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Publicado em Quarta, 03 de Novembro de 2010 - 09h18

As Belezas da Cachoeira de Teotônio e o Baile da Despedida do Território de Rondônia

Tadeu Fernandes


As Belezas da Cachoeira de Teotônio e o Baile da Despedida do Território de Rondônia

Quando aqui cheguei, no ano de 1979, ingressei no Lions Club Rio Madeiral, do qual fui vice-governador distrital, quando tive o prazer de conviver com várias pessoas que integravam o clube de serviços. Dentre eles, lembro-me do Desival, do Heitor Costa, Josias, Nelson de Oliveira, Luiz Colleone, Carlos Henrique (Lingüiça), Electo Azevedo, Rubens Sanches, Pedro Olímpio, Clodomildo Bezerra e outros. Fazíamos encontros seguidos e promovíamos ações de natureza social.

Anualmente realizávamos o campeonato de pesca na Cachoeira de Teotônio. Naquela época era um espetáculo maravilhoso que a natureza oferecia, com milhares de peixes saltando as pedras da corredeira para desovar seus filhotes bem mais adiante. O contraste com o sol brilhava e cintilava o espetáculo da natureza só visto por nós nas águas do Madeira.

A Cachoeira do Teotônio foi esculpida para nos brindar com uma beleza impossível de ser retratada pelos melhores pintores. Guardo na memória o espetáculo oferecido, quando ainda havia milhares de peixes e pesca abundante, diminuindo com a pesca predatória.

Lembro que no ano de 1982 foi organizado o campeonato de pesca pelo Lions com mais de oitenta equipes participantes, todos preparados com seus barcos e suas traias de pesca. Acampados desde o dia anterior, para melhor organizar o evento, nos preparávamos para dar início quando surgiu o Teixeirão com todo o seu staff de governo e com voz alta disse que também iria participar. Foi entoado o Hino Nacional, com o mastro e bandeira subindo juntos. Conversando com o Teixeirão, brincando e sorrindo, disse-me que na Bolívia era comum “hastear bandeira com mastro e tudo”, tendo o então Governador permanecido praticamente o dia inteiro se esbaldando com a pesca e com as belezas naturais da Cachoeira de Teotônio com sua fartura de peixes. Tivemos a sorte de nossa equipe ter fisgado um grande peixe e ergui o troféu com o Ortêncio, empresário do ramo de materiais de construção e cimento, o que não é estória de pescador.

Por vários anos, o Lions promoveu o campeonato de pesca e já constava no calendário turístico de Rondônia. Eram momentos de extrema alegria e participação pacífica de todos que se inscreviam para o campeonato e era vencedor quem pescava o maior peixe, oferecendo aos visitantes momentos de lazer que certamente são inesquecíveis na memória de todos aqueles que por vários anos estavam presentes no campeonato de pesca na Cachoeira de Teotônio, promovido anualmente pelo Lions.

Os anos foram passando, a pesca tornou-se escassa e o campeonato chegou ao seu fim, restando a lembrança daqueles belos momentos no local privilegiado pela natureza, que certamente com a construção das usinas do Madeira não mais existirá. É o interesse e a necessidade de o homem se servir das forças da natureza para seu benefício, o que ao mesmo tempo põe fim a um dos maiores tesouros incrustados no município de Porto Velho, tal qual aconteceu nas Sete Quedas do Rio Iguaçu, no Paraná, para a construção da hidrelétrica de Itaipu. Sete Quedas que tive o privilégio de conhecer antes de ser inundada.

São histórias que devem ser registradas e mantidas na mente das atuais e futuras gerações para que tenhamos a noção exata e a convicção de que o progresso e o desenvolvimento sacrificam impiedosamente muitas belezas que a natureza nos legou, tudo em benefício do nosso bem estar. A Cachoeira de Teotônio, com seu espetáculo cintilante e prateado vindo das pedras, das águas e dos peixes, são imorredouros no coração e nas mentes dos rondonienses que tiveram o privilégio de desfrutar deste pedaço sagrado daquela cachoeira que não mais existirá.

Com a criação do Estado de Rondônia, por meio da Lei Complementar n. 41, o Território criado em 1943 estava prestes a chegar a seu fim. O Rotary Club de Porto Velho resolveu fazer o Baile de Despedida do Território, o que se deu no mês de dezembro de 1981, tendo sido escolhida a sede social do Ypiranga, no prédio da atual Academia Win. Os associados do Rotary, dentre eles Rubens Moreira Mendes, Manoel Médice, José Adelino da Silva, Dr. Otto, expediram alguns convites para comemorar a data de despedida.

Na noite do Baile de Despedida do Território, o clube foi preparado com requinte e extremo bom gosto pelos rotarianos. Tratava-se de uma festa e acontecimento único, inesquecível. Talheres especiais, mesas decoradas e a apresentação de uma orquestra de renome, o cenário era de muita beleza e representava um momento ímpar em nossas vidas. Tanto os organizadores como os convidados e suas esposas chegavam com trajes cuidadosamente escolhidos, cada um era recebido festivamente pela comissão especial do clube de serviço. Na minha mesa, além de minha esposa estavam o Chiquilito, o Luiz Dilnei Serafim e o Pedro Luiz Castilho, porém íamos de mesa em mesa cumprimentar a todos e lembrar e brindar a data marcante e o significado da despedida definitiva do Território Federal de Rondônia.

Houve confraternização festiva, valsa da despedida e foram abertas champanhas. Discursos lembrando a importante e inesquecível data. Foram lançados centenas de fogos de artifício e a alegria foi contagiante. O baile continuou até o dia amanhecer permanecendo quase todos até o sol raiar. Foi uma noite maravilhosa entre amigos, rondonienses que haviam vivido e participado do desenvolvimento do Território e que se despediam de uma época de dificuldades, mas prazerosa por haverem sido partícipes da formação de uma nova unidade da Federação.

Por isso é que dentro de nossa história registra-se o momento sublime em que rondonienses se reuniram em uma noite festiva para marcar todo um passado de glória e a esperança na formação do novo Estado para o qual já se imaginava um futuro promissor e os presentes estariam na linha de frente para a construção e progresso da nova unidade da Federação. E assim, com o sol já soltando seu brilho, já entoávamos nosso Hino “azul, nosso céu é sempre azul, Que Deus o mantenha sem rival, Cristalino muito puro, E conserve sempre assim”.

De lá para cá, nossas esperanças e otimismo se concretizaram e a maioria daqueles que festivamente se encontravam no salão de festa do Ypiranga, na despedida do Território, tiveram muito orgullho em participar daquele ato marcante em suas vidas. Todos com suas ações e muito trabalho contribuíram diretamente para que hoje sejamos um dos mais importantes estados da federação brasileira, legando às futuras gerações um estado mais pujante e promissor.
 
Tadeu Fernandes é Advogado


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