram a mão nos recursos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) destinados a ajudar os pequenos produtores na região e mandaram esses recursos para o BNDES. De lá esse dinheiro foi emprestado para cartéis de frigoríficos que mesmo falidos, conseguem captar sem nenhuma garantia real. São dois ou três como o Friboi que alega ser o maior grupo, mas recebe benefícios do BNDES, como Independência que mesmo falido recebeu empréstimos. São esses grupos que mandam, perseguem os pequenos produtores com nomeações de gente deles nos órgãos do governo e enganam o país. Agora eu pergunto: cadê Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas que não vem isso?”, questiona Amorim. Ele ressalta, no entanto, que o TCU já iniciou investigação no BNDES, mas só após pedido formal feito, a pedido dele, através da Controladoria da Câmara.

Amorim alertou aos seus colegas parlamentares, que o dinheiro do trabalhador, captado pelos bancos oficiais, está sendo jogado as traças pelo governo Lula. “Ele está bem, aparece com 80% de aprovação do mandato, mas os pequenos municípios e produtores de nossa região estão esquecidos e quem vai pagar o pato somos nós, porque não conseguimos sequer honrar o compromisso de liberar emendas para ajudá-los. O governo Lula contigenciou esses recursos, a população não sabe e se essa Casa não se organizar vai pagar um ônus pesado, pois enquanto o presidente está bem de aprovação, creio que a continuar dessa forma, 60% da representação deste poder não volta após as eleições”, disse.

Da agenda sugerida por Amorim, para esse grande debate, consta o descontigenciamento das emendas pendentes de 2007 até o ano passado; união dos parlamentares, investigação de todas as denúncias recebidas contra o governo federal, como as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), encabeçada pelo TCU, e ampliação e reforma da Câmara, que tem dinheiro em caixa para construção do anexo 5.

“As denúncias precisam ser apuradas, pois quando é contra parlamentar se é jogado aos leões, mas quando do governo federal e seus grupos, são capazes até de mudar a lei. Também precisamos de melhorias em nossas instalações, trabalhamos em pocilgas, em salas apertadas com banheiro quase em cima da mesa de trabalho. Mas em frente ao Parlamento, verdadeiras mansões abrigam as cortes da Justiça (STF, STJ, TSE) e do Trabalho. Até dessas coisas temos que tratar como forma de melhorar a instituição parlamentar deste país”, afirma Amorim.


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