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Operação da Draco sobre rachadinhas que afastou Thiago Tezzari completa um ano; relembre todos os detalhes do esquema

Sexta-feira, 28 Agosto de 2026 - 15:38 | Redação


Operação da Draco sobre rachadinhas que afastou Thiago Tezzari completa um ano; relembre todos os detalhes do esquema

A operação que levou ao afastamento do vereador Thiago Tezzari de suas funções na Câmara Municipal de Porto Velho e o envolveu em um grande esquema de rachadinhas está completando um ano. 

O vereador é um dos principais aliados do atual candidato ao Governo, Adailton Fúria. Na gestão de Cacoal, Tezzari assumiu cargos importantes no primeiro escalão. Em Porto Velho é um dos grandes entusiastas de Fúria.

Draco

As medidas contra Tezzari tiveram origem em decisão da 2ª Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de Rondônia em 30 de setembro de 2025, que autorizou buscas, quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático e afastamento de servidores públicos por 30 dias dentro de uma investigação policial da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO)

A representação da Polícia apontava que Tezzari teria comandado, a partir do próprio gabinete parlamentar, uma estrutura em que assessores repassariam sistematicamente parte de seus vencimentos ao vereador ou a terceiros indicados por ele. Os valores circulavam por depósitos, transferências eletrônicas e entregas em dinheiro. 

A Polícia também afirmava que pessoas físicas e empresas seriam utilizadas para pulverizar as movimentações e dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro. Na época, eram investigados, em tese, crimes de peculato, concussão, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A justiça considerou existentes indícios suficientes para permitir o aprofundamento das apurações.

Pagamentos mensais e promessa após campanha

Um dos depoimentos reproduzidos na decisão descreveu uma negociação política anterior ao mandato. Uma pessoa ouvida pela Polícia afirmou que havia auxiliado Tezzari em campanha e que, em contrapartida, teria recebido promessa de nomeação no gabinete com remuneração equivalente a quatro salários-mínimos, além da possibilidade de indicar três cargos comissionados com vencimentos aproximados de R$ 3 mil cada. 

Segundo o relato, a nomeação não ocorreu e Tezzari teria proposto pagamentos mensais de R$ 5 mil, sem vínculo formal com a Câmara. Em janeiro de 2025, o depoente afirmou ter recebido R$ 3,5 mil por meio de uma empresa do setor de serviços e segurança. A Polícia também verificou o endereço indicado como sede dessa empresa e encontrou apenas um terreno baldio, sem sinais de funcionamento de atividade empresarial no local. 

O mesmo depoente relatou posteriormente outras duas transferências, nos valores de R$ 411 e R$ 1,1 mil, realizadas por uma assessora parlamentar. Segundo a investigação, ela seria responsável por devolver parte dos próprios vencimentos mediante transferências para terceiros e por pagamentos destinados a obrigações atribuídas ao vereador. (pág. 5) 

Assessores e terceiros na rota dos valores

A investigação apontava ainda que um assessor ocupante de cargo comissionado seria utilizado tanto para devolver valores como para atuar como possível intermediário na movimentação do dinheiro. Outro assessor, descrito como pessoa de confiança de Tezzari, teria a função de recolher parte dos vencimentos de servidores e fazer pagamentos por PIX ou entregar dinheiro em espécie a pessoas indicadas pelo vereador. 

A estrutura descrita pela Polícia não se limitaria aos servidores do gabinete. A decisão registra movimentações envolvendo terceiros e pessoas jurídicas de diferentes segmentos, entre eles consultoria empresarial, comércio e distribuição de bebidas, associação cultural e desportiva, serviços e segurança, prestação de serviços, licitações e comércio de moda. 

Uma das empresas do setor de prestação de serviços era proprietária de uma Ford Ranger, ano 2024/2025, que, segundo a investigação, era regularmente utilizada por Tezzari. A Polícia também apontou o vínculo de outro investigado com empresa sem sede localizada no endereço declarado. 

Transferência de R$ 2,8 mil

A decisão registra ainda uma transferência de R$ 2,8 mil feita a um dos depoentes. Segundo o relato apresentado à Polícia, o valor originalmente destinado seria de R$ 3,5 mil, mas a pessoa responsável pela transferência teria informado que reteve R$ 500. A investigação interpretou a operação como parte da cadeia de pagamentos paralelos que buscava apurar. 

Justiça apontou Tezzari no centro do esquema investigado

Ao autorizar o afastamento de sigilos, a Justiça registrou que havia fundados indícios de participação dos investigados e colocou Thiago Tezzari no centro da estrutura descrita pela Polícia. A decisão aponta que assessores teriam realizado repasses regulares e fracionados, direta ou indiretamente, em favor do vereador ou de pessoas indicadas por ele. 

Na análise sobre o afastamento das funções públicas, a decisão afirmou que havia indícios de que Tezzari teria utilizado o cargo para comandar repasses de verbas públicas a terceiros sem vínculo com a Câmara. Também considerou demonstrados, naquele estágio da investigação, a influência e o papel de liderança atribuídos ao vereador no suposto esquema. 

Buscas chegaram ao gabinete na Câmara

A determinação judicial autorizou buscas pessoais, domiciliares, veiculares e em locais de trabalho. Na Câmara Municipal, a ordem ficou restrita ao gabinete de Thiago Tezzari e anexos vinculados ao parlamentar ou ao gabinete. 

Seis servidores afastados

Ao final, a Justiça determinou o afastamento de 6 servidores públicos, entre eles Thiago Tezzari, pelo período de 30 dias. 

A decisão também mandou requisitar informações sobre eventuais movimentações de rebanho, vacinações e compra e venda de bovinos envolvendo pessoas físicas relacionadas à investigação, entre 1º de janeiro de 2023 e 25 de setembro de 2025.

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