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Publicado em Sexta, 13 de Julho de 2018 - 13h57

Conflitos por terra envolvem mais de 4 mil famílias em Rondônia, diz Pastoral da Terra

da Redação


Conflitos por terra envolvem mais de 4 mil famílias em Rondônia, diz Pastoral da Terra

Dezessete pessoas morreram em 2017 vítimas da violência no campo em Rondônia. No total, foram registradas 91 ocorrências de conflitos envolvendo cerca de 4.317 famílias no estado, segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na manhã desta sexta-feira (13), em Porto Velho. Em relação a 2016, houve redução uma vez que os números revelam a morte de 21 pessoas. Por outro lado, percebe-se aumento ao comparar o ano passado com 2015, quando houve 20 assassinatos.

A coordenadora da CPT, Maria Petronila Neto, esclarece que a redução no número de casos traz a sensação de que os responsáveis estão sendo punidos. Ela ainda destacou dois casos de mortes julgados pela Justiça. “Nós sabemos que esses números precisam diminuir ainda mais, mas por outro lado, houve alguns julgamentos significativos de dois casos que foi o da Nicinha e de dois jovens mortos na fazenda Tucumã, Alisson e Ruan. Geralmente esse tipo de crime é cometido por pistoleiros, inclusive muito bem organizado porque, além de matar, eles torturam e escondem os corpos dificultando o trabalho da polícia”, diz.

Ainda segundo a coordenadora, os crimes são de difícil solução e tudo isso faz com que a morte se naturalize cada vez mais. “Isso não acontece só no nosso Estado, mas sim em toda a Amazônia aonde ainda tem muita terra e a disputa por esses territórios é cada vez mais acirrada. No caso dos três trabalhadores do Sul do Amazonas, Marinalva Silva de Souza, Flávio Lima de Souza e Jairo Feitoza, desaparecidos em 2017 é muito difícil de fazer uma investigação porque não dá para saber como foram os métodos que usaram para assassinar as vítimas e muitas vezes a Justiça não sabe nem por onde começar um processo de investigações nesses tipos de caso”, relembra a coordenadora.

Sobre a segurança no campo, Maria Petronila afirma não existir e enfatiza o trabalho do Estado na retirada dos trabalhadores das terras. “Eu diria que nem sequer existe segurança e a participação do Estado nessa questão dos conflitos e violência é executar as ordens de despejo do judiciário. O Judiciário condena, manda executar os despejos dos trabalhadores e a polícia executa da forma mais humilhante possível, prendendo os trabalhadores e batendo muitas vezes. Isso infelizmente essa é a ajuda do governo”, enfatiza.

O estudo apontou que as regiões mais violentas do Estado estão situadas no Cone Sul onde há um grande número de áreas públicas chamadas de Contratos de Alienação em Terras Públicas (CATP) que está nas mãos dos grileiros e os trabalhadores estão entrando para tentar recuperar essas áreas. “Tem também muitas regiões de posseiros que são pessoas que tem a posse da terra, mas não tem a documentação de proprietário”, diz a coordenadora.

Ainda segundo a coordenadora, na região do Vale do Jamari, nos municípios de Cujubim, Monte Negro, Buritis e Machadinho, é onde está o cinturão maior de mortes contra os trabalhadores.

A CPT informou ainda que, em 2017, 197 conflitos pela água foram registrados, o número mais elevado desde quando a CPT começou a registrar em separado estes conflitos. 172 foi o número registrado em 2016, um percentual de crescimento de 14,5%. 124 desses conflitos foram provocados por mineradoras.


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