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Publicado em Quinta, 14 de Abril de 2016 - 15h40

Agricultores contam com novas variedades de maracujá no Acre

Diva Gonçalves/Embrapa


O Acre tem duas novas variedades de maracujá, a BRS Gigante Amarelo e BRS Sol do Cerrado, recomendadas pela Embrapa. Os testes iniciaram em 2012 e os resultados, apresentados no final de 2015, comprovam potencial produtivo e adaptação dessas variedades às condições locais de clima e solo do estado.  Agricultores acreanos podem adquirir sementes dessas variedades de maracujá, disponíveis no mercado de Rio Branco.

Atualmente, a média estadual de produtividade de maracujá é 8 toneladas/hectare, bem abaixo da média brasileira, de 14 toneladas/hectare.  Segundo o pesquisador da Embrapa, Romeu de Andrade, responsável pelos estudos com as novas variedades, a produção do maracujá BRS Gigante Amarelo alcançou 47 toneladas/hectare, enquanto a variedade BRS Sol do Cerrado produziu 40 toneladas/hectares.

As novas variedades de maracujá também se destacam pelo tamanho dos frutos produzidos, com peso médio de 250 gramas, e pelo rendimento de polpa, de 45%.  Em plantios com as variedades de maracujá mais plantadas na região os frutos não ultrapassam 150 gramas e o rendimento de polpa fica em torno de 33%. "Esse desempenho representa um salto na produção local e pode contribuir para modificar a realidade da cultura e potencializar o setor agroindustrial", afirma Andrade.

O agricultor Germano Knopf, morador de Senador Guiomard, parceiro na pesquisa, cedeu parte da sua propriedade para implantação dos primeiros experimentos e, atualmente, comercializa os frutos na Central de Abastecimento (Ceasa) de Rio Branco.  "Nossa produção aumentou como nunca imaginamos. O maracujá BRS Gigante Amarelo é excelente para a produção de polpa. Já o BRS Sol do Cerrado, por ter a casca mais resistente, é mais indicado para ser vendido em forma de fruta", afirma.

Manejo adequado

Andrade explica que além de características agronômicas apresentadas pelas variedades de maracujá, o uso de práticas de manejo recomendadas pela pesquisa melhora o desempenho produtivo da cultura. "Não basta dispor de materiais adaptados e produtivos, é fundamental associar a essas tecnologias procedimentos adequados de manejo.  Isso contribui para potencializar a resistência das plantas a doenças e favorece a produtividade dos cultivos", ressalta.

Na propriedade de Knopf o trabalho iniciou com a correção e preparo do solo para o plantio, mas outros cuidados como irrigação na época seca, podas regulares e polinização manual são rotineiros na condução dos oito hectares de maracujá. "Os resultados compensam o esforço. Temos produção garantida e mercado certo para a fruta".

As pesquisas desenvolvidas no Acre indicam que o estado tem grande potencial para o cultivo de maracujá, entretanto, a área planta com a cultura ainda é pequena, com apenas 101 hectares. Apesar da importância econômica e social da cultura, a produção de maracujá no Acre ainda é incipiente, com 103 toneladas/ano, volume que só supera os estados de Roraima, Mato Grosso, Piauí e Maranhão. A demanda no mercado interno é crescente e a produção local insuficiente para atender o consumo. Tais fatores revelam a necessidade de investimentos em tecnologias para ampliar os cultivos e aumentar a produção.

Variedades melhoradas

No Brasil existem cerca de 150 a 200 espécies de maracujá. A mais cultivada é o maracujá amarelo, devido ao bom rendimento industrial e à qualidade dos frutos. Essa diversidade favorece as pesquisas com melhoramento da fruta, trabalho que tornou o Brasil referência no assunto. As variedades BRS Gigante Amarelo e BRS Sol do Cerrado foram desenvolvidas por meio do Programa de Melhoramento Genético do Maracujá, coordenado pela Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), que desde 1990 realiza pesquisas com foco em variedades mais produtivas e resistentes a pragas e doenças.

Segundo Andrade, o uso de variedades melhoradas representa uma alternativa importante para desenvolver a cultura e fortalecer a agricultura familiar. Além da aptidão para a cultura, no Acre os cultivos apresentam um diferencial em relação a outras regiões que torna a cultura altamente compensadora. "Aqui é possível obter uma produção contínua, com oferta de frutos durante todo o ano, enquanto em estados do Sul e Sudeste a produção de maracujá se concentra em apenas seis meses", ressalta o pesquisador.

Características

De acordo com dados do IBGE, o Brasil produz cerca de 840 mil toneladas de maracujá por ano. Cultivada em todas as regiões do país, a cultura é fonte de trabalho e renda para milhares de famílias agricultoras e para um grande número de profissionais do segmento industrial. De sabor exótico, a fruta tem grande aceitação no mercado, sendo consumida de diversas formas pela população e largamente utilizada pela indústria de cosméticos.

Além de boa produtividade e maior percentual de rendimento de polpa, as novas variedades de maracujá recomendadas para o Acre apresentam outras características importantes para a produção e interessantes para o mercado consumidor como elevada tolerância à antracnose e bacteriose, maior concentração de vitamina C, em relação a outras variedades, boa resistência do fruto e maior tempo de prateleira. O maracujá BRS Sol do Cerrado é tolerante também a doenças foliares como a bacteriose.


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