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Publicado em Segunda, 06 de Junho de 2016 - 14h08

Tirar a pesquisa da prateleira e levar ao homem do campo

Da Redacao


Esse é um dos maiores desafios do novo chefe-geral da Embrapa Rondônia, Alaerto Marcolan, para os próximos três anos. Formado em agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), com mestrado e doutorado em ciência do solo, Marcolan passou a ser parte do quadro da maior empresa de pesquisas tropicais do mundo em 2006. Ele chega à chefia da Embrapa de um dos estados que mais crescem no setor produtivo brasileiro com um pensamento progressista. Busca parcerias para o fortalecimento da assistência técnica e recursos de todos os lados: bancadas estadual e federal, governo do estado e iniciativa privada.Tudo que possa contribuir para que as pesquisas sejam concluídas e levadas aos produtores.  

Alaerto Marcolan também quer desmistificar que a Embrapa seja uma empresa que trabalha somente para os grandes produtores. Para isso, aposta no incremento de ações voltadas à agricultura familiar, principalmente às propriedades dedicadas ao cultivo de café, mandioca, fruticultura, feijão e pecuária leiteira.

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O que o produtor pode esperar da Embrapa daqui para frente?

A Embrapa Rondônia é referência em pesquisa na área de cafeicultura e pecuária em todo o norte. Um dos grandes desafios é solidificar ainda mais essa área de pesquisa.  Precisamos fazer esse trabalho de impacto, principalmente na cafeicultura e na pecuária. Mas atuamos também em outras áreas e nas questões florestal, de bioativos e de cereais como soja e milho. É uma área muito grande de pesquisa e temos que trabalhar nessa gestão para alcançar bons resultados.

O que temos especificamente para a cafeicultura do estado?

Na cafeicultura, recentemente lançamos algumas tecnologias, a BRS Ouro Preto; primeira variedade clonal lançada em Rondônia e no Brasil; e a barcaça seca café. São tecnologias que estão mudando o sistema de produção ao longo de 40 anos da Embrapa Rondônia. Lançaremos na 5ª Rondônia Rural Show a “bíblia do café”, o livro Café na Amazônia. É um material que pode ser utilizado por técnicos, produtores e todas as pessoas ligadas à cafeicultura. Trata desde o plantio até a pós-colheita. São 54 autores e coautores que se dedicaram a fazer esse livro. Ainda sobre cafeicultura, estamos trabalhando para soltar novos materiais de café, tanto canéfora como arábica, um café que normalmente é cultivado em situações de maior altitude. Aqui estamos testando materiais adaptados às nossas condições e temos tido bons resultados. A qualidade do café, com mecanização, é outro ponto. A mão de obra no campo diminuiu a cada safra, por isso temos que trabalhar com a tecnificação para que a cafeicultura cresça cada vez mais. Nós estamos atuando também para os demais estados. Temos unidades demonstrativas no Acre e Amazonas e em processo de fechamento um contrato com Secretaria de Agricultura do Estado do Mato grosso. Nessa gestão, queremos também ter unidades demonstrativas em Roraima e no Pará.

Para a piscicultura vem crescendo em Rondônia. Quais são as novidades da Embrapa para os criadores?

Fizemos algumas reuniões internas e também conversamos com o governo, a Seagri, e no momento não temos pessoas aqui para trabalhar na área. Mas é uma proposta da minha gestão contratar pessoas para atuar na piscicultura. Hoje contribuímos com a demanda trazendo pesquisados e pessoas da unidade de pesca e aquicultura de Tocantins que podem dar capacitação no estado.

Em relação à pecuária de corte e leite, qual o foco para os próximos três anos?

Pecuária é uma das nossas prioridades ao longo dos anos. Estamos atuando fortemente na capacitação dos técnicos. Esse ano a gente iniciou a capacitação modular, onde estaremos treinando um a grupo de técnicos do estado em diferentes etapas. Em cada módulo a gente trata de diferentes etapas do sistema de produção. Isso faz com que esses técnicos tenham ainda mais condições de levar as tecnologias ao produtor. Quanto à questão de melhor aproveitamento da área, é uma meta da Embrapa Rondônia ter pesquisas que façam com que a gente potencialize o uso das áreas, diminuindo a pressão sobre as florestas e fazendo com que sobre área para o cultivo de grãos.

E como fazer isso?

Temos várias técnicas, uma delas a ILPF (Integração lavoura, pecuária, floresta) que é uma tecnologia do futuro, de ponta, incentivada pelas políticas de governo porque é sustentável. O produtor insere o arroz como primeira cultura em área que está em processo de degradação. Arroz é uma cultura rústica, não é tão exigente como o milho. A cultura começa um processo de mudança da fertilidade química e física do solo e faz com que o produtor possa ter um rápido retorno do investimento. Ele planta e vende o arroz e já tem uma entrada de capital. O produtor faz aos poucos, dividindo em módulos a fazenda dele. Excelente alternativa para quem quer fazer essa recuperação.

Na sua opinião, qual o  futuro da agricultura em Rondônia?

Rondônia é um estado com enorme aptidão agrícola, prova disso é o PIB significativo. Tem potencial para crescimento muito bom. Nós temos em torno de 6 milhões de hectares com pastagem em algum processo de degradação. A gente melhorando essas pastagens, vai poder manter e até aumentar o rebanho. Ainda vai sobrar área para as culturas anuais, que é caso hoje da soja. A quantidade de área ainda não é grande em Rondônia, são só 245 mil hectares plantados, mas acredito que isso vai crescer muito. Em breve, vamos ultrapassar a casa dos 1 milhão de hectares de soja, podendo chegar a 2 milhões sem prejuízo ao rebanho, tanto de corte quanto de leite. A questão de melhor aproveitamento da área vai suprir a demanda por alimentos sem que haja desmatamentos.

Comparada com outros estados, como está Rondônia em termos de pesquisa?

A Embrapa é a maior empresa de pesquisa tropical no mundo.  Estamos com várias frentes de pesquisas. É significativo mundialmente isso. Por exemplo: a Embrapa contribuiu para que fosse viável o cultivo de grãos no cerrado. Isso dá um impacto no Brasil e no mundo. Atua também em vários países da áfrica e Europa levando a transferência de tecnologia. Muitos pesquisados de Rondônia já fizeram intercâmbio através de parcerias com instituições de outros países. Nosso pessoal é altamente qualificado.

O BNDES liberou R$ 33 milhões para pesquisas na Amazônia, quanto desse montante vem para Rondônia?

Ainda estamos na fase de editais. Algumas propostas já foram elaboradas e outras estão em fase de elaboração. Ainda vamos depender da aprovação desses projetos. Esse recurso será concorrido entre as unidades de pesquisa. É um processo que está aberto. Acredito que um valor bom deve vir para Rondônia. Estamos nos preparando para isso.

Na área da pecuária a Embrapa de Rondônia se destacou ao criar a régua Vetscore, que facilita a análise do produtor sobre as condições nutricionais do rebanho. Quando a novidade estará no mercado?

A empresa já foi selecionada e esperamos em breve estar com esse material acessível aos produtores. A Vetscore está em fase de produção. A expectativa é de que fique pronta para o Rondônia Rural Show.

O que vamos ver de mudança na Embrapa até 2019?

A ideia é aceitar parcerias, criar uma maior aproximação com nossas bancadas federal e estadual para ver se conseguimos alocar mais recursos para a pesquisa. Vamos mostrar para os políticos a importância da pesquisa para o estado de Rondônia, trabalhar mais próximo das demais instituições e buscar recursos também da iniciativa privada. Queremos trabalhar como facilitadores aqui na Embrapa. A nossa gestão vai propiciar condições para os pesquisadores desenvolverem as pesquisas.  Vamos tentar criar uma logística para que eles possam ter resultados cada vez melhores.

E como levar o resultado desse trabalho ao produtor?

A Embrapa desenvolve a pesquisa, mas precisa que as demais instituições levem isso aos produtores. E importante o papel da assistência técnica para fazer com a pesquisa saia da prateleira e chegue ao produtor, que é o consumidor final.

Quais as outras áreas de atuação da Embrapa que serão fortalecidas?

Trabalhamos muito com a formação de pessoas. A empresa capacita técnicos, com cursos de mestrado e doutorado. Formamos profissionais daqui para que fiquem aqui. Isso resultará num crescimento de pensadores que vão aumentar o desenvolvimento da agropecuária de Rondônia. Também trabalhamos com formação de menor aprendiz. Ano passado formamos 180 alunos. Além disso, a Embrapa trabalha na prestação de serviços em parceria com alguns laboratórios de leite, fitopatologia, entomologia e de solos. Trabalhamos para sociedade e vamos continuar.


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