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Publicado em Domingo, 08 de Outubro de 2017 - 10h26

Comidas típicas e forró, conheça histórias de nordestinos que mantêm tradições em Rondônia

por Marilza Rocha


Comidas típicas e forró, conheça histórias de nordestinos que mantêm tradições em Rondônia

Um paraibano que mantém as tradições, um piauiense cabra da peste e um pernambucano que chegou sem querer. Histórias como estas fazem parte da história de Porto Velho, e também de Rondônia. A busca por oportunidades de trabalho e a fuga das constantes secas foram fatores determinantes para desembarcar em terras amazônicas.

Dados do censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado possui mais de 122 mil de nordestinos aqui residentes. Se olhar para a formação histórica, principalmente, da capital, esse número já foi, relativamente, bem maior.

Sotaque, artesanato, música, religiosidade, culinária, mitos, lendas, crendices, costumes, danças, superstições e outras tantas formas de manifestações artísticas deste povo se misturaram a outros migrantes em terras amazônicas.

Pessoas de todas as regiões do Nordeste aqui desembarcaram, mas procuraram manter a cultura nordestina vida, não esqueceram suas tradições e sempre que podem retornam as suas origens, visitam parentes e amigos que lá deixaram. 

Comidas típicas e forró, conheça histórias de nordestinos que mantêm tradições em Rondônia

Um nordestino que não esquece suas tradições é o zabumbeiro José Raimundo Nonato, de 72 anos. Natural da cidade de Coremas, interior da Paraíba, mora em Porto Velho desde 1989. Apaixonado por forró pé de serra desde adolescente, é na zabumba, triângulo e até no vocal que mata a saudade da terra natal.

“Adorei esta terra, encontrei tanta gente boa no meu caminho, fui tão bem acolhido que não quero mais voltar”, afirma o zabumbeiro.

Mas tudo começou quando ele, destinado a sair da sua pacata cidade de Coremas, foi morar em Brasília (DF), passou um tempo em Cuiabá (MT), onde conheceu sua terceira esposa e de lá seguiram para Porto Velho.

Em Porto Velho, morou na Avenida Farquar, bem perto do local onde trabalhava. Pedreiro, como diz ele, de mão cheia, trabalhou na iniciativa privada até se aposentar. Conhecido como Parahyba, nunca esqueceu suas origens, leva a música nordestina por onde passa e seus cantores preferidos são Luiz Gonzaga, Flávio José, Trio Nordestino. Mas foi num domingo, fazendo feira no Cai N´água que seu Raimundo Nonato encontrou nordestinos mais antigos que também gostavam de tocar forró. Ele fez amizades e nos finais de semana já tinha o ponto certo para tocar seu zabumba.

“Nunca larguei a zabumba, as festas nos finais de semana, as quadrilhas de rua. Onde tem uma festa eu estou lá pra alegrar a vida das pessoas. Adoro a música, gosto de ver as pessoas dançarem, com esta idade ainda tenho energia para virar uma noite tocando”, destaca acrescentando que faz parte de um grupo de forró pé de serra denominado “Amantes do Forró”.

Hoje, Parahyba tem a casa própria na Avenida Mamoré, Bairro Esperança da Comunidade. Sobre planos de voltar a viver no Nordeste, ele lembra que a última vez que esteve em Coremas foi em 2015, passou por João Pessoa, tomou banho de mar e, no momento, só faz planos de repetir o passeio, pois precisa fazer uma cirurgia nos olhos e não pode viajar.

Comidas típicas e forró, conheça histórias de nordestinos que mantêm tradições em Rondônia

Destino era Goiânia

A história do engenheiro agrônomo Francisco de Sales Oliveira dos Santos, de 63 anos, envolve as cartas de amor guardadas até hoje e começa quando deixou a cidade de Salgueiro, no interior de Pernambuco, para procurar novas oportunidades em Goiânia. Formado em agronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, Francisco Sales trabalhava gerenciando os emergenciais da seca na construção de barragens e barreiros para captação de água em Pernambuco, até que decidiu se aventurar.

O destino programado era mesmo Goiás. Para isso, vendeu um fusca e uma moto e colocou o dinheiro no Banco do Brasil de Goiânia. Seguindo viagem, Sales conta que encontrou, em Feira de Santana (BA), na parada obrigatória do ônibus, um conterrâneo que falou entusiasmado sobre Rondônia e o convenceu a conhecer o estado promissor. Pensando no novo roteiro da sua viagem, Sales seguiu para Brasília e de lá pegou outro ônibus para Goiânia. Chegando foi direto ao Banco do Brasil e logo presenciou um assalto. Desse ocorrido, ele não gostou e lá mesmo transferiu seu dinheiro para o Banco do Brasil de Porto Velho. No mesmo dia voltou para rodoviária, retornou para Brasília e depois de dois dias de viagem chegou ao que seria seu destino final, a cidade de Porto Velho, em 1984.

Emocionado Sales lembrou que chegou em Porto Velho cheio de sonhos e esperanças de construir uma família. Tinha deixado a noiva em Salgueiro e por isso tinha pressa de conseguir um bom emprego e voltar para casar.

“Quando cheguei aqui tive a certeza que estava no lugar certo”.


Muito empolgado com a viagem Sales só lembrou de ligar pra seus pais cinco dias depois que havia chegado aqui. A sua nova morada foi uma surpresa para a família que pensava que ele estava em Goiânia. E apesar da pressa, foram 55 dias até conseguir um emprego. Nesse tempo, visitou vários órgãos, como a Ceplac, Emater, entre outros e só depois conseguiu ser contratado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) e foi coordenar as ações sociais do Projeto de Assentamento Machadinho, na época era o Núcleo Urbano de Apoio Rural.

A partir de abril de 1985, mudou-se definitivamente para a região de Machadinho e em setembro do mesmo ano fez a proposta de casamento para sua noiva Josemar da Silva Arcanjo dos Santos (Mazinha). “Era casar ou largar”, conta Sales, acrescentando que recebia dela cinco cartas por semana, que ele guarda com carinho até hoje. O casamento aconteceu em dezembro de 1985 e resultado dessa união foi três filhos, todos se formaram em medicina.

O agrônomo Francisco de Sales Oliveira dos Santos também teve sua trajetória na política, concorreu a prefeito de Machadinho do Oeste em 1988, sendo que perdeu por 77 votos e em 1992 disputou novamente a prefeitura do município, concorrendo com quatro candidatos e foi eleito com uma soma de 452 votos a mais do que os outros candidatos. Enquanto prefeito seus principais investimentos foram na educação e saúde. De 2005 a 2009 se tornou vereador e ainda insistiu em duas candidaturas de deputado estadual, mas não foi eleito. “Procurei ser zeloso com a causa pública e até hoje sou comprometido com as causas sociais e ambientais”.

Em junho de 2011, Francisco de Sales foi convidado pelo governador Confúcio Moura para assumir como adjunto da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam). Cargo que ocupa até os dias atuais.
Sales conta sempre que pode retorna a sua cidade natal e que adora uma buchada de bode com a pinga Pitu e seu forró preferido é de Luiz Gonzaga “Minha vida é andar por este país, pra ver se um dia descanso feliz”, cita a música Vida de Viajante.

Comidas típicas e forró, conheça histórias de nordestinos que mantêm tradições em Rondônia

Piauiense inaugura restaurante Nordestino´s

Outro nordestino que é cabra da peste é o piauiense Danirron Ribeiro, casado, tem dois filhos, ele está se aventurando na inauguração do restaurante Nordestino´s, localizado no Bairro JK, zona Leste da cidade. A inauguração é neste domingo, dia 8 de outubro, Dia do Nordestino. Mas seu sonho é construir o Centro de Tradições Nordestinas (CTN) aqui em Rondônia.

Aqui as histórias dos migrantes e encontram. A inauguração do restaurante Nordestino´s será com a participação do grupo “Amantes do Forró”, do zabumbeiro Parahyba. Os dois amigos estão se preparando para receber nordestinos do estado inteiro, pois na ocasião será servido almoço com comidas tradicionais da região, como a buchada de bode, sarapatel, baião de dois, carne de sol e o famoso bode, entre outras iguarias.

O piauiense Danirron Ribeiro, formado em arquitetura, adora as tradições nordestinas e junto com sua família está investindo no restaurante que inclusive tem um espaço reservado para acolher os amigos que constituíram bandas de forró aqui em Porto Velho.

Em 2009 foi criado o Dia do Nordestino como homenagem ao centenário do nascimento de Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, poeta popular, compositor e cantor cearense. Além disso, trata-se também de uma homenagem ao célebre Catulo da Paixão Cearense, maranhense de São Luís e autor da famosa música “Luar do Sertão”.


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/especiais/comidas-tipicas-e-forro-conheca-historias-de-nordestinos-que-mantem-tradicoes-em-rondonia)
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