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Publicado em Segunda, 11 de Julho de 2016 - 15h36

Maracujás BRS avançam no mercado

Gustavo Porpino


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De 2008 a 2015, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibilizou ao mercado, diretamente ou por meio de seus licenciados, mais de 220 kg de sementes das cultivares BRS Gigante Amarelo (BRS GA1), BRS Sol do Cerrado (BRS SC1) e BRS Rubi do Cerrado (BRS RC). "Considerando que, em espaçamento convencional, 25 gramas de sementes com boa germinação são suficientes para plantio de 1 hectare, o volume de sementes das cultivares de maracujazeiro azedo da Embrapa comercializados são suficientes para plantar mais de 8.000 ha, cerca de 15% da área nacional cultivada com maracujá", destaca a pesquisadora Keize Pereira Junqueira, da Embrapa Produtos e Mercados (Brasília, DF).

Segundo Keize Junqueira, esses valores são significativamente altos no cenário brasileiro de produção de maracujás, dado que a maior parte das sementes utilizadas nos plantios ainda é de origem genética desconhecida ou proveniente de populações geradas a partir de pomares instalados com as cultivares da Embrapa e de outros obtentores.

O reaproveitamento de sementes de cultivos anteriores é uma das razões apontadas pelo pesquisador Fábio Faleiro, da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), para a queda de produção do maracujá, cultura com grande amplitude nos níveis de produtividade. Enquanto a média de produtividade nacional é de 14 toneladas por hectare/ano, alguns produtores conseguem colher 50 toneladas por hectare com utilização de cultivares BRS, manejo e controle fitossanitário adequados.

"Temos produtores de maracujá BRS tanto em Roraima quanto no Rio Grande do Sul", salienta Faleiro. Para a tecnologia alcançar tamanha abrangência geográfica, o trabalho começa antes mesmo das cultivares serem lançadas no mercado. O programa de melhoramento genético dos maracujás da Embrapa tem unidades de validação em todas as regiões do País. Já na etapa de comercialização do BRS GA1 e BRS SC1, os licenciados têm pontos de venda em Brasília (DF), Araguari (MG) e Monte Mor (SP), mas o escritório paulista tem revendas em diversos estados.

"O envolvimento do licenciado aumenta a capilaridade da tecnologia", destaca Faleiro. A capacidade da tecnologia se propagar é incrementada também pela logística de baixa complexidade para envio das sementes e por ser uma tecnologia capaz de viabilizar economicamente a produção em pequenas áreas.

Cultivo orgânico do BRS Pérola do Cerrado incrementa renda

Para pequenos produtores, como o casal Pedro Malaquias, 64, e Dorvalina Teresa Soares, 57, do Assentamento Oziel Alves III (Núcleo Rural Pipiripau – DF), o cultivo do maracujá silvestre BRS Pérola do Cerrado incrementou a renda e resgatou a esperança de seguir a vida como produtores rurais.

"Com dinheiro do maracujá, já pago a prestação do trator e da rotativa", comenta Malaquias, mineiro de Paracatu que chegou a Brasília (DF) em 1971 para trabalhar na construção civil. A vida no campo teve início em 1974, como tratorista na Fazenda São Miguel, em Cabeceira de Goiás (GO). Naquela época, possuir o próprio trator e ter um pedaço de terra era sonho distante.

"Em 1983, comecei a plantar feijão, quiabo e milho numa chácara em Padre Bernardo (GO), mas faltava assistência técnica e tinha dificuldades de comercialização", lembra. Malaquias ainda permaneceu na Chácara até 2011, quando resolveu mudar-se para o Assentamento, que agrega 170 propriedades em área total de 2200 hectares.

Com apoio da Emater-DF e da ONG WWF-Brasil, via projeto Água Brasil, fez capacitação em agroecologia e hoje a produção do maracujá é orgânica. "Começamos com 100 mudas do Pérola do Cerrado no final de 2014, uns oito meses depois começamos a colher e hoje já temos 200 mudas", conta Dorvalina. "Nunca fiz aplicação de defensivos no pomar", ressalta.

O pequeno pomar do casal rende 5 caixas de 20 kg por semana. A produção é integralmente comercializada a distribuidores de produtos orgânicos. A rusticidade do maracujá silvestre facilita o cultivo orgânico e, além da elevada resistência a pragas e doenças, o fruto é valorizado pelo mercado para consumo in natura. "Está bem procurado, às vezes até falta pra vender. Quero plantar mais 400 pés e chegar a 1000", planeja Malaquias.

Para o zootecnista Maximiliano Cardoso, extensionista da Emater-DF, a organização dos produtores do Assentamento e dos Núcleos Rurais Pipiripau e Taquara na Associação de Orgânicos resultou em diversos impactos positivos nas propriedades. Todas as quartas-feiras uma parcela do Assentamento recebe o grupo de 28 associados para trocas de experiências e tomadas de iniciativa conjuntas.

Como resultado do associativismo, os produtores compartilham boas práticas como o uso do gotejamento para economizar água, produção de bokashi e cama de frango para adubação orgânica, e maior interação com extensionistas da Emater. "Eles (produtores) não são acomodados e essa organização melhora a condição de vida de todos", ressalta a economista doméstica Vera Oni, técnica da Emater-DF.

Os extensionistas e pesquisadores concordam que casos de sucesso, como o do casal Malaquias, são resultado da junção da vocação e trabalho dos produtores com a extensão rural e a pesquisa. "A interação produtor, extensão rural e pesquisa resulta em ganhos de produtividade e benefícios sociais", destaca Faleiro.

Aquisição de terra própria

A produtora Lucilia Neres Evangelista, de Planaltina de Goiás (GO), uma das pioneiras na validação das cultivares de maracujá BRS, deixou de ser meeira há 5 anos. A base da renda familiar é o pomar com 15 mil pés de maracujá com cultivares BRS. 

"Quando comecei, não tinha nada. Meu primeiro pomar tinha 10 mil pés, mas como meeira. Mesmo vendendo barato, fui crescendo e juntei dinheiro para comprar terra própria", conta Lucilia.

Para aumentar a margem de lucro com a produção dos maracujás, a família Evangelista articula com a prefeitura a instalação de uma pequena agroindústria. "Pretendo vender polpa de maracujá. Meu sonho agora é ter minha agroindústria", comenta.

Onde encontrar sementes e mudas

As cultivares híbridas de maracujazeiro azedo da Embrapa já foram comercializadas em todos os estados do Brasil. De 2008 a 2015, o material mais vendido foi o BRS Gigante Amarelo, cultivar obtida pela Embrapa em parceria com a Universidade de Brasília. "A Bahia, estado com a maior produção de maracujá, foi uma das unidades da federação que mais adquiriram sementes da Embrapa e de seus licenciados", comenta Keize Junqueira.

A listagem dos produtores licenciados pela Embrapa para a produção de sementes e mudas das cultivares de maracujazeiro desenvolvidas pela Embrapa e parceiros está disponível emhttps://www.embrapa.br/produtos-e-mercado/maracuja


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/maracujas-brs-avancam-no-mercado)
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