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Política

Publicado em Segunda, 22 de Fevereiro de 2016 - 17h35

RONDÔNIA AMARGA R$ 579 MILHÕES DE PREJUÍZOS COM CARTEL DA CARNE

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RONDÔNIA AMARGA R$ 579 MILHÕES DE PREJUÍZOS COM CARTEL DA CARNE

O Estado de Rondônia amargou prejuízo na ordem de R$ 579.602.400,00 no período de julho a dezembro do ano passado com a redução de R$ 25,36 no preço pago pela arroba do boi comparado com São Paulo. A conclusão foi apresentada pelo economista Francisco Aroldo na tarde desta segunda-feira, 22, na segunda reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar a suposta prática de cartel entre as indústrias frigoríficas. Com os preços caindo desde o segundo semestre de 2015, o produtor foi obrigado a vender o bezerro de 1 ano e 8 meses para São Paulo, medida necessária para sobrevida do setor, mas prejudicial ao Erário rondoniense porque o animal perde valor agregado. No estado paulista, o bezerro nelore é comercializado em média a R$ 1.370,00 enquanto Rondônia com a queda do preço da arroba não chega a R$ 1.020,00. “Compensa enviar a carga e pagar o transporte em torno de R$ 15 mil do que ter prejuízo em Rondônia”, disse o deputado Eurípedes Lebrão, membro da CPI.

A reunião começou com a explanação do relatório produzido pelo economista Francisco Aroldo com apoio das entidades ligadas ao setor, a exemplo da Associação dos Criadores de Nelore, Associação de Produtores Rurais de Rondônia (APRRO) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon), entregue formalmente a comissão. Ele apresentou números sobre a participação da carne no Produto Interno Bruto (PIB) e na venda no comércio exterior. Rondônia está autorizada a vender para 19 países. O relatório aponta discrepâncias entre o número de indústrias e a capacidade de abate. Mesmo com 11 plantas em atividade, o Estado não reduziu o número de animais abatidos. Mas os custos, forçados pela alta do dólar, dispararam e o preço da arroba vem caindo desde julho. “Por onde passamos o sentimento é de raiva e desespero”, explicou Hélio Dias, presidente da Faperon, relatando aos parlamentares sobre o Grito da Pecuária movimento que organizou reuniões para discutir os problemas da pecuária de corte de Vilhena a Porto Velho.

Hélio Dias, um dos mais fortes defensores do produtor, foi enfático ao afirmar que houve mesmo uma combinação entre as indústrias para praticar o mesmo preço em todo Estado. A diferença de uma planta de Vilhena para Porto Velho não passa de R$ 1,00 e seguindo a tendência nacional, o grupo JBS Friboi lidera o suposto cartel porque é responsável por 48% da indústria instalada em Rondônia. Ele elogiou a atuação do Governo e dos deputados estaduais que aprovaram legislação baixando a “pauta do boi” uma medida paliativa mas necessária nesse momento de crise. Na próxima reunião, marcada para o dia 26 no Palácio Rio Madeira, os pecuaristas vão exigir que as indústrias voltem com os preços praticados em julho de 2015. “Não estamos cobrando nem as perdas inflacionárias”, detalhou.

DEVASSA NOS CONTRATOS DE ISENÇÃO FISCAL

Dos requerimentos aprovados na CPI dos Frigoríficos nesta segunda, o mais importante foi apresentado pelos deputados Adelino Follador (DEM), Laerte Gomes (PEN) e Lazinho da Fetagro (PT) exigindo da Secretaria de Finanças do Estado (Sefin) e da Superintendência de Desenvolvimento de Rondônia (Suder) os contratos de todos os frigoríficos que possuem isenção de até 85% do ICMS. Laerte Gomes propôs que o Estado também envie informações dos contratos firmados com as indústrias que foram desativadas desde o ano de 2013. São 8 plantas, a maioria compradas pelo JBS Friboi, e simplesmente descartadas, gerando desemprego. Pelo relatório do Grito da Pecuária, se esses 8 frigoríficos estivem em operação mais de 3.800 pessoas estavam empregadas. Lazinho também pediu também a relação de preços da carne vendida nos supermercados nos últimos 6 meses para comparar a evolução do preço da arroba paga ao produtor com os preços praticados ao consumidor final. “No atacado caiu o preço, mas no varejo, eu duvido muito”, disse Lebrão. Ao todo foram aprovados 8 requerimentos com pedidos de informações e documentos a administração pública e particulares. A próxima reunião da CPI está marcada para a segunda-feira, dia 29.

Veja a relação de frigoríficos fechados

 

Frigorífico

Município

Capacidade de abate/dia

Cooperativa de Ariquemes

Ariquemes

700

Frialto

Ji-Paraná

1.000

JSB Friboi

Rolim de Moura

510

Frig. Nosso

Porto Velho (Abunã)

550

JBS Friboi

Ariquemes

700

Total S/A

Ariquemes

300

Frigoserve

Cacoal

350

 


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