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Publicado em Terça, 14 de Junho de 2016 - 19h03

Barter vira alternativa para financiamento da safra

Leonardo Gottems/Agrolink


As dificuldades na liberação de crédito e as incertezas no cenário político/econômico do Brasil têm levado os produtores rurais a buscarem alternativas para o financiamento da safra. Nesse cenário, ganham espaço e se popularizam as operações de barter, que evitam os altos juros e a burocracia dos bancos e instituições financeiras, ao mesmo tempo em que são vistas pelos fornecedores como uma forma de fidelizar clientes.

“O sistema de barter, no caso das commodities, é o de troca de insumos, sementes e equipamentos diretamente por produtos. Atribuem-se valores a ambos e se determina as quantidades de cada um, de acordo com estes valores. Os preços dos insumos, sementes e equipamentos são determinados pelas tabelas dos fornecedores. Já os preços das commodities variam a cada dia de acordo com as respectivas cotações nos mercados futuros e precisam ser traduzidas em reais por saca, posto localidade da troca, no Brasil”, explica o analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco, que publica e envia aos seus clientes diariamente o “Relatório Barter”.

Ele explica que no Brasil a maioria das operações de Barter é triangulada, envolvendo o produtor rural, a empresa de insumos e uma Trading, que faz o papel de comprador final da mercadoria, geralmente destinada à exportação: “É ela quem determina o preço da commodity negociada, a partir do repasse que consegue fazer no mercado internacional ou da cobertura que faz nos mercados futuros”.

Pacheco ressalta que essa modalidade tem aumentado porque “não envolve financiamento bancário e suas complicações no Brasil. Como são dadas garantias de produto, não são cobrados juros diretos. Os preços são determinados diretamente das cotações das Bolsas Internacionais, sem outros descontos”.

No entanto, o especialista alerta que há alguns riscos que precisam aos quais os agricultores precisam estar cientes. “O maior é a quebra de safra, se não produzir o volume de produto contratado, ou não tiver a qualidade, sofrendo, por isso, descontos. Nestes casos, depois da colheita, ou o agricultor oferece mais produto (às vezes da safra seguinte) ou negocia a diferença financeira com a outra parte. O maior cuidado que o agricultor tem que tomar é a correta avaliação dos bens envolvidos, tanto do que está adquirindo, quando do que está fornecendo como garantia”.

O analista da T&F acredita que o barter “veio para ficar, porque o agricultor vai gostar da modalidade, se acostumar com ela e até vai exigi-la futuramente, das empresas. Como o dinheiro é um produto dos mais caros, no Brasil, vai levar muito tempo até que um financiamento volte a oferecer condições mais vantajosas que o barter”.


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