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Publicado em Domingo, 15 de Junho de 2014 - 11h39

Reversão da laqueadura

SERAFIM GODINHO


Reversão da laqueadura

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A laqueadura só é recomendada sem restrições para mulheres com problemas de saúde, tais como diabetes descompensada, histórico de eclampsia e pressão alta.

É preciso muito diálogo entre o casal e o profissional de saúde para que a decisão de fazer uma laqueadura seja consciente e autônoma. A cirurgia é um procedimento que apresenta apenas 50% de chances de sucesso em sua reversão. Em alguns casos, se realizada com cuidados microcirúrgicos, a laqueadura pode chegar a uma taxa de reversão com 70-80% de incidência de gravidez.

Poucos hospitais têm a tecnologia e profissionais capacitados para realizar a reversão. O Mater Dei tem, e na próxima edição teremos o depoimento de uma paciente que foi beneficiada com este procedimento.

A maioria das pacientes que buscam pela reversão da laqueadura, na época da cirurgia, tinha pouca idade e pouca experiência de vida. Geralmente, não imaginavam que poderiam se casar novamente e que desejariam ter filhos com o novo parceiro. Outras não contavam que o crescimento dos filhos é rápido e logo o lar estaria vazio. E há também as mães cujos filhos faleceram. E além das razões particulares, há também imposição do marido, dificuldades financeiras e outros problemas de saúde, que podem levar a mulher a optar pela laqueadura.

É preciso explicar à mulher que, tecnicamente, a laqueadura é um método definitivo de contracepção, realizado pela obstrução da tuba, que liga os ovários ao útero. Só é recomendada sem restrições para mulheres com problemas de saúde, tais como diabetes descompensada, histórico de eclampsia e pressão alta. Métodos definitivos devem ser usados como último recurso, quando a gravidez implica em risco de vida.

É possível reverter?


A reversão da laqueadura, a salpingoplastia, é um procedimento complexo e poucos serviços do SUS o oferecem. Pode ser realizada por anastomose tubária microcirúrgica, via laparotomia ou via laparoscopia. Quanto mais jovem a mulher esterilizada procurar pela reversão, maior é a probabilidade de que ela venha a engravidar no futuro. Quanto menor o tempo de esterilidade, maior é a chance dela engravidar novamente.

O grau de reversibilidade varia de acordo com a lesão que a técnica cirúrgica causou. Assim, laqueaduras feitas com anel plástico ou clipes de titânio são mais fáceis de reverter. Para as pacientes que foram submetidas à salpingectomia (retirada das trompas), a reversão é impossível.

Uma nova gravidez

Após a reversão tubária, em média, as mulheres demoram de seis meses a um ano para conseguir engravidar, se a recanalização for bem sucedida. Mas o sucesso da cirurgia relaciona-se com vários outros fatores, tais como:

* o comprimento e a vitalidade dos segmentos de trompas a serem unidos;

* a habilidade do microcirurgião;

* a idade da mulher no momento da cirurgia para reversão;

* o método utilizado para laqueadura tubária;

* a quantidade de tecido de cicatrização na região da cirurgia;

* a qualidade do espermograma do parceiro;

* a presença de outros fatores de infertilidade.

Quando as trompas reconstituídas não recuperam sua função reprodutiva é possível recorrer ainda à fertilização in vitro ou à transferência de embriões. A reversão da laqueadura tubária deve ser considerada como uma opção adequada na busca de novas gestações para mulheres mais jovens (35 anos), sem qualquer outro fator de infertilidade além da laqueadura. As pacientes com mau prognóstico ou com idade mais avançada devem ser encaminhadas aos programas de fertilização in vitro. Tal posição é compartilhada por grandes centros de reprodução humana mundiais, onde ambos os procedimentos são igualmente oferecidos.

“A cobiça e o egoísmo envenenam a alma do homem. A caridade, ao contrário, é o antídoto para todos os males. Nessa simples palavra, a caridade, resume-se a filosofia de todas as religiões”
Comendador Serafim Godinho


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/reversao-da-laqueadura)
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