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Polícia

Publicado em Terça, 06 de Novembro de 2012 - 14h13

Operação Eldorado: Notas frias esquentavam extração ilegal de ouro; PF apreende material de R$ 2 milhões

Olhar Direto


Notas fiscais frias endossavam a atividade criminosa de empresários e agentes públicos presos nesta terça-feira pela Polícia Federal na Operação Eldorado, desencadeada para investigar extração ilegal de ouro em áreas indígenas no Norte de Mato Grosso (Matupá e Alta Foresta), Pará e Rondônia. As investigações se estendem hoje ainda pelos Estados do Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, onde atuava o braço financeiro do grupo.Técnicos da PF analisaram 40 mil notas fiscais frias desde fevereiro para "quantificar o ouro ilegal", informa o delegado Wilson Rodrigues de Souza Filho, responsável pela investigação. A área de onde era feita a extração não era autorizada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério das Minas e Energia. Há cinco anos o grupo criminoso atuava na exploração em Mato Grosso e os outros dois Estados. Até o horário do almoço foram presas 19 pessoas, disse o delegado ao Olhar Direto.

"Empresas autorizadas pelo Banco Central para comprar ouro como ativo financeiro atuavam esquentando o ouro por cooperativa de garimpeiros com notas frias", explica o delegado. São cumpridos 28 mandados de prisão temporária, oito de condução coercitiva e 64 de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de Mato Grosso

Com um dos acusados de participar da organização criminosa, o empresário Valdemir Melo, da empresa Parmetal, de Cuiabá, foram encontrados cerca de 20 quilos de ouro em seu apartamento no centro da Capital, avaliado em R$ 2 milhões. Outras duas empresas atuam na organização. De acordo com a PF, uma das empresas movimentou cerca de R$ 150 milhões desde 2010.

A empresa de Cuiabá, via empresas Distribuidoras de Títulos de Valores Mobiliários – DTVMs, operava em bolsa para comercializar o ouro como ativo de investimento financeiro. A empresa dissimulava a origem do ouro. Um suboficial da Marinha está envolvido no esquema por autorizar embarcações que transportavam o mineral dos Estados. Agentes e policiais federais da corporação também apreenderam dinheiro no interior de Mato Grosso ainda não contado pela polícia. Agentes e delegados da instituição apreenderam também duas armas, um revólver e uma pistola 380.

Mandados

Cerca de 300 policiais federais deflagraram a operação nos sete Estados alvos das investigações. Outros 80 policiais e fiscais do Ibama também atuaram nos locais de exploração ilegal do ouro.

Em Mato Grosso, foram cumpridos dois mandados de prisão e três mandados de busca em Cuiabá. Outros 10 mandados de busca foram feitos no município de Alta Floresta e e um em Matupá, onde foram realizadas seis prisões.

O grupo responde pelos crimes ambiental (exploração mineral em área indígena, destruição de área permanente), contra a ordem econômica, contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro.

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