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Policial rodoviário denuncia agressão de PMs em Ji-Paraná

Quinta-feira, 11 Agosto de 2011 - 11:25 | Josias Brito - Correio Popular


Policial rodoviário denuncia agressão de PMs em Ji-Paraná

O PRF (Policial Rodoviário Federal), Augusto César Araújo Soares, que também é presidente do Diretório dos Acadêmicos da Unir (Universidade Federal de Rondônia), em Ji-Paraná, foi agredido, torturado e humilhado na frente de uma multidão de alunos da Universidade pelo GOE (Grupo de Operações Especiais) do 2º BPM (Batalhão da Policia Militar), sediado em Ji-Paraná. O grupo, juntamente com outras guarnições da PM, havia sido chamada por um aluno que denunciou que estava ocorrendo um trote violento nas dependências da universidade. A informação foi contestada por alunos e professores, que acabaram sendo agredidos e ameaçados por policiais durante a confusão.



Conforme consta no boletim de ocorrência e informações dos próprios acadêmicos da Unir, na noite da última terça-feira (9), estava acontecendo um trote universitário no campus da Unir de Ji-Paraná, sendo que os alunos veteranos jogavam trigo, água e pintavam alguns novatos. Segundo os acadêmicos, uma estudante, namorada do Policial Militar Henrique Morais Alvarenga, que é citado no boletim como testemunha, se sentiu coagida e ligou para seu namorado, que é acadêmico de uma faculdade particular de Ji-Paraná, informando que estava sendo impedida de sair da sala pelos veteranos.

Conforme Augusto, presidente do Diretório Acadêmico, ao ficar sabendo do trote, o mesmo manteve contato com os estudantes veteranos e disse a estudante que não seria necessário ela ligar para a polícia, pois a brincadeira já havia acabado e todos estavam liberados. “Neste momento chegou Henrique Morais e se identificou para mim como policial militar. Eu informei ao policial que já estava tudo resolvido e que não havia passado de um mal entendido. O casal saiu da universidade, momentos em que a instituição foi invadida pela PM e em seguida pela Goe”, informou Augusto.

O PRF disse ainda que como a situação já havia sido resolvido, ele, como policial e defensor da ordem, procurou os PMs para dizer que não era necessário todo aquele aparato de guerra, pois só haviam alunos, desarmados na universidade. “Mesmo com a minha identificação, os policiais invadiram a sala de aula e liberam os alunos novatos, passando a coagir os outros alunos da Unir, com armas de grossos calibres e cassetetes”, ressaltou.

Após ter tentado, sem sucesso, evitar a confusão, relatam os acadêmicos, o PRF Augusto César Araújo, ao se virar e se dirigir para o grupo de alunos que estavam cercados pela policia, foi agredido por um dos policiais, sendo despido na frente dos acadêmicos da Unir. “Nesta hora, me sentir muito humilhado, mas não podia fazer nada, pois além de ter meu direito violado, ainda estava sendo espancado pelos policiais, tudo sem direito de defesa. Além de tudo, fui torturado dentro da viatura, sendo que eles me deixaram com vários hematomas musculares, inclusive quebraram um aparelho da milha boca. Fiz exame médico e uma chapa, em que o laudo comprova toda a agressão que eu sofri”, frisou.

Policia é acusada de apontar arma e coagir acadêmicos

A Polícia Militar e o GOE (Grupo de Operações Especiais), de Ji-Paraná, estão sendo acusadas de terem apontado armas para vários estudantes da Unir e coagido os acadêmicos. Segundo testemunhas, os policiais ainda usaram spray pimenta para agredir os alunos, além de agredir um Polícia Rodoviário Federal.

De acordo com os acadêmicos que estudam no período noturno, revoltados com a ação dos policiais em ter invadido o campus da Unir sem um mandato de busca e por ver o presidente do diretório acadêmico ser agredido injustamente pelos policiais militares, eles começaram a vaiar e gritar: “Ei, polícia, vai pegar ladrão”. O protesto, todo filmado, foi reprimido pelos policiais que, usando de violência, tentaram impedir os acadêmicos de vaiarem e gritarem. Os estudantes ainda informaram que os policiais usaram spray pimenta e chegaram até apontar armas na cabeça de alguns alunos.

A acadêmica do Curso de Física, Maria disse que o trote era com os alunos de matemática que usavam trigo, tinta e água para fazer a brincadeira, sendo que alguns alunos que não queria participar do trote, ligaram chamando a polícia. Os policiais chegaram na universidade e liberaram os novatos. Maria informou ainda que o presidente do Diretório Acadêmico foi conversa com os policiais e tentar explicar o que estava acontecendo, pois os policiais estavam apontando armas para eles, alegando que estavam fazendo confusão no campus da Unir. A acadêmica informou ainda que durante a conversa, os ânimos se exaltaram e os policiais militares passaram a agredir o PRF, puxando a arma para todo mundo, provocando um tumulto onde alunos e professores saíram correndo com medo de serem agredidos pelos policiais. “Eles agiram na universidade como se tivesse um monte de bandido e não estudantes”, concluiu Maria.

O estudante Frank Souza disse que a confusão partiu depois que o policial da GOE solicitou o documento de identificação do presidente do diretório como sendo Polícia Rodoviário Federal e Augusto César solicitou que o policial da GOE também apresentasse a sua carteira de identificação. “O PM não acreditou que Augusto era PRF, mesmo vendo a identificação dele em suas mãos”, ressaltou.

Além do Policial Rodoviário, outros dois alunos também foram presos, já na Delegacia de Polícia Civil, por tentarem registrar uma ocorrência policial sobre as agressões no campus.

Polícia Militar acusa acadêmicos de incitar a confusão

Os policiais do GOE acusam os acadêmicos da Unir de terem incitado a confusão. Eles alegam que o presidente do Diretório Acadêmico partiu para cima do grupo de operações especiais, sendo necessário o uso da força. A informação, que também foi filmada, foi contestada pelos acadêmicos, que dispõe de vários vídeos que prova o contrário.

Segundo consta no boletim de ocorrência, os alunos ainda ofereceram resistência na hora em que os policiais queriam verificar a sala de aula. Ainda consta no boletim que o PRF Augusto Soares, instigou aos alunos resistirem a presença da polícia, alegando que não havia autoridade da PM para estar no local por se tratar de órgão federal. No bop consta ainda que o presidente do diretório usou palavras de baixo calão para ofender os PM´s. Sobre a agressão, presenciada por mais de 100 alunos e professores, consta no boletim de ocorrência que o PRF passou a agredir os policiais, inclusive com pontapé, sendo necessário o uso da força para contê-lo.

Conforme Augusto Soares, ele atua na área de segurança há mais de 17 anos, onde serviu no exercito, foi policial militar e há muitos anos é PRF, e neste tempo nunca teve nenhuma ação disciplinar contra ele, nem por abuso de poder, nem por outros crimes. “Trabalho há muitos anos na BR-364, no combate ao crime organizado, tráfico de drogas e fiscalizações de veículos e nunca havia passado por tamanho constrangimento, inclusive o de registrar um boletim de ocorrência para defender os meus direitos”, enfatizou, dizendo que os acadêmicos deverão registrar uma ocorrência de agressão ainda nesta semana.

A ação foi repudiada pela diretora da Unir, campus de Ji-Paraná, Aparecida Augusta da Silva, que condenou a ação. “Conheço os alunos da universidade, são jovens, mas não seriam capazes de incitarem tal ação. Há 14 anos que estou a frente da universidade, sempre houve trote no campus e esta é a primeira vez que ocorrem este tipo de problema”, enfatizou a diretora, concluindo que tem uma boa relação com os órgãos de justiça e que irá se reunir ainda nesta semana com a diretoria para tomar parte do que realmente aconteceu e depois irá manter contato com o comando da PM, usando de diplomacia para resolver o problema.

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