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Nacional

Publicado em Segunda, 13 de Outubro de 2008 - 18h51

Aneel: Mudança em local de Jirau atende exigências técnicas

Folha on line


A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) concluiu que a mudança no local da construção da usina de Jirau atende as exigências técnicas da concessão. Apesar de não ter terminado a análise do projeto básico da usina, a agência enviou ao Ibama documento em que afirma que não vê problemas no início da construção do canteiro de obras, que inclui ações preparativas para a construção da obra em si. "Da perspectiva da Aneel, não existem óbices para que se dê início às providências preliminares de implantação da obra, em relação às estruturas não permanentes", afirma o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, no documento enviado ao Ibama.

Para o presidente da Suez no Brasil, Maurício Bähr, o posicionamento da Aneel demonstra a linha que a agência deverá seguir para o projeto. A decisão final da Aneel só deverá sair após a concessão da licença de instalação pelo Ibama.

"A Aneel deve em breve tomar uma posição conclusiva. É uma questão apenas de confirmação, o ofício já demonstra a linha de ação da agência", afirmou Bähr.

No documento, Kelman ressalta que há necessidade que as obras preparatórias tenham início logo para aproveitar a chamada janela hidrológica do período seco que, segundo ele, se encerra no final do mês. Somente com o início das obras ainda neste ano seria possível antecipar o cronograma de geração da usina de 2013 para o início de 2012.

"Essa hipótese atende o interesse público, tanto do ponto de vista da modicidade tarifária e segurança energética, quanto da perspectiva de redução de significativas emissões de gases associados ao efeito estufa", diz Kelman, no documento.

Para o presidente do consórcio, Victor Paranhos, o período das chuvas já começou e as obras têm que ser iniciadas o mais rápido possível.

"A janela hidrológica já fechou, agora é risco. A partir de outubro começa a subir muito o nível do rio. Novembro fica praticamente impossível, aí só em março do ano que vem [para as obras começarem]", afirmou.

O grupo Energia Sustentável do Brasil, vencedor da usina de Jirau --encabeçado pela empresa Suez-- propôs mudar o local da construção da usina em nove quilômetros, alegando que isso traria redução de custos e menor impacto ambiental.

O consórcio também pediu ao Ibama a concessão de uma licença apenas para o canteiro de obras, para que as obras preparatórias possam ser feitas antes do início das chuvas. O órgão ambiental, então, daria duas licenças, uma para as obras não permanentes e outra para as definitivas.

A expectativa do grupo é que a primeira licença seja concedida pelo Ibama logo depois da audiência pública que será realizada em Porto Velho (RO), na próxima quarta-feira. Se a entrada em operação da usina não for antecipada, terão que ser gerados 628 MW médios de energia em substituição, o que, segundo Kelman, seria essencialmente de termelétricas a óleo diesel --mais caras e mais poluentes.

"Isso significa, em termos de valor esperado, a queima de 200 mil toneladas de óleo em 2012", afirmou.

Crise

Para Victor Paranhos, a crise financeira não afetará o projeto de Jirau. Segundo ele, 70% da obra (o máximo permitido) será financiado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) e o projeto já foi enquadrado pelo banco. O restante da obra será financiado com recursos próprios das empresas participantes do consórcio.

Obra

Na etapa de construção do canteiro de obras, são construídas as ensecadeiras, barreiras de terra e cascalho que desviam o leito do rio do local onde a usina será construída. Essas ensecadeiras só podem ser construídas no período de seca, quando o nível do rio está baixo. Essas estruturais são temporárias e são retiradas após a construção da barragem, quando o rio então volta ao seu curso normal.

Segundo Paranhos, o grupo já investiu R$ 14 milhões na compra de equipamentos e tem mais de 150 pessoas contratadas para dar início às obras.

A expectativa do grupo é começar as obras preliminares "o mais rápido possível" e da usina em definitivo já em janeiro do ano que vem.


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