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Política

Publicado em Quarta, 25 de Janeiro de 2012 - 09h17

OPERADOR DO ESQUEMA DETALHA COMO VALTER ARAÚJO EXIGIA 50% PARA PAGAR EX-DEPUTADOS; CONFIRA CONVERSA GRAVADA PELA PF

RONDONIAGORA


Principal operador do esquema criminoso encabeçado pelo foragido Valter Araújo, o ex-assessor da presidência da Assembléia Legislativa, Rafael Santos Costa foi orientado pelo ex-deputado Kaká Mendonça (PTB) a procurar seu tio, o ex-deputado Silvernani Santos (DEM), para oferecer a liberação de parte do dinheiro retido de ex-parlamentares pela Casa de Leis no caso do Imposto de Renda. Esse dinheiro estava sendo pago a quem quisesse receber apenas 50% do valor originalmente devido. Procuradores da Assembléia assinaram pareceres alegando que o desconto foi ilegal no decorrer de vários anos e garantiram que membros do Ministério Público, Tribunal de Contas e Judiciário também receberam. A devolução, da forma defendida seria legal. Só que Valter Araújo viu ali uma nova fonte de renda: pagaria 50% aos ex-parlamentares e dividiria o restante com advogados e ele próprio. Kaká Mendonça era autorizado a fazer o pagamento somente a advogados indicados por Valter Araújo. Quem entrasse administrativamente com outro advogado não teria qualquer chance e deveria recorrer ao Judiciário.

Em conversa gravada pela Polícia Federal durante a Operação Termópilas, Rafael Santos Costa conversa com seu, Silvernani Santos, que teria direito a receber mais de R$ 400 mil. Ele acha muito. Confira o aúdio e a seguir a transcrição:



SILVERNANI: Rafa e aí como é que foi a?

RAFAEL: Tio conversei lá e vi o, o (NA) KAKÁ.

SILVERNANI: O valor é quatrocentos e dois?

RAFAEL: Quatrocentos e dezenove e ainda vai ter mais uma atualizaçãozinha e vai aumentar mais uma mixaria. Eu entendi (NA) KAKA (NA) por que essa diferença?

SILVERNANI: Porque o KAKA são duas legislatura, pô. A minha é só uma.

RAFAEL: Ah tá.

SILVERNANI: E a minha, entendeu, é mais alta porque fiquei dois anos de Presidente o salário era bem maior, então o recolhimento, a dedução, a dedução no meu salário, no imposto de renda era bem maior que a dele, por isso que o meu deu esse valor (NA).

RAFAEL: É que me explicaram (NA) conversei com o KAKA e depois eu tirei a prova dos nove com o rapaz lá. É assim: paga tudo na conta do advogado, 10% é do advogado, 40% é dele e 50% é do senhor. Sem isso ai não tem nem conversa e o senhor vai para a Justiça para receber. Só quem não recebeu foi o senhor, o NEODI, o PAULO MORAES, que não vai receber vai se fuder, o VALTER já encrespou lá com ele, vai deixar ele ir para a Justiça, se ele quiser receber em precatória, o caralho á, se vira. E tem um outro Deputado lá que não acharam.
SILVERNANI: (NA) DONADON?

RAFAEL: Acho que foi o DONADON?

SILVERNANI: RAFA, o CHICO PARAIBA topou pagar 50%?

RAFAEL: Tio, eu não sei se ele fez alguma coisa diferenciada por causa do Deputado ou pro CHICO, por ser Conselheiro, mas pro KAKA, o KAKA não se livrou e pagou 50%, dez para o advogado e quarenta para o VALTER.
SILVERNANI: Porra bicho ai é muito, ai vamos lá...

RAFAEL: Você não vai ter que mexer com dinheiro e com ninguém não (NA)

SILVERNANI: Não mas ai é o seguinte: eu tenho uma procuração com o DIEGO.

RAFAEL: Esquece aquilo que não vale de nada.

SILVERNANI: Tá, mas ai eu tenho que cassar.

RAFAEL: Ah?

SILVERNANI: Eu tenho que cassar essa procuração.

RAFAEL: O senhor tem que passar uma procuração para o advogado lá, que o advogado já entrou com um negócio lá...o KAKA lhe explica (NA) se o senhor topar, ele vai explicar para o senhor a situação. (NA)

SILVERNANI: Ai eu tenho que cancelar a do DIEGO, eu tenho que revogar, cassar a procuração.

RAFAEL: O esquema do DIEGO lá, daquele VALDIR lá aquele negócio.

SILVERNANI: Não, o VALDIR é lá com o PAULO.

RAFAEL: Valia se tivesse sido efetivado o pagamento. Como não foi aquilo lá morreu. O CONDELI e esse tal de NUNES ai deram um jeito e está tudo legal e o senhor não precisa dar um centavo para o DIEGO.
SILVERNANI: Tá, mas aí não é que eu tenha que dar, o DIEGO se eu não cassar a procuração.

RAFAEL: Entendi, entendi.

SILVERNANI: Rapaz, aqui em Porto Velho tem um monte desse carrinho já, né?

RAFAEL: Hum, hum.

SILVERNANI: Ééééé....

RAFAEL: Não tem mais dedução de imposto de renda. É ali, o que cair para o senhor lá, os duzentos e tantos mil lá é certeza. Mas fora isso.(NA) não foi pago (NA).

SILVERNANI: O bicho mas é muito dinheiro.

RAFAEL: O tio mas...

SILVERNANI: cinquenta por cento, cinquenta por cento.

RAFAEL: Dez para o advogado e quarenta pro VALTER.

SILVERNANI: Ai o VALTER vai levar muito dinheiro, puta que pariu. E aqueles vinte e pouco?

RAFAEL: Paga imposto.

SILVERNANI: Também paga 50% daquilo.

RAFAEL: Ai não sei.

SILVERNANI: Porque aquilo ali é líquido e certo.

RAFAEL: Ai não posso falar que eu nem perguntei (NA) chega amanhã de Guajará o VALTER e ai o senhor fala com ele(NA) é só ir lá assinar e mandar o dinheiro para conta do advogado(NA)

SILVERNANI: E depois tem mais um ainda...

RAFAEL: Vai ter mais uma autorizaçãozinha de alguma coisa lá que o KAKA não soube me falar o valor.

SILVERNANI: E tem dessa legislatura, hein?

RAFAEL: Acho que (NA) tinha trinta milhões para pagar de (NA) ai para trás.

SILVERNANI: Pois é puta que pariu, ai o cara leva quinze milhões, RAFINHA?

RAFAEL: (NA)

SILVERNANI: Não eu vou ver.

RAFAEL: Ai o senhor me fala e amanhã(NA)

RAFAEL: Viu, o KAKA falou que não conversou nada com o senhor que o PAULO MORAES estava junto no dia que o senhor foi lá.

SILVERNANI: Hum, hum. E ai o PAULO ai, o PAULO vai criar tá, vai criar o maior tumulto.

RAFAEL: Pois é, conversar lá com o KAKA (NA) o processo (NA) a procuração dele não vale de nada.

SILVERNANI: É mas ai eu tenho que suspender.

RAFAEL: Não, tudo bem...

SILVERNANI: Eu tenho que suspender que sabe por quê. Porque o DIEGO vai na Justiça e me executa que a procuração minha com ele lá é quinze por cento.

RAFAEL: KAKA também estava meio chateado que o cabra lá não liberou ele desse valor total aí.

SILVERNANI: É o do KAKA dá oitocentos e pouco. A gente vai se falando. Valeu obrigado.

RAFAEL: Quando o senhor decidir o senhor me fala.


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