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Publicado em Domingo, 25 de Janeiro de 2015 - 11h53

Saúde sexual na infância

Serafim Godinho


Em época de tecnologia, em que a informação está ao alcance de todos e de qualquer idade, falar que a cegonha trouxe o irmãozinho, beira ao ridículo. A pergunta que seu filho faz como eu nasci e como meu irmãozinho foi parar em sua barriga, a resposta deve ser sempre a verdade ou a mais próxima da verdade possível. Tudo o que é passado para as crianças com transparência e naturalidade, sem preconceitos e mentiras, é assimilado da melhor maneira sem traumas ou conseqüências. Não precisa contar toda a verdade para a criança, mas tudo o que você contar tem que ser verdade.

Quando pensamos sexo, imediatamente nos remetemos à excitação sexual e ao orgasmo. Mas para chegarmos até aí, antes, foi importante vivenciar outras formas de prazer decorrentes da descoberta do corpo, do carinho e da intimidade que irão interferir diretamente na relação afetivo-sexual, permitindo a entrega, a confiança e a cumplicidade.

Tudo começa no decorrer do primeiro ano de vida. A primeira fase é aquela que Freud chamou de fase oral, na qual a sucção é a manifestação sexual característica. Mas, o prazer não está unido, apenas, à estimulação e à riqueza de sensações da mucosa da cavidade bucal e dos lábios. O alimento, o leite materno ou de mamadeira, morninho, desliza pelo seu aparelho digestivo, aliviando a dor causada pela fome. Neste momento, além de saciar, o ato de amamentar propicia o aconchego e o calor do colo materno, a conversa e a troca de olhares. Este contato materno propicia a consolidação da imagem corporal, o estabelecimento de zonas erógenas e a experimentação de emoções e sentimentos associados às sensações de prazer e desprazer que ajudam a confirmar o vínculo afetivo
Portanto, desde o nascimento, a criança está desenvolvendo a sexualidade. Começa pelo desejo e prazer de se alimentar, de descobrir os pezinhos e as mãos e levar tudo à boca. Quando começa a se distinguir do outro, descobre as diferenças entre homens e mulheres, meninos e meninas, brincando até com os órgãos sexuais do coleguinha.

Ter interesse e curiosidade pelo seu corpo é normal e não deve tornar-se motivo de preocupação para os pais. A reação nunca deve ser envergonhar as crianças por estas terem interesse na descoberta da sexualidade. Entre os dois e os seis anos devem ser considerados comportamentos normais e adequados à fase de desenvolvimento e descoberta: tocarem nos seus genitais ou masturbarem-se, em público ou em privado, tocarem ou quererem ver os genitais de um amigo da escola ou do irmão ou irmã mostrarem os seus genitais aos amigos procurarem oportunidades de ver os adultos despidos

No caso de brincadeira com coleguinha da mesma idade, deixe passar e converse sobre o assunto depois ou peça para que eles parem a brincadeira, pois o papai ou a mamãe precisam de ajuda, sem parecer recriminação. Entre os comportamentos inapropriados, que devem alertar os pais e levá-los a considerar procurar ajuda especializada contam-se: qualquer brincadeira ou atividade sexual que envolva crianças com uma diferença de idades superior a quatro anos.

Quanto ao fato de meninos com brincadeiras e brinquedos de menina ou vice-versa, em um primeiro momento não há porque se desesperar quando o menino ou menina opta por brincadeiras normalmente preferidas do sexo oposto. Uma conclusão à priori só vem reforçar um raciocínio preconceituoso que imagina erroneamente que irá afetar a sua sexualidade na idade adulta.

Na formação da sexualidade não é diferente. A ligação afetiva da criança com seus pais começa no nascimento e evolui através da demonstração dessa afetividade com abraços, palavras doces, carinho, na hora do banho, dentre inúmeros outros momentos de relacionamento muito próximo.

A criança que por um ou outro motivo foi privada desse contato pode ter dificuldade de se relacionar no futuro além de poder desenvolver problemas também na definição de sua própria sexualidade. Biologicamente falando, meninos identificam-se com os pais e meninas com as mães. Na ausência constante de um deles é necessário que haja uma pessoa próxima e íntima que assuma esse papel de modelo de tipificação.

Até o final da fase pré- escolar não se pode ainda afirmar que a criança tem sua opção sexual definida. O fato de mostrar um interesse maior por algo tipicamente do outro sexo pode, na verdade significar que ela simplesmente, pela falta de um modelo freqüente de seu mesmo sexo, não sabe o que um menino ou menina de quatro anos faz. A maior parte desses comportamentos acontece porque a criança não convive com o modelo do mesmo gênero. Essa identificação acontece quando a criança percebe-se pertencente a um sexo e não outro. O que ocorre normalmente no início da socialização e é reforçado primeiramente pelos pais e posteriormente escola e amigos. Já as mentiras contadas pelos pais farão com que as crianças não confiem mais na relação e a conversa sobre sexualidade seja um canal fechado, tendo como conseqüência mais tarde uma gravidez indesejada ou mesmo vergonha de falar sobre um abuso sexual; que é outro motivo para que se fale sobre sexualidade desde pequeninos. Já se pode explicar para crianças de até três anos sobre as partes do corpo e que adultos não podem acariciar certas partes. Mesmo orientar brincadeiras com crianças da mesma idade e não com crianças mais velhas.

Outra dificuldade do adulto é lidar com cenas da masturbação infantil, marcada pela carga cultural que a envolve. É que o prazer do adulto está além do físico, a excitação passa pela fantasia. Para a criança, é apenas uma experiência sensorial. É tão somente uma forma de exploração corporal como colocar a mão na boca ou semente do feijão no ouvido. Quando descobrem os órgãos genitais, a criança vai sentir prazer na descoberta e insistir no comportamento.

Os adultos educam sexualmente não só com o que eles falam, mas também com o que não é dito. A criança é uma esponja e ela percebe mais coisas do que o adulto consegue notar que ela percebe. O que esses meninos e meninas precisam entender é que o pênis e a vulva são partes do corpo para serem lidados quando eles estiverem sozinhos. Esse recado ajuda as crianças a irem percebendo que o corpo é exclusividade delas. O que difere a normalidade da patologia não é a qualidade é a intensidade. Todo mundo sente as mesmas coisas, mas a patologia está no excesso

Outra questão que envolve a masturbação infantil é a diferença da abordagem para meninos e meninas. A família costuma enxergar a masturbação do garoto como uma experiência de maturidade. No caso das garotas, muitas vezes o acesso ao próprio corpo é negado. A educação sexual da menina ainda está erroneamente focada na função de dar prazer ao homem e não no prazer dela mesma.

Pensamento

A cultura está entre os dois extremos desse dilema:
Se profunda e elitizada, que forjam os grandes pensadores e cientistas - nesse caso deve ser reduzida a poucas pessoas; ou se deve ser popular e supérflua, facilitando seu acesso, nesse caso deverá ser insignificante e nivelada para baixo.
Comendador Serafim Godinho.

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