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Publicado em Terça, 15 de Outubro de 2013 - 09h17

15 de outubro Dia do Professor – Profissão em extinção? - Por Ruzel Costa

Ruzel Costa


Começo o texto com uma pergunta bem simples: Quem quer ser Professor?

As pesquisas do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (2010) apontam que, de todas as carreiras acadêmicas, o Magistério é a que tem a menor remuneração. A pesquisa mostra também que entre os próprios professores, um profissional do ensino fundamental ganhava apenas 60% da média dos demais profissionais com nível superior.

Mas o salário é a principal atratividade para um educador?
Uma educação de qualidade pode ser alcançada com salários tão baixos?

Quem quer ser hoje professor no Brasil?

E mais recentemente o crescente índice de violência contra os professores tem afastado muitos profissionais. Isso pode ocorrer pela falta de segurança nos estabelecimentos de ensino, a nenhuma ou pouquíssima participação da família na vida escolar do aluno e muitos desses estudantes se acham inimputáveis, além da fragilidade de punição e consequentemente  todos sabem quem sai perdendo.
Uma carreira desprestigiada

Um estudo encomendado pela Fundação Victor Civita (FVC) à Fundação Carlos Chagas (FCC) em 2010, traz dados concretos e preocupantes: apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular as graduações diretamente relacionadas à atuação em sala de aula - Pedagogia ou alguma licenciatura. A pesquisa ouviu 1.501 alunos de 3º ano em 18 escolas públicas e privadas de oito cidades, das cinco Regiões brasileiras. Apesar de reconhecerem a importância do professor, os jovens pesquisados afirmam que a profissão é desvalorizada socialmente, mal remunerada e com rotina desgastante.
E como consequência:

Brasil é o penúltimo país em pesquisa sobre valorização de professor - UOL, em São Paulo 03/10/2013

Pesquisa divulgada em 03 de outubro mostra que, entre 21 países, o Brasil fica em penúltimo lugar em relação ao respeito e à valorização dos seus professores. Para montar o Índice Global de Status de Professores, da Varkey GEMS, de Londres, organização não-governamental criada para melhorar a educação para crianças carentes por meio de projetos de acesso à educação, programas de treinamento de professores.

Os pesquisadores entrevistaram mil pessoas em cada um dos países. De acordo com o estudo, os professores têm o melhor status na China e o pior, em Israel.

Em cada país, os pesquisadores analisaram se a profissão é muito procurada, qual é o status social dos professores e se os entrevistados acreditam que os alunos respeitam os docentes. Os dados foram reunidos em um índice e, em seguida, classificados.

Os países pesquisados foram: Brasil, China, República Tcheca, Egito, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Portugal, Turquia, Cingapura, Coreia do Sul, Espanha, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

Os entrevistados responderam  perguntas sobre como o ensino se compara a outras profissões, se consideravam a remuneração dos professores justa, se encorajariam os seus filhos a se tornarem professores e o quanto achavam que os alunos respeitam os professores.

A desvalorização da profissão fica clara quando os entrevistados são perguntados se gostariam que seus filhos fossem professores: apenas 20% responderam que sim. Por outro lado, 45% dos pesquisadores disseram que não encorajariam seus filhos a se tornarem docentes.
Depois da China, o ranking do status social dos professores mostra a Grécia em segundo lugar. O Brasil está em 20º, à frente apenas de Israel. De positivo, a pesquisa mostra que os brasileiros confiam nos professores, mas os entrevistados acreditam que o sistema educacional atrapalha o resultado do ensino e 95% acham que os salários são muito baixos.

A propósito tal desvalorização da profissão e consequentemente da educação, interessa a muitos, pois querem que o país permaneça com o marasmo título de país Subdesenvolvido industrializado e que a população continue produzindo a baixo custo e consumido cada vez mais.

Temos o que comemorar?

Comemorar: a falta de segurança nos estabelecimentos de ensino? Comemorar a falta de equipamentos? Os baixos salários, a falta de uma política de valorização profissional, que muitas vezes leva ao professor a ter três jornadas de trabalho? Comemorar a carga horária exaustiva e que obriga muitas vezes  o  profissional a ministrar disciplinas na qual não é habilitado somente para cumprir uma “carga horária”. Isto mostra a preocupação com a quantidade deixando de lado a qualidade do ensino.

Tanto para não comemorar, mas ao mesmo tempo vamos comemorar SIM. Comemorar a formação dada a tantos e tantos que estão hoje no mercado de trabalho, por aqueles que saíram de uma condição desfavorável e hoje tem uma formação e principalmente por aqueles que buscam por novas  perspectivas. Comemorar por ser muitas vezes lembrado e por ter feito parte da vida de muitos.

Vale lembrar que todos os profissionais do mais renomado ao menos lembrado passaram pela escola, compartilhando seus esforços com os profissionais da educação alcançando seus objetivos, inclusive aqueles que estão  no poder (infelizmente muitos esqueceram o que aprenderam) dando pouca importância a educação, mas quem sabe um dia...

Também vale lembrar, a pesquisa realizada em vários países do mundo em 2009 que coloca o professor como uma das profissões  mais confiáveis depois dos bombeiros. No Brasil mostra que o professor só fica atrás dos bombeiros, arteiros e médicos.

Informativo - Origem do dia do Professor

O dia 15 de outubro foi escolhido porque nessa data, em 1827, o imperador D. Pedro I assinoua primeira lei sobre ensino primário no país (Dia consagrado a educadora Santa Tereza D’Avila)
Parece que o Dia do Professor foi festejado pela primeira vez em 15 de outubro de 1933, com missa e sessão cívica no Instituto de Educação do Rio de Janeiro. A iniciativa partiu da Associação dos Professores Católicos do Distrito Federal (APC-DF) e chamou-se Dia do Primeiro Mestre. A ideia veio com objetivo de dar às pessoas ocasião para que demonstrassem sua gratidão ao seu primeiro professor ou professora.
A primeira comemoração de um dia inteiramente dedicado ao profissional da educação foi posta em prática em São Paulo, numa pequena escola da Rua Augusta, o Ginásio Caetano de Campos, por iniciativa de quatro professores, em 15 de outubro de 1947.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguin- tes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.
DECRETO nº 52.682, de 14 de outubro de 1963.

Declara feriado escolar o dia do professor.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL, usando das atribuições que lhe confere o item I do artigo 87 da Constituição Federal, Decreta:

Art. 1º O dia 15 de outubro, dedicado ao Professor fica declarado feriado escolar.

Art. 2º O Ministro da Educação e Cultura, através de seus órgãos competentes, promoverá anualmente concursos alusivos à data e à pessoa do professor.

Brasília, 14 de outubro de 1963; 142º da Independência do Brasil; 75º da República.

João Goulart


Enfrentamos também a falta de profissionais que ministrem Libras.

A Importância do professor de Língua Brasileira de Sinais – Libras para a  sociedade segundo a Professora de Libras/Português Neide Alexandre do Nascimento

“No meu primeiro dia de aula sempre me apresento aos alunos e mostro o ‘meu sinal’, eles logo querem saber o quê significa aquele sinal, explico que é uma expressão da Libras que representa o meu nome de batismo na comunidade Surda, a pessoa, além de dizer o nome em datilologia, ela, primeiro, se apresenta pelo seu sinal, que lhe foi dado pela comunidade a qual faz parte. O sinal pessoal é o nome próprio, o ‘nome de batismo’ de uma pessoa que é membro de uma comunidade Surda. Este sinal geralmente pode representar iconicamente uma característica da pessoa. Quando uma pessoa aprende uma língua, apreende também os hábitos culturais e os contextos aos quais certas expressões estão vinculadas. 

Libras é a sigla que significa Língua Brasileira de Sinais, língua natural das comunidades surdas do Brasil, foi reconhecida no país, como meio legal de comunicação e expressão desta comunidade pela Lei 10.436 de 24 de abril de 2002 e regulamentada pelo Decreto 5.626/2005. Este reconhecimento significa um avanço aos direitos linguísticos dos surdos de se comunica - rem e de se expressarem livremente através de sua língua e, por que não dizer, de uma transformação social quanto à valorização e uso da Libras por pessoas surdas e ouvintes.

A Libras é percebida como uma ferramenta necessária não só para a comunicação dos surdos, mas como uma conquista com vistas à sua inclusão social e cultural. Embora este reconhecimento tenha ocorri- do tardiamente no Brasil em relação a outros países (Estados Unidos, França, Suécia, Uruguai), onze anos após a aprovação da referida lei, ainda se reflete a ausência da Libras nos espaços públicos, sobretudo na escola, onde o processo de ensino e aprendizagem não inclui a Libras no uso corrente das práticas pedagógicas e nem como disciplina no currículo. Infelizmente, ainda é grande o desconhecimento, gerando, uma política de resistência, desvalorização e desrespeito ao estatuto linguístico da Libras. É a segunda língua oficializada no Brasil. É disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, Letras e nos cursos de Fonoaudiologia, e ainda é optativa nos demais cursos de educação superior e educação profissional.

O professor de Libras é importante para a sociedade porque ele faz essa ponte entre o mundo surdo e o mundo ouvinte, ele media informações e conhecimentos sobre as duas línguas: Libras e Língua Portuguesa, sobre os surdos e sobre os ouvintes suas diferentes culturas, contribuindo assim para o desenvolvimento inclusivo destes cidadãos na sociedade, no sentido de efetivar o direito de acesso à informação, pois a acessibilidade para surdos se faz através da comunicação em Libras e recursos visuais que viabilizem o acesso à comunicação.  Lidar com o diferente é ter flexibilidade, é ajudar o seu próximo a refletir sobre a sua realidade.

Apesar de não gozar de um status social relevante nos dias atuais, o professor ainda ocupa a função política de intermediador cultural para o povo”.

A importância da educação infantil –Por Mical Paris - Acadêmica e Professora do Ensino Infantil

“De acordo com Jean Jacques Rousseau: ‘A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui’. É de suma importância na vida de uma criança a educação infantil, é ela quem contribui para seu processo de formação. Pois esta necessita de orientação adequada de maneira que possibilite uma aprendizagem significativa.

Nesse sentido, é fundamental que o educador oportunize experiências estimuladoras que possibilitem a criança a construir seu próprio conhecimento, alcançando o objetivo que se espera dela. A educação infantil estabelece na vida da criança a conscientização de que ela será no amanhã um futuro cidadão. A educação infantil é à base dos conhecimentos e o professor é seu mediador.  Educar uma criança significa, portanto propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades e o acesso pelas crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Nesse contexto a educação veio em conjunto com o educador para auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem da criança e no processo do conhecimento da potencialidade corporal, afetivo, emocional, estético e ético na perspectiva de contribuir com a formação de crianças felizes e saudáveis. Portanto a educação infantil é o fator determinante para o sucesso do aluno”.

Finalizo o texto com as sabias palavras de MalalaYousafzai,estudande de 16 anos e indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2013"Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. Educação é a única solução”.

PARABÉNS PROFESSOR É CORAGEM PARA CONTINUAR!

Professor Ruzel Costa , da Rede Estadual de Ensino, Escola Madeira-Mamoré, Centro Educacional Objetivo, Faculdade FARO e Colégio Interação - Porto Velho-RO.


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