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Publicado em Segunda, 31 de Março de 2014 - 16h53

Desmemoriados

Gessi Taborda


Desmemoriados

Tentando mais uma vez usar a coluna da edição dominical e de segunda para focar assuntos importantes da história e do cotidiano do Brasil, vamos refletir hoje sobre o golpe de 1964, que implantou mais um período de ditadura no Brasil. Estamos completando 50 anos do golpe militar. Os chamados anos de chumbo parece não ser conhecido em toda a sua extensão pelos brasileiros. Só isso justificaria a tentativa de grupos de pessoas em diversos pontos do país, especialmente nas capitais. Só os desmemoriados brasileiros poderiam desejar o retorno da “Redentora”, nome dado ao golpe militar (para os milicos, uma revolução), responsável por vergonhosos casos de tortura e eliminação de opositores da manobra castrista.
Foi a tal “Marcha da Família” que ajudou a motivar a queda da democracia no Brasil. Tudo bem: são marchas à toa, pequenas mesmo, com todo o jeito de morrer na praia, mas onde está a memória de um dos capítulos mais lamentáveis da história do nosso país? Que desserviço é esse que estão prestando ao país, incentivando um novo tempo de tirania e tiranetes?

RECONTAR A HISTÓRIA


A realização dessa “Marcha da Família”  que, repito, não aconteceu em Porto Velho, revelou de uma forma inegável ainda existir em nossa sociedade que parecem não se lembrar o que foi os anos de chumbo, especialmente a ditadura comandada pelos militares. Assusta-me ouvir de algumas pessoas a afirmação de que o Brasil precisa da volta dos militares para colocar o país nos eixos. Onde está a repulsa contra as ditaduras de todos os matizes que nosso jovem país já viveu? É por isso que a história deve sempre ser recontada, pois nossa memória é realmente falha, mostrando lados obscuros na perpetuação do legado contra o autoritarismo.

A ARMA QUE NÃO TÍNHAMOS

O colunista não tem dificuldades para escrever sobre aquele tempo obscuro que, de vez em quando, tenta ressurgir nos tempos de hoje. Afinal quem viveu aquele tempo sabe o que foi a luta de quem estava disposto a morrer – e muitos realmente sucumbiram, ou ficaram com sequelas incuráveis pelo excesso e desumanidade no tratamento de quem estava no poder e não aceitava vozes de oposição.
Hoje o cidadão comum está descrente no sistema democrático pela insensatez de políticos e dirigentes públicos sempre prontos a cometer toda a sorte de ilegalidade, de corrupção na desfaçatez de quem imagina achar que tudo pode quando consegue um cargo eletivo em qualquer nível da representação popular.
Entretanto o cidadão de hoje tem uma arma que nós não pudemos contar ao longo das longas décadas do domínio ditatorial: o voto.

QUESTÃO DE VONTADE

Tenhamos sabedoria de escolher em quem votar, driblando os passos de insensatez que vez e outra vemos por aí, como se nenhuma lição nos foi dada, como se tudo não passasse de um acontecimento irreal que durou pouco tempo. É certo que os próprios partidos políticos, corrompidos por interesses personalistas, transformados em feudos vergonhosos, se abrem para acoitar figuras abjetas, sem os atributos necessários para a representatividade eleitoral. Isso verdadeiramente reduz as possibilidades do exercício desse instrumento democrático. E mesmo diante dessa dificuldade – como acontece agora aqui em Rondônia onde no geral as opções oferecidas pelos partidos são ruins – o eleitor tem o cívico e sagrado dever de usar bem o voto, separando o joio do trigo.
Façamos valer o ato de votar em quem pode mudar as coisas para melhor, para trazer o novo para um tempo de inabalável coragem de defender a democracia.

LEGADO DO MAL

Tenhamos sabedoria de escolher em quem votar, driblando os passos de insensatez que vez e outra vemos por aí, como se nenhuma lição nos foi dada, como se tudo não passasse de um acontecimento irreal que durou pouco tempo. Na verdade, foi como um longo e tenebroso inverno, quando muitos foram presos e poucos eram soltos.
Qualquer ditadura é sempre um legado do mal por destruir os afetos e as amizades que cercam a liberdade. Quem tem esperança de viver num estado que cultiva valores como a solidariedade, o amor, a paz e realização dos sonhos de uma sociedade plural, têm de estar sempre disposto a cobrar avanços e a aprofundar a democracia.

UMA RESSACA

Nunca mais 1964, por haver, no futuro de todos nós, essa arma que não tínhamos em 1964: o sagrado ato de votar e mudar o nosso destino. Pensemos em 1964 como uma ressaca, que vez e outra nos leva à deriva e não nos deixa entender direito o que houve realmente, tantos são os desastres existenciais e pesadelos incompreensíveis de jovens que simplesmente amavam o país, a família e imaginava uma América Latina liberta de seus escravizadores.
Nunca mais a sensação de que tudo pode voltar. Nunca mais um golpe mortal para tentar apequenar ainda mais este país, depois de uma expiação de 50 anos.
Nunca mais uma geração falida, que custou a se reerguer e traçar um novo rumo sem onipotência e messianismo. Nunca mais a amnésia crônica de que isso não ocorreu ou que foi algo banal e sem importância.

ACIMA DO TETO

A denúncia veiculada na mídia na semana que passou dando conta de que o governador continua recebendo salário acima do teto permitido por lei está pelo menos sendo investigada pelos nossos valorosos instrumentos de controle externo? Essa denuncia terá alguma consequência em locais como Assembleia Legislativa? Ou ficará mais uma vez como “tudo como dantes no quartel de Abrantes”?

TUBARÕES

Aplaudida mais uma vez a ação da Polícia Federal na investigação e combate de servidores (e empresários) corruptos como aconteceu agora na Superintendência do Trabalho e Emprego onde a ladroagem corria solta e impune, com muita gente se enriquecendo com o roubo do dinheiro público. Certamente atrás desses bagrinhos enjaulados estão tubarões (aqueles responsáveis por suas indicações para os melhores cargos) agindo há muito tempo descaradamente. Ali, pelo que se ouve, funcionou um feudo de políticos ligados ao PDT. Se a PF passar um pente fino nas sinecuras que ocorriam no setor de comunicação social pode descobrir mais mutretas relacionadas com o escândalo de diárias.


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/desmemoriados)
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