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Opinião

Publicado em Terça, 26 de Maio de 2020 - 10h57

Juventude de hoje: quanto orgulho e decepção

por Célio Leandro


Juventude de hoje: quanto orgulho e decepção

Ahhh, que chato ir à escola... Ahhh, que chato estudar em casa... Ahhh, temos que adiar o Enem... Ahhh, 60 dias?? Muito longe... Ahhh, agora estão cobrando foto para inscrição... Ahhh, Aulão pelo celular... Ahhh, simulado fim de semana... Ahhh, não tenho internet.... Ahhh, Ahhh, Ahhh... Nossa juventude.

Vivenciamos dias tensos, quarentena, Corona, Crises. Em meio a tudo isso, uma geração que a cada dia me enche de orgulho e decepção. Caracterizados em boa parte por profissionais eternamente descontentes, os jovens nascidos entre as décadas de 2000 e 2010 têm deixado de ser os Millennials para se tornar a Geração Mimimi. O nome não é à toa: para muitos deles, o pensamento construtivo e a solução de problemas não raramente dão lugar a infindáveis reclamações. É como se eles não tivessem tempo para executar. Precisam liderar; querem estar sempre à frente das decisões.

Talvez porque depois de seus pais terem batalhado duro para vencer, essa geração conquistou as coisas com muito mais facilidade. Não foi preciso, para a maior parte deles, arregaçar as mangas e ir à luta, vivenciar tudo aquilo o que as gerações anteriores passaram para “chegar lá”. Estão vivendo apenas agora a sua primeira crise, depois de uma vida toda de possibilidades. O resultado: menos flexibilidade, menos resistência às frustrações e pressa, muita pressa.

A juventude não se trata de um conceito que está dado, mas sim de vários conceitos, que são fruto de uma histórica representação específica dessa população. Diferentemente da adolescência, que tem sido delimitada pela fronteira da faixa etária estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA como o período que compreende de 12 a 18 anos incompletos, a juventude refere-se a um período não necessariamente delimitado pela idade, mas que compreende outros fatores, relacionados a intensas transformações biológicas, psicológicas, sociais e culturais, que variam de acordo com as diferentes classes sociais, culturas, épocas, etnias, gênero, dentre outros determinantes

Como já deu para perceber, a geração - na média viu? - tem dificuldades para compreender a escala das coisas. Hipérboles são esperadas com frequência de quem tem o universo girando “literalmente” em torno do próprio umbigo.

Os extremos se proliferam. Conservadores tem uma necessidade tão intensa de lideranças, que acabam seguindo os delírios de um garoto marchando até Brasília. Feministas intensificam tanto sua militância, que conseguem atrair uma nova camada de ódio, além da própria misoginia. Os esquerdistas mais intensos acham justificável atacar fisicamente o deputado conservador. Os direitosos mais intensos… enxergam um golpe da distopia PTtralha na construção de ciclovias

São jovens que têm muito potencial. Com boa formação, conhecimento de idiomas e boa bagagem cultural, têm tudo para dar certo, construindo uma carreira de sucesso e fazendo a diferença por onde passarem. Mas, em vez disso, ficam focados no que não têm, no que não está dando certo. A Geração Mimimi talvez esteja criticando demais sem propor novas ideias. E a crítica pela crítica, principalmente em um momento complicado como o que atravessamos, não vai resolver os nossos problemas.

É claro que toda generalização é perigosa e o objetivo deste texto não é decretar uma caça a esses jovens. Pelo contrário. Nós dependemos deles – e eles têm todas as condições para realmente fazer a diferença. O alerta aqui é para os efeitos do excesso das reclamações e do imediatismo, que só geram falta de compromisso e baixa nos resultados. Seguir pelo caminho da reclamação é perigoso. E, para a maior parte dessa geração, parece que esta é a única opção.

Essa juventude é nosso futuro, professores de nossos filhos, guardiões da justiça e da manutenção da ordem. Cremos nisso! Serão. Devemos nos preocupar?

* Célio Leandro é mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul e doutorando em História pela Universidade Federal do Paraná,, escritor e membro da Academia Rondoniense de Letras


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