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Publicado em Quarta, 28 de Março de 2012 - 12h36

Água bateu nos fundilhos, varejo corre e pula. É tarde demais?

José Armando Bueno


Água bateu nos fundilhos, varejo corre e pula. É tarde demais?

Final de março. A economia não reage. Três trimestres consecutivos de quedas subsequentes na atividade comercial começam a apresentar rachaduras em nossa frágil economia. A maioria dos empreendedores e empresários é unânime: a atividade caiu muito e não mostra qualquer sinal de recuperação. Nada a ver com a cratera na BR. A verdadeira cratera na nossa economia começou em junho de 2011, quando a economia brasileira derrapou com o agravamento da crise na zona do euro. De ousados 4,5% de crescimento projetado pelo discurso oficial do Planalto, alcançamos apenas 2,7%, recuo de quase 5% no comparativo com 2010. Isso não é bem derrapagem, é um capotamento.

Aqui nós já vivíamos o terror das paralisações nas usinas com depredações, desordem e falhas graves de gerenciamento de crise de todas as partes. O crescimento do PIB de Rondônia em 2009, de 7,3%, que nos guindou à primeira posição no ranking nacional, já está no passado, mas ainda vem sendo utilizado na propaganda oficial. E foi um crescimento altamente concentrado nos recursos das usinas, portanto, não tem relação com a realidade própria da nossa economia, e sim com ilhas de prosperidade. A origem da nossa cratera? Total falta de planejamento e articulação entre governos, iniciativa privada e sociedade, para nos preparar de forma organizada para aproveitar a pequena janela de oportunidade do novo ciclo de desenvolvimento. Agora já era.

Nossa economia, ainda baseada no comércio de produtos, distante da força da economia de serviços, sem industrialização consistente, sem tecnologia aderente e com planejamento indecente, patina em suas bases sem lastro, tão frágil quanto alabastro. Não tem saída não. Estamos encalacrados. Não fizemos a lição de casa. Em pleno século 21 ainda temos uma estrutura econômica medieval moldada nos anos 80, engessada nos anos 90, crucificada nos anos 2000 e esquecida pela gestão vil, de governantes e líderes de covil.

Navega sem dores quem fornece a governos e autarquias, quem tem lavanderias e faz parte das confrarias, tudo numa grande folia. É do jogo desta Rondônia esquecida, mal suprida e deprimida. A realidade dura, nua e crua está nas mãos de milhares de microempreendedores e empresários da economia tradicional do comércio, da microindústria sem fundo e sem futuro desde sempre. Mas os tubarões, esses agora vão se tornar anões. O varejo de alimentos, concentrado nas mãos de meia dúzia, digladia-se agora com o cenário do desmonte. Os preços caíram, alguns desabaram e as lojas esvaziaram. O grande atacado tomou espaço do supermercado, e ficou tão irado que não admite ter sido um safado. Foram todos avisados, informados e alertados. Não se prepararam e optaram pelo abuso do ganho fácil. Agora, tem até rede de supermercado tendo a coragem de assumir que durante anos faturou, riu e se fartou, e agora recuou: anunciou uma “nova política de preços”, depois de tantos tropeços. Como diria Boris Casoy, o âncora da Band, “isto é uma vergonha!”. O consumidor feito de trouxa, agora vai à forra para vingar tanta derrota.

No varejo do mobiliário e dos eletros, aonde a batalha é violenta, agora sem-juro-sem-entrada-e-sem-mais-nada, não vai demorar em anunciar que alguém vai zarpar. Não existe mercado para tantos players grandes em guerra de gigantes. O comércio de automóveis populares, esse travou as quatro rodas e não dá sinais de retomada, depois de tanta maquiada. Deitaram e rolaram, empurraram e se locupletaram, agora vem a ressaca e acabou a mamata. Queda de 20% a 50% conforme a marca, uma freada tão brusca que até assusta. Fazer o que? Esperar a renúncia fiscal do governo federal, pois menos IPI agora é fundamental, antes do buraco monumental. Mas um dia a conta chega. Sempre chega.

O cenário é dantesco, todo rocambolesco. Mais de 40 mil microempresas vivas, mais de 40 mil pequenas propriedades rurais produtivas, enorme força de trabalho, de produção e realização, receberam zero de atenção. Rondônia pode progredir, pode expandir e se redimir. Mas é preciso mudar o jeito de governar. Sempre jogaram migalhas esses metralhas. Não temos central de abastecimento, estamos 100 anos atrasados no zoneamento, perdemos as eclusas, não concluíram os viadutos e não temos salvo-condutos. Agora ficou tudo cinzento e não tem unguento pra tanto lamento.

A água bateu nos fundilhos. Não adianta pular, chorar e reclamar. Agora é trabalhar. Nunca é tarde pra recomeçar. Chega de mão-de-obra. Agora nós precisamos de cérebros-de-obra para gerar uma nova desova. Uma nova economia precisa entrar na ordem do dia.

Quer falar comigo? Escreva para: buenoconsult@gmail.com

P.S.: Para aqueles empreendedores, executivos e profissionais liberais que queiram reposicionar suas estratégias e negócios para enfrentar o cenário de dificuldades já consolidado, veja o link abaixo, com os novos programas da Bueno Escola de Negócios. É preciso treinar intensivamente, suar a camisa, para não sangrar no campo de batalha, como diz o cantor e compositor inglês Colonel Red. Atenção: dia 2 de abril tem início o primeiro programa, “Gestão de Metas com Indicadores de Desempenho”. Vamos treinar?

http://issuu.com/buenoeduca/docs/programa2012-1


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