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Publicado em Quarta, 08 de Março de 2017 - 17h35

Cheia do Madeira ameaça famílias sem condições de sair da área de risco

da Redação


Cheia do Madeira ameaça famílias sem condições de sair da área de risco

Com o aumento do nível do Rio Madeira, alcançando na manhã desta quarta-feira (8) a marca de 15 metros, famílias do Beco Gravatal, Bairros São Sebastião II, Nacional e Balsa foram alertadas pela Defesa Civil Municipal (CDM) de Porto Velho a saírem de suas casas, onde o risco de inundação é iminente. Mas para a maioria delas, o problema é a falta de lugar onde se abrigar. Com baixa renda familiar, o dinheiro não sobra para pagar aluguel.

“Eu não tenho para onde ir. Eu fico em casa cuidando dos meus dois filhos enquanto meu marido trabalha como montador de andaime, para ganhar apenas um salário mínimo. Como conseguiríamos pagar aluguel, luz, água, e ainda a comida com esse salário?”, questiona a dona de casa Kely Ferreira, 23 anos.

Segundo a mulher, que morava com uma tia em outra casa na mesma área, há sete anos ela casou e vive em um barraco ao lado da casa da sogra, mas com a rápida cheia do rio, que já chega próximo à porta da casa, um vizinho que tem um barraco mais alto cedeu o lugar para que ela e a família ficassem ‘em segurança’. O barraco que Kely morava, já foi condenado pelos técnicos da DCM.

“E o que eu posso fazer? Continuo morando no barraco. Só saí recentemente por causa dessa ameaça de nova enchente e porque o vizinho me cedeu a casa dele. Minha inscrição nos programas públicos de casas populares até hoje não teve nenhum resultado. Mas o que eu queria mesmo era poder sair daqui e dar às crianças um lugar melhor para viver”, declarou.

As crianças, um menino de 2 anos e uma menina de 5, brincam à beira da água fétida e contaminada o tempo todo. “Eu fico o tempo todo de olho. Ratos e cobras sempre aparecem por aqui. Ontem mesmo meu marido matou uma cobra quase na porta de casa”, acrescenta.

Dona Maria Mazarelo, sogra de Kely, vive em uma casa ao lado já há 15 anos. “Antigamente a gente não via isso. Foram mecher com a natureza e agora todo ano é esse sufoco - diz em relação à instalação das usinas do Rio Madeira- e à noite a gente percebe a força da água, que chega a fazer bater nas palafitas como se formasse pequenas ondas”. Mazarelo foi contemplada no programa social de habitação, devido à enchente de 2014.

“Naquela época eles nos inscreveram e eu fui contemplada. Estou esperando que até setembro as casas sejam entregues, de acordo com a previsão que nos deram. Ano que vem não quero mais estar aqui e passar novamente por essa aflição”, desabafa esperançosa a mulher.

Outra moradora, Maria Aparecida Felipe Aguiar, que vive no local há 10 anos, já teve sua primeira casa próximo ao barraco onde vive atualmente, completamente destruída pela enchente de 2014, e também mora em um casa cedida por um ex-morador que conseguiu se mudar do lugar.

“Eu estou desempregada e meu marido também. A gente vive dos ‘bicos’ que ele faz como eletricista. Não tem a menor condição de pagarmos aluguel. Eles disseram (DCM) que ajudariam a gente com a mudança, mas se não temos para onde ir fica difícil”, lamenta a mulher. Para entrar em sua casa atual, com água subindo gradativamente a cada dia, a Aparecida faz de ponde uma tábua que não está mais adiantando, pois a alagação já cobre a madeira.

A Defesa Civil prevê que o nível do rio pode atingir a marca dos 16 metros ainda esta semana, e a prefeitura de Porto Velho já decretou estado de alerta na manhã desta quarta-feira.

Cheia do Madeira ameaça famílias sem condições de sair da área de risco Kely Ferreira, 23 anos, é uma das moradores que não tem pra onde ir

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