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Publicado em Quinta, 12 de Março de 2015 - 15h17

Noivos de grupos e RH sanguíneos incompatíveis não poderiam se casar

Serafim Godinho


Noivos de grupos e RH sanguíneos incompatíveis não poderiam se casar
Até a metade do século passado a incompatibilidade sanguínea era um problema para os casais de namorados que somente podiam casar-se apresentando alem dos documentos de costumes exigidos até hoje, havia o temido exame pré-nupcial. Esse era o exame do grupo sanguíneo e o RH dos noivos, pois se houvesse incompatibilidade não haveria casamento, nem religioso nem civil. A solução era procurar outro que fosse compatível. E essa era uma atitude correta, pois não havia pílula anticoncepcional, nem a imunoglobulina, a chamada “vacina” que a mãe toma, quando tem incompatibilidade sanguínea com o pai. O casamento era realizado com a certeza de ter vários filhos e como a diferença de RH acarreta abortamentos e nascimentos de crianças com doenças graves a única solução era impedir este matrimônio.

O primeiro filho geralmente escapava mesmo não tendo o RH materno, pois nesses casos há uma grande chance do filho nascer normal, pois não havia anticorpos no sangue materno.
Vamos exemplificar usando dois personagens fictícios Maria RH negativo e João RH positivo.

Maria teve um filho. Nasceu com icterícia e níveis preocupantes de anemia. Os primeiros dias viveu-os entre incubadoras, sessões de fototerapia com raios ultra-violeta, colheitas de sangue e ameaças de transfusão. A genética pregou-lhe uma partida.

A bebê é filha de Maria, tipo de sangue ARh negativo, e de João, ARh positivo. A diferença entre ambos é que os glóbulos vermelhos dele possuem uma proteína chamada RhD, que não existe no sangue de Maria. Se o sangue do bebê fosse do tipo Rh negativo, como o da mãe, não haveria qualquer problema. Mas ele herdou o sangue do pai.

Durante a gravidez, o sangue do feto atravessou a placenta para a circulação da mãe. Acontece em 75 por cento dos casos. Bastam 0,1 mililitros de sangue RHD+ para iniciar a incompatibilidade. O organismo de Maria detectou a presença de um elemento estranho, a proteína RhD, e sentiu-se obrigado a reagir. O sistema imunitário da grávida criou anticorpos de defesa e foi reforçando as suas munições até garantir um exército capaz de atravessar a placenta e chegar ao sistema circulatório do feto. O resultado do ataque destes anticorpos, lento, mas concentrado, nunca afeta a mãe. Mas pode criar várias perturbações ao bebê, mesmo antes de nascer. Os médicos conhecem bem o problema. Chamam-lhe eritoblastose fetal ou neonatal ou, mais simplesmente, Doença Hemolítica do feto ou do recém-nascido. O bebê sofreu icterícia e anemia após o nascimento. Nos casos mais graves, a doença pode levar à morte do feto ou assumir a forma de insuficiência cardíaca.

Os riscos existem em qualquer gravidez resultante do cruzamento de um tipo de sangue Rh negativo da parte da mulher com o fator positivo do progenitor masculino. A probabilidade de o bebê herdar o sangue do pai é de 75 por cento. Mas casos como o de Maria, que teve problemas com o primeiro filho, são muito raros. Acontece uma vez em cada cem.

Regra geral, os anticorpos aparecem tardiamente durante a primeira gravidez, não chegando a causar problemas. Ficam, no entanto, memorizados no organismo da mãe, prontos para reaparecer a cada novo contacto sanguíneo. Por isso, é normalmente na segunda gravidez que surgem anticorpos com força suficiente para atravessar a placenta e entrar no sistema circulatório do feto para destruir os glóbulos vermelhos.

Prevenir é o melhor remédio A medicina conhece registros grosseiros de incompatibilidade sanguínea entre uma mãe e o seu filho desde o século XVII. O problema originou abortos e mortes à nascença durante séculos. Mas só a partir da década de 60, já no século XX, a prevenção entrou na rotina dos médicos. Sob a forma de administração de imunoglobulinas anti-D à mãe, com o objetivo de destruir e apagar a memória dos anticorpos no organismo da mulher.

Com uma simples injeção intramuscular evitam-se complicações graves. E isto pode até ser feito antes do nascimento do bebê, à 28ª semana. Depois que a criança nasce, confirmando o RH positivo paterno, faz-se nova injeção na mãe.

Contudo, a profilaxia antes do nascimento exige uma avaliação cuidadosa. Se a mãe já possui anticorpos, em um caso em que teve o primeiro filho sem ter tomado a injeção, a administração das imunoglobulinas pode fortalecê-los e acelerar todo o processo.

Para determinar o momento e a pertinência da profilaxia existe um exame específico. Chama-se Teste de Coombs Indireto, pode ser feito variadas vezes durante os nove meses de gestação, e tem como objetivo verificar se houve trocas de sangue entre a mãe e o feto. Na posse dessa informação, os médicos registram a presença de anticorpos no organismo da mãe e avaliam a sua capacidade de afetar o bebê.

Nesses casos, a gravidez passa a ser chamada de risco e o pré natal deverá ser realizado quinzenalmente através de uma ecografia da artéria cerebral do feto, os médicos conseguiam perceber o grau de anemia de Maria e avaliar os riscos e a necessidade de provocar o parto e acelerar o seu nascimento.

Antes da existência do DNA, não se podia provar que João era o pai do bebê, mas se conseguia provar o contrário, que não o era, segundo a tabela anexa.

Pensamento da Semana

Às vezes o tempo machuca, mas na maioria das vezes o tempo cura. Não há melhor elixir, melhor medicamento. O tempo o faz ignorar, outras vezes o faz importar. Assim como o faz esquecer, também às vezes o faz lembrar. Às vezes o tempo o faz julgar, outras vezes o faz aceitar e perdoar. Eis aí a grande virtude de envelhecer. Você passa a aceitar algumas coisas da vida sem dor, sem sofrimento. Você aprende que ninguém vai ser como você sonha, que nem sempre terá seu esforço valorizado, nem espera compreensão. Aprende que o outro é diferente e de vez em quando vai magoá-lo, aprende a lidar com isso para não ficar só. Simplesmente vive e deixa viver e, sobretudo aprende que a vida nem sempre é fácil, mas não espera para viver, pois agora, mais do que nunca, sabe que o que importa é ser feliz, e o tempo que passa não voltará jamais. E, o mais importante, você aprende a recordar os bons momentos, e que recordar também é viver.

Comendador Serafim Godinho

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