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A DIALÉTICA DO SER E A AÇÃO COVARDE E CRIMINOSA DO PT - Por Antônio Serpa do Amaral Filho

Segunda-feira, 24 Março de 2008 - 18:02 | Antônio Serpa do Amaral Filho


A vida é um processo. Não um processo judicial, claro.

Mal saímos do útero para a vida, com o primeiro choro, e vírus da morte já é prontamente inoculado em nosso ser. De forma que: o primeiro segundo de vida é também o primeiro segundo de morte.

Como disse um amigo: “O que restava do nosso orgulho regional, naquilo em que o paisagismo integra a nossa identidade cultural, resistia de pé, como uma chama de vida e de esperança, nas funções do Bar do Zizi. É mais do que lamentável. A derrubada do Bar do Zizi constitui uma ação violenta e criminosa contra nossos valores. Mais do que criminosa, covarde! O Bar do Zizi foi golpeado traiçoeiramente porque o momento, certamente, foi escolhido, deliberadamente, por um ‘comando estratégico’, consultando a tática da melhor oportunidade: enquanto os ‘Sentinelas de Rondônia’, os guerreiros vigilantes de nossas tradições e de nossa memória, dormiam ou ainda consumiam suas últimas energias na festa do carnaval.” Talvez um olhar panorâmico na dialética do ser humano nos ajude a entender alguns fenômenos da Política.

Mal saímos do útero para a vida, com o primeiro choro, e vírus da morte já é prontamente inoculado em nosso ser. De forma que: o primeiro segundo de vida é também o primeiro segundo de morte.

Embora antagônicas, a vida carece da morte e a morte carece da vida, assim como a Coroa precisa da Cara, e vice-verso. E já que a vida é um processo, e processo vem do latim procadere, ou seja, ir pra frente, marchar para frente, com um pé e outro, Vida e Morte, desde o berço, são os dois elementos essenciais e contraditórios que integram o fenômeno biológico do ser vivo, alternando secreta e intrinsecamente os dois sustentáculos da existência: a Vida e a Morte.

É um processo paradoxal porque a morte não acontece depois da vida.

Não, não é assim. Assim seria lógico. O paradoxia do fenômeno está em a morte acontecer no mesmo instante que a vida. É dizer: a vida está na morte e a morte está na vida.
Uma vela acesa serve de imagem para essa constatação desconcertante.

A luz da vela (vida) acontece no mesmo instante em que o pavio e a cera da vela são consumidos (morte). No corpo humano é a mesma coisa: a cada respiração consagramos a vida e ao mesmo tempo afirmamos a morte.

E nessa sátira do mistério somos expulso do paraíso (ventre materno) para o processo existencial (vida extra-uterina).
É a partir daí que as etapas se sucedem ciclicamente.
Pede-nos o poeta Fernando Pessoa que saibamos identificar a falência de um ciclo (morte) e o início de outro (vida). A história também se submete ao jogos do ciclos e das contradições, e nem sempre conseguimos fazer uma leitura proveitosa do fatos em razão do imediatismo. Ás vezes precisamos dar um tempo para o advir do novo.

A morte do Mercado Municipal perpetrada pelo PT, por exemplo, não será em vão. Já pressinto o nascimento de nova fonte forjadora de consciência política brotando ali pelo centro da urbe, exteriorizada numa agremiação. Ao agredir a memória da gente Guaporé, a administração Roberto Sobrinho engendrou, sem querer, o nascimento da voz e da ação politizadas que darão combate às práticas arrogantes, stalinistas e destruidoras das poucas coisas que restam e servem para dignificar a vida do homem da amazônia, nesta paragens do poente.

E não é fácil. Mas não é fácil mesmo identificar a mudança de ciclos.

E um dos motivos é que, desde cedo, introjetamos conceitos, visões, idéias, sentimentos e pensamentos que nos levam a cultuar a idéia de eternidade, de para sempre, de durabilidade infinita.

No casamento, a relação é: "até que a morte os separe".
Na morte, se salvos na fé, teremos: "vida eterna".
No ditado popular: "pau que nasce torto, morre torto".
Na música, seremos: "amigos para sempre..."
Quando o poeta Vinícius de Morais trouxe a idéia do "eterno enquanto dure" foi um choque.

O poeta atentou contra a lógica da infinitude, e reconheceu, como Fernando Pessoa, que a eternidade é uma utopia que nega o caráter processual da existência.

A utopia é bom, mas também precisa ser re-inventada a cada nova esperança, a cada nova paixão, a cada nova pulsação, a cada nova janela, a cada nova relação, a cada novo amanhecer, a cada olhar para o outro. A re-invenção da utopia é o antibiótico do tédio, que vem a ser cegueira e o medo de não embarcar na próxima etapa do ciclo.

É o desafio que nos propõe o poeta. É a missão que nos deixa a memória do Mercado Municipal para dar combate à gestão criminosa e covarde do PT. Temos informação de que a destruição do Mercado foi premeditada. Avaliou a equipe do senhor José Carlos Monteiro Gadelha que, se o povo fosse consultado, não seria aprovada a destruição do patrimônio histórico. Por isso eles mataram o Bar do Zizi às presssas. Vamos re-inventar dialeticamente a utopia da liberdade e da dignidade! Levaremos nossas vozes às ruas.

Quem vai encarar????? - com ou sem lágrimas
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