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Publicado em Segunda, 06 de Fevereiro de 2017 - 11h02

Comitiva faz trilha em traçado para reativar passeio turístico na Madeira Mamoré

da Assessoria


Comitiva faz trilha em traçado para reativar passeio turístico na Madeira Mamoré

Com 21 anos de Rondônia, o prefeito de Porto Velho Hildon Chaves ainda não tinha feito uma aventura tão marcante na capital como a caminhada que fez na manhã de sábado, sobre os trilhos da lendária Estrada de Ferro Madeira Mamoré, acompanhado de um grupo de pessoas até a localidade da igrejinha de Santo Antonio, num percurso que durou cerca de três horas.

A programação, idealizada pelo professor de história e vereador, Aleks Palitot, tinha por objetivo mostrar a viabilidade turística da reativação do passeio de trem da antiga estrada, além de oferecer opções para caminhadas, trilhas e mountain bike. Além do prefeito e do vereador Palitot, participaram da aventura os comandantes da 17ª Brigada, general de Brigada, Ricardo Costa Neves e do 5° BEC, tenente coronel João Batista de Sá Neto e assessores militares; o presidente da Superintendência do Desenvolvimento e Turismo, Julio César Siqueira; presidente da Funcultural, Antonio Ocampo; representante do Iphan; presidente do Crea, Nélio Alencar, engenheiros e arquitetos da prefeitura.

A região mais crítica de todo o trecho da estrada de ferro, começa logo no bairro Triângulo, numa extensão de aproximadamente 500 a 600 metros, a mais afetada pela grande enchente da 2014. Houve grande desbarrancamento e parte dos trilhos desabaram. O desbarrancamento daquela área tem sido usado como principal argumento pela usina hidrelétrica de Santo Antonio, para sustentar a tese da inviabilidade de reconstrução da estrada de ferro. Segundo a usina, a enchente provocou abalos geológicos irreversíveis no solo. O vereador Alex Palitot contesta e exige a apresentação de um laudo técnico que fundamente essa argumentação.

O presidente do Crea, Nélio Alencar disse ao prefeito que vai doar um laudo técnico sobre os danos causados, sobretudo à estrutura geológica do solo. Para ele, é possível fazer um rip-rap – talude de contenção – com pedra brita que pode ser fornecida pela própria usina.

Durante o percurso, a comitiva parou por algum tempo na residência do morador Luciano Moreira de Luna, neto do pioneiro Antônio Moreira de Luna que chegou ao local em 1912, onde ficava o primeiro porto da capital, à época, chamado de Porto do Velho. Hoje, da varanda de sua casa assiste, impotente, a ferrugem consumir aos poucos a carcaça do que foi um dia uma maria fumaça. “Eu limpava ela, tirava a sujeira, o mato, daí veio o pessoal do Iphan e disse que eu não podia mexer na máquina. Esse Iphan só atrapalha”, reclamou seu Luciano.

Logo adiante, no quilômetro dois, até a Vila Candelária, num trecho chamado de cemitério de máquinas, estão abandonadas as carcaças de dez máquinas entre marias fumaças (locomotivas) e guindastes à vapor.

Mais um trecho de caminhada à frente, outra parada para conhecer o Cemitério da Candelária, que funcionou até a década de 30. Segundo o professor Palitot, ali foram enterradas cerca de três mil pessoas, das quais a metade, mortos durante a construção da lendária estrada. A informação, a propósito, desfaz um mito de que foram dezenas de milhares os mortos durante a construção da ferrovia. O Cemitério também está abandonado, o mato toma conta do lugar e esconde os túmulos. Um assessor militar do 5° BEC ofereceu ao prefeito um projeto completo de revitalização para tornar o local mais acessível às visitações turísticas.

Em vários dos túmulos, as inscrições do epitáfio na lápide foram feitas em aramaico (língua afro-asiática de uma antiga região do centro da Síria) e em português. Numa delas, ainda bem visível pode ser identificado o túmulo de Isaac Leon Benchimol, pioneiro da tradicional família dona de uma rede de lojas de eletrodomésticos na Amazônia.

Ao longo da caminhada, o cansaço era superado pela empolgante aula de história do professor Palitot, sobre a construção da estrada, com comentários bem abalizados feitos pelo prefeito dr Hildon sobre o perfil empreendedor do magnata bilionário Percival Farquar, que aceitou o desafio da construção quando grandes empresas tinham desistido sob o argumento de que nem todo o dinheiro do mundo e toda a população dos Estados Unidos juntos conseguiriam concluir tal projeto.

Na Igreja de Santo Antonio, o general Costa Neves manifestou sua preocupação com a manutenção do Museu da Memória do Marechal Rondon. Hoje o museu está sob cuidados da 17ª Brigada, com custos bancados pela usina de Santo Antônio, pelo período de dois anos. A preocupação do general tem por fundamento as características de rotatividade próprias da vida na caserna militar. “Enquanto eu estiver no comando aqui vamos cuidar, zelar e conservar. Mas, e quando eu for transferido, será que o próximo comandante vai se interessar?”, questionou numa reflexão sobre a situação.

Hildon tranquilizou-o e disse que quando a Brigada não quiser ou não mais puder manter os cuidados sobre o museu, o município está pronto para absorvê-lo. O museu da Memória do Marechal Rondon em Porto Velho possui o maior acervo sobre a vida do herói militar brasileiro que tem em Rondônia, o único estado brasileiro a homenagear alguém com o próprio nome.


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