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Sesau cria plano para enfrentar impactos das mudanças climáticas na saúde em Rondônia
Quinta-feira, 03 Setembro de 2026 - 09:58 | Redação

Com o objetivo de garantir a assistência necessária à população e reduzir os impactos dos eventos climáticos na saúde, o Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), elaborou o Plano Operacional Integrado de Contingência Climática em Saúde.
O documento organiza, de forma antecipada, as ações que deverão ser adotadas pela rede estadual de saúde diante dos possíveis impactos do novo ciclo do fenômeno El Niño, previsto para 2026-2027.
A iniciativa considera a experiência de 2024, quando Rondônia enfrentou a menor cota já registrada do Rio Madeira, um dos maiores volumes de queimadas dos últimos 14 anos e um aumento de mais de 100% nos atendimentos de crianças com problemas respiratórios.
O plano também leva em consideração os atuais indicadores climáticos. Segundo os dados de monitoramento citados no documento, existe entre 97% e 100% de probabilidade de o El Niño persistir até o início de 2027. Em junho deste ano, a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, elevou o nível de alerta do fenômeno de "observação" para "aviso".
A previsão é de chuvas abaixo da média nas regiões noroeste e central de Rondônia, condição que, em anos anteriores, contribuiu para períodos de seca, aumento das queimadas e piora da qualidade do ar.
PONTOS ESTRATÉGICOS DO PLANO
Entre os pontos considerados essenciais para a efetividade do plano estão a garantia e o desenho de uma cadeia logística resiliente, capaz de assegurar o abastecimento de medicamentos, a manutenção da rede de frio de imunobiológicos, a distribuição de hemocomponentes e o funcionamento de equipamentos diagnósticos mesmo em cenários de crise climática.
O documento também dá atenção especial ao acesso fluvial e às comunidades isoladas, reconhecendo os desafios logísticos impostos pela seca dos rios e pela dificuldade de deslocamento em determinadas épocas do ano.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é tratada como âncora estrutural da resposta, funcionando como a principal porta de entrada e coordenação do cuidado nos territórios afetados.
Por fim, o plano estabelece atenção prioritária às populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, como indígenas, ribeirinhos e quilombolas, grupos que, historicamente, enfrentam maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Para o secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, o planejamento reforça a estratégia de prevenção adotada pela gestão. "Estamos empenhados em trabalhar cada vez mais com a prevenção e o cuidado com a população."
PLANEJAMENTO
O plano foi elaborado como uma resposta estruturada aos impactos climáticos que Rondônia já enfrentou. Em 2024, 18 municípios do estado tiveram situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal. Já em 2025, com uma atuação mais coordenada, Rondônia registrou uma redução de 91,4% nos focos de calor, a maior queda entre os estados brasileiros.
Rondônia também está entre os oito estados brasileiros que já possuem um planejamento específico para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde.
Atualmente, o plano encontra-se concluído e passa por um processo de validação e discussão com os municípios de Rondônia. A previsão é que o documento seja apresentado para aprovação na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) ainda este ano.