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Opinião

Publicado em Terça, 19 de Abril de 2016 - 15h03

Safrinha, os milhões da oportunidade

Da redação


Uma safrinha de milhões no segundo maior produtor do Norte brasileiro. Nos últimos dez anos, as lavouras de milho em Rondônia cresceram mais de mil e 200 por cento. O produtor escolheu o cereal como o principal sucessor da soja. Hoje já são 120 mil hectares de área plantada com produção estimada em 551 mil toneladas do grão. É a safrinha de milho, mas bem que poderia se chamar de safrão.

 Com a utilização de sementes de alta tecnologia e agricultura de precisão, a safrinha supera, e muito, a safra plantada de setembro a novembro. Com apenas 92 mil  toneladas por ano, a primeira safra do grão não tem excedente para venda. A janela de plantio da safrinha  começa na primeira quinzena de janeiro, mas em 2016 a falta de chuva atrasou o trabalho das sementeiras em mais de 30 dias. E para não correr o risco de perder chuva e luz no tempo certo,  ao primeiro raio de sol o agricultor José Gripa sobe no trator e começa o trabalho na lavoura.  Uma rotina que se repete desde 1978, quando ele chegou à Rondônia. Aos 85 anos de idade, o vô Gripa é exemplo vivo de uma agricultura que se tornou pujante no Brasil. Ele veio da pequena Amambaí, no Mato Grosso do Sul, em busca de maior tranquilidade para a família.  Encontrou no município de Vilhena o que procurava e aqui completou um ciclo de três gerações de homens do campo. Com os descendentes, soma uma área plantada de mil e 400 hectares de soja e milho. O neto, Marcos Gripa, investe pesado no cultivo de grãos. Na safrinha de milho ele utiliza sementes transgênicas e espera uma produtividade na casa das 120 sacas por hectare.  Com um semblante que transmite o orgulho de toda uma história de vida do avó, Marcos que perdeu o pai em 2014, nos acompanha na lavoura. Acometido por um câncer que prejudicou a fala, o agricultor José Gripa, se expressa com dificuldade, mas o neto sabe dizer bem a diferença de produzir antes e produzir agora.

 Assim como a família Gripa outros grandes produtores de Vilhena estão apostando no milho safrinha para completar a renda e utilizar melhor os maquinários da propriedade.  Juntos, plantam quase 45 mil hectares de milho colocando o município na primeira posição do ranking de maior produtor do estado. Mas, no Cone Sul, a microrregião de Cerejeiras, que inclui os municípios de Colorado do Oeste, Pimenteiras, Corumbiara e Cabixi se destaca com 70 mil hectares de área plantada e secadores e silos de armazenagem que surgem do dia para a noite. Em termos de tecnologia no campo, Jair Golo é exemplo na região. Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, entidade com mais de 600 associados ativos, ele está com área plantada de milho de 920 hectares. Espera recuperar o prejuízo que teve com a soja de baixa produtividade por causa da falta de chuva no começo do plantio. Jair Golo se orgulha ao dizer que faz bem o dever de casa. Nesta safra ele espera colher 120 sacas de milho por hectare, fruto de adubação e cobertura corretas e muita pesquisa, dele mesmo, sobre o desenvolvimento de grãos.

 Com o aumento da produção na região, o produtor Jair Gallo resolveu investir no próprio silo e secador. A estrutura tem capacidade de secagem de 100 toneladas de grão por hora e armazenagem de 230 mil sacas. Com o custo de produção do milho na casa dos mil e 200 reais por hectare e o dobro desse valor para plantar a soja, o produtor não corre risco nas contas. Para dormir com a certeza do investimento pago, ele faz e orienta os demais agricultores a fazerem uma operação batizada como travar custo.

 Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, estima uma produção de pouco mais de meio bilhão de toneladas, os produtores esperam um aumento significativo de produtividade por hectare. Graças ao volume de chuvas na região sul de Rondônia, o resultado da colheita pode elevar o número dos milhões da safra 2015/2016.

E você pode se perguntar aonde vai parar tanto milho. Vai parar no prato de brasileiros, europeus e chineses. É que ao final da cadeia produtiva todo esse grão será proteína pura. Isso porque 70% da alimentação de bovinos, suínos, aves e peixes precisam do milho na composição. Boa parte da produção de Rondônia fica no mercado interno para abastecer indústrias de ração animal e fazendas com engordam o gado no sistema de confinamento.  Só  no município de Cerejeiras uma única fazenda fica 250 mil sacas para alimentar 30 mil cabeças de boi.

Graças a crescente produção local do milho, a alta do dólar e o crescimento das exportações, ainda não preocupam abastecimento de matéria-prima em indústrias como a Multifós, uma das maiores unidades fabris de ração animal no estado. Consolidada no mercado, a empresa produz 2 mil toneladas de ração por mês que abastecem criadores de Rondônia, Amazonas, Acre e Mato Grosso. A indústria consome 15 mil sacas de milho de 60 quilos na formulação dos alimentos. Até o final de 2016, a Multifós espera expandir os negócios , aumentando o portfólio de produtos para o setor pet.

 O milharal em Rondônia segue em plena expansão, gerando maior número de empregos nas indústrias e mantendo o produtor no campo. Mas o vô Gripa, lá do começo da reportagem, lembra que nem sempre foi assim. As dificuldades no cultivo do grão fizeram muita gente desistir das lavouras no passado. Hoje a realidade é outra graças ao empreendedorismo do produtor e ao desenvolvimento das pesquisas da Embrapa. O trabalho em busca de melhor produtividade não para. Na unidade experimental de Vilhena, o pesquisador de culturais anuais Vicente Godin mostra os avanços e orienta os produtores para utilização de sementes melhoradas e de ciclos de produção diferentes.

 E é assim, de grão e grão que o estado de Rondônia se destaca como uma das unidades da federação que mais crescem economicamente no país. É o pioneirismo do vô Gripa, a inteligência e liderança do produtor Jair Gollo, o empreendedorismo da Multifós, a dedicação à pesquisa do Vicente Godin que constroem uma RONDÔNIA QUE DÁ CERTO.


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