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Publicado em Quarta, 18 de Agosto de 2010 - 14h44

A influência dos programas na TV e o desempenho dos candidatos a governador em Rondônia no primeiro programa - Por Ivonete Gomes

Ivonete Gomes


Alguns chamam de cansativo e tedioso, mas a apresentação dos candidatos na propaganda eleitoral, principalmente na TV, pode ser decisiva. É o que mostra um estudo feito em 2001 pelo cientista político Antônio Fernandes Júnior, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Em 1998, a pesquisa mostrou que o Horário Eleitoral Gratuito  influenciou no resultado final das eleições para o Governo de São Paulo porque alterou o quadro dos candidatos na disputa ao segundo turno.

De acordo com a pesquisa, somente 20% dos televisores são desligados quando se inicia a propaganda eleitoral. O cientista também levou em consideração para conclusão do estudo, conversas com amigos e parentes que assistiram a determinados programas e acabaram mudando o voto de pessoas próximas.

O estudo comprova ainda que o poder de convencimento do candidato, aliado a uma boa apresentação das propostas e tudo o que se pode utilizar em mecanismos de áudio e vídeo, pode ganhar a simpatia e o voto do eleitor.

Se os estudos da USP estiveram corretos e não houver mudança na produção dos programas de televisão dos majoritários no decorrer do pleito, o candidato Eduardo Valverde, do PT, pode sacudir a poeira e surpreender, como fez a equipe contratada para a produção do programa. A primeira aparição do petista foi impecável. Até a fala, geralmente rebuscada e exageradamente técnica, foi trabalhada. A linguagem utilizada foi coerente e muito coloquial. Um primor de redação. O jingle da campanha foi outro ponto forte, acompanhou todo o programa e pode virar aquele tipo de música que fica martelando na cabeça. Eureca!

Em Rondônia

Pelo sorteio realizado no TRE, o governador João Cahulla, PPS, candidato a reeleição, foi o primeiro a se apresentar ao eleitor na propaganda eleitoral. Utilizou a mesma fórmula de Ivo Cassol no passado, apresentando a família na primeira aparição. Com poucos recursos de áudio e vídeo, o programa não prendeu a atenção do telespectador, mas não foi de todo errado. A idéia de família sempre é interessante.

O candidato do PMDB, Confúcio Moura, tem o maior tempo de televisão, dois minutos a mais que Valverde, Expedito e Cahulla. Utilizou bem e acertou em cheio na escolha da âncora Keylla Castro. A morena tem pé quente, vem de campanhas vitoriosas como a de Roberto Sobrinho, prefeito de Porto Velho, e é a cara de Rondônia. Passa credibilidade e muita simpatia. A aparição do vice, Airton Gurgacz, não foi das mais agradáveis. Travado, o vice tentou exaltar Confúcio Moura e acabou sendo infeliz ao dizer que “nenhum ser humano pode falar mal de Confúcio”. Se não muito forte, a expressão causou, no mínimo, antipatia.  O cabeça da chapa fez uma boa primeira aparição e também acertou ao colocar imagens de povo nas ruas, comícios e reuniões. Em relação a  qualidade técnica do programa houve alguns pecados. A produção poderia, por exemplo, ter utilizado o jingle, bom por sinal, para sonorizar o texto que falava da trajetória do candidato. A música deu um tom fúnebre à história de Confúcio Moura.

A equipe contratada pelo candidato Expedito Júnior, PSDB, deixou a desejar. Utilizar âncora em um programa eleitoral com pouco mais de três minutos? Inédito. A idéia inicial era mostrar um pouco da história do tucano e foi surpreendente ver como novamente a equipe perdeu preciosos segundos mostrando uma espécie de  making off das gravações feitas em uma fazenda. O candidato indo ao local de carro, falando ao telefone celular...Aliás, de quem era mesmo a fazenda? Para que gravar em uma fazenda e mostrar que gravou em uma fazenda? Qual o sentido? Não ficou muito claro se o candidato precisou se deslocar até o local onde vivem os parentes. Se havia essa necessidade, por que mostrar o circo armado para as gravações? Sem sentido algum. O diretor de televisão do programa deveria ter sido um pouco mais zeloso também com os depoimentos. O repórter fez entrevista com um senhor idoso e sequer teve o trabalho de colocá-lo na mesma altura. Deve ter sido doloroso. Um microfone de  lapela resolveria bem o problema. A fala do candidato também foi infeliz. Expedito Júnior, já foi o vereador mais jovem, o deputado federal mais jovem, um senador da República prestigiadíssimo, mas a equipe contratada achou melhor falar do time de futebol para mostrar como o candidato tem poder de liderança. Mas, lamentável mesmo foi ver Expedito Júnior chorando em frente as câmeras. Ora, se o candidato ficou emocionado ao falar da família, corta. É simples. Ninguém quer ver político chorando. Soa demagogia, fraqueza e falta do que mostrar.


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