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Publicado em Sexta, 24 de Março de 2017 - 18h01

Crise na pecuária de Rondônia já é grande, diz presidente da Associação dos Pecuaristas ao prever impacto gigantesco

da Redação


Crise na pecuária de Rondônia já é grande, diz presidente da Associação dos Pecuaristas ao prever impacto gigantesco

A crise instalada em todo o país após a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última semana, já atinge a economia da pecuária de Rondônia, diretamente aos pequenos produtores. Segundo cálculo da Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apro) 85% do boi do estado está parado, mesmo estando pronto para o abate.

Adélio Barofaldi, presidente da associação, diz que 70% da carne produzida no estado é destinada à exportação, sendo Rondônia o 4º maior estado no mercado de exportação, significando 10% do total de exportação de carne do país. “Com essa crise, estamos perdendo diariamente de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões que deveriam ser investidos na nossa economia. A nossa média de abate por dia era de 10 mil bois”, revela.

Barofaldi considera ainda que a operação não prejudicou apenas os frigoríficos investigados, mas até mesmo como a Friboi, um dos mais fortes em Rondônia, mas também a outras empresas, além dos pequenos produtores, que são maioria entre os 32 mil pecuaristas do estado. “A Frigon, por exemplo, que pertence ao grupo Gonçalves, teve suas exportações suspensas, sendo ela forte exportadora para o Chile, Egito e Hong Kong. Observamos que o Brasil é o primeiro exportador de carne do mundo, e lógico isso gera especulações dos outros países”, declara o presidente da Apro.

Quanto à qualidade da carne bovina produzida em Rondônia, Barofaldi garante que é a melhor carne do Brasil, de boi verde, criado a campo, e ainda com a vantagem de 10 anos sem registro de aftosa no rebanho.

“Estão cogitando que, com essa crise, ainda demore de 30 a 60 dias para estabilizar a produção, o prejuízo é inestimável. Para os pecuaristas que estavam com suas vendas programadas, com o abate suspenso agora não terão como cumprir com os compromissos de financiamento de veículos, e manutenção da mão de obra, já até ouvi gente dizer que já foi procurar o banco para pedir prorrogação de prazos de financiamentos. Não teremos dinheiro circulando, e isso com certeza vai afetar e muito a economia de todo o estado”, prevê Adélio Barofaldi.

Juntamente com a Federação da Indústria de Rondônia (Fiero), e a Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia (Faperon), a Apro e outras entidades representativas do setor produtivo definiram no início desta semana uma série de ações conjuntas e individuais. Uma nota foi emitida em defesa do agronegócio rondoniense, e cada ente adotará ações no âmbito de suas competências, acompanhando a situação.


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