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Publicado em Segunda, 02 de Março de 2015 - 16h30

Socialização da criança

SERAFIM GODINHO


Socialização da criança

O processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade é designado pelo nome de socialização. O mesmo revela uma série de facetas diversas. Os processos que aqui  serão  examinados constituem facetas da socialização, que  é a imposição de padrões sociais à conduta individual. Conforme iremos  demonstrar, esses padrões chegam mesmo a interferir nos processos fisiológicos do organismo. Conclui-se que na biografia do indivíduo a socialização, especialmente em sua fase inicial, constitui um fato que se reveste de um tremendo poder de constrição e de uma importância extraordinária. Sob o ponto de vista do observador estranho, os padrões impostos durante o processo de socialização são altamente relativos.

Dependem não apenas das características individuais dos adultos que cuidam da criança, mas também dos vários grupamentos a que pertencem esses adultos. Assim, por exemplo, a natureza dos padrões de conduta aplicados a uma criança depende não somente do o fato de ser a mesma um africano, asiático europeu ou americano, mas também da circunstância de pertencer à classe média ou à classe operária do seu país. Mas, sob o ponto de vista da criança, estes mesmos padrões são sentidos de forma bastante absoluta. Temos razões para supor que, se não fosse assim, a criança seria perturbada e o processo de socialização não poderia ser levado avante.

O caráter absoluto com que os padrões sociais atingem a criança resulta de dois fatos bastante simples: o grande poder que os adultos exercem numa situação como aquela em que se encontra a criança e a ignorância desta sobre a existência de padrões alternativos.

Os psicólogos divergem sobre se a criança tem a impressão de que nessa fase da vida exerce um controle bastante pronunciado sobre os adultos (uma vez que os mesmos são sensíveis às suas necessidades), ou se vê neles uma ameaça contínua, porque depende deles tão fortemente.

De qualquer maneira, não pode haver a menor dúvida de que, em termos objetivos, os adultos exercem um poder avassalador sobre a criança. É claro que esta pode resistir à pressão exercida por eles, mas o resultado provável de qualquer conflito só poderá ser a vitória dos adultos. São eles que trazem a maior parte das recompensas pelas quais anseia a criança e dos castigos que teme.

Na verdade, o simples fato de que a maior parte das crianças acaba por socializar-se constitui prova cabal desse fato. Além disso, é evidente que a criança ignora qualquer alternativa aos padrões de conduta que lhe são impostos.

Os adultos apresentam-lhe certo mundo — e para a criança, este mundo é o mundo. Só posteriormente a mesma descobre que existem alternativas fora desse mundo, que o mundo de seus pais é relativo no tempo e no espaço e que padrões diferentes podem ser adotados. Só então o indivíduo toma conhecimento da relatividade dos padrões e dos mundos sociais.

Segundo o acadêmico de Psicologia da PUC Serafim Neto, “numa hipótese extrema, poderá prosseguir na trilha dessa visão, escolhendo a profissão de sociólogo”. A iniciação da criança: o mundo transformou-se em seu mundo. Vemos que uma das maneiras de encarar o processo de socialização corresponde àquela que se poderia designar como a "visão policialesca". Segundo ela, a socialização é vista principalmente como uma série de controles exercidos de fora e apoiada por algum sistema de recompensas e castigos.

O mesmo fenômeno pode ser examinado sob outro ângulo, que pode ser considerado mais benigno. A socialização passa a ser considerada um processo de iniciação por meio do qual a criança pode desenvolver-se e expandir-se a fim de ingressar num mundo que está ao seu alcance. Sob este ponto de vista a socialização constitui parte essencial do processo de humanização integral e plena realização do potencial do indivíduo.

A socialização é um processo de iniciação num mundo social, em suas formas de interação nos seus numerosos significados. De início, o mundo social dos pais apresenta-se à criança como uma realidade externa, misteriosa e muito poderosa. No curso do processo de socialização este mundo torna-se inteligível. A criança penetra nesse mundo e adquire a capacidade de participar dele. Ele se transforma no seu mundo.

Um exemplo clássico dos diferentes mundos da infância, que quase todos conhecem, é o contraste que Atenas e Esparta nos oferecem neste ponto. Os atenienses estavam empenhados em que seus jovens, ao crescerem, se transformassem em indivíduos bem formados, habilitados tanto para a poesia e a Filosofia como para a arte da guerra. E a educação de Atenas refletia esse ideal. O mundo da criança ateniense (ao menos do sexo masculino) era um mundo de competição ininterrupta, tanto no terreno físico como no mental e estético. Num contraste flagrante a esse quadro, a educação espartana insistia apenas no desenvolvimento da disciplina, da obediência e da bravura física — vale dizer, das virtudes do soldado. Em comparação com os métodos atenienses, a maneira pela qual os espartanos criavam suas crianças era excessivamente rude, talvez mesmo declaradamente brutal.

O costume de fazer as crianças passarem fome a fim de levá-las a roubarem sua comida era apenas uma das muitas formas pelas quais se exprimia essa concepção da infância. Evidentemente seria muito mais agradável ser um menino em Atenas que em Esparta. Mas não é este o ponto mais importante sob o ângulo sociológico.

O que realmente importa é que à socialização espartana produzia indivíduos muito diferentes dos que resultavam da socialização realizada em Atenas. A sociedade espartana, que exaltava o aspecto militar da vida acima de qualquer outro, precisava de indivíduos desse tipo, e face a esse objetivo o sistema espartano de educar as crianças era perfeitamente sensato. O tipo de infância criado no Ocidente moderno se vem disseminando rapidamente por todo o mundo. O fenômeno resultou de várias causas. Uma delas é o declínio dramático da mortalidade infantil e das doenças da infância, que constituem uma das conseqüências verdadeiramente revolucionárias da Medicina moderna. Em virtude desse fator, a infância passou a ser uma fase mais segura e feliz do que jamais foi, e esse fato estimulou a propagação das concepções ocidentais sobre essa fase da vida, segundo as quais a mesma é mais preciosa e digna de proteção que as outras. Em comparação com os períodos anteriores da história do Ocidente e de todas as outras partes do mundo, a socialização de hoje assume qualidades sem precedentes de delicadeza e interesse por todas as necessidades da criança. É bastante provável que a propagação do conceito de socialização e a estruturação da infância que a acompanha estejam produzindo influência poderosa na sociedade, até mesmo no terreno político.

Pensamento

Aproveita cada instante de sua vida para ser feliz, pois ele passa e não volta mais. Abra as portas da sua alma e deixa a brisa bater, deixa o vento levar tudo que não deve ficar. Não importa a cor do céu, quem faz o dia bonito é você. No caráter, na conduta, no estilo, em todas as coisas, a simplicidade é a suprema virtude. Momentos bons e ruins fazem parte da vida. A diferença entre eles é que um marca, e o outro ensina. Freud definia felicidade de uma maneira simples, dizia que a finalidade da Psicanálise era tornar a pessoa capaz de amar e trabalhar. Quando se pergunta a uma pessoa se ela é feliz, esses aspectos de sua vida definirão o caráter da resposta.
Comendador Serafim Godinho


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