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Publicado em Quarta, 29 de Fevereiro de 2012 - 13h56

A política, o humor e o cerceamento - Por Ivonete Gomes

Ivonete Gomes


A política, o humor e o cerceamento - Por Ivonete Gomes
Ora espúria, ora lúdica, a política das bandas do Madeira se encaixa mais do que nunca no aforismo “seria cômico, não fosse trágico”. Assim sendo, mudemos o voto ou vivamos em eterno komos tal quais camponeses de vilarejos da Grécia antiga, onde se comemorava tudo com muito humor.

Para alguns filósofos o humor alcança o efeito do ridículo, revelando os vícios e defeitos de homens comuns, seres vis, mas não malvados. Aristóteles foi além. Via a disposição para o riso como forma positiva para o conhecimento, quando, “através dos enigmas e metáforas inesperadas, ao mesmo tempo nos mostrando as coisas diferentes do que são, como se nos mentisse, ele obriga de fato a melhor observá-las, nos levando a dizer: “as coisas eram assim e eu não sabia””.

Percebe-se nas leituras de grandes pensadores que o humor sobre a tragédia tende sempre a ser cognitivo, ou seja, rasga o véu e nos tira da cegueira e ignorância.

É justamente essa percepção que temem os legisladores brasileiros no período eleitoral.

Desde 1997, a Lei 9.504, convalidada através de resoluções, prevê punições e multas exorbitantes a quem ousar fazer humor sobre políticos e partidos no decorrer do pleito. Até podemos rir das ridículas aparições no Horário Eleitoral Gratuito, mas divulgar em forma de charge – por exemplo – nem pensar.

A norma é um acinte a Constituição Federal do Brasil que nos garante o direito a liberdade de expressão. Mas, na terra de Nelson Rodrigues, as regras mudam durante o jogo quando a conveniência sobrepuja a Carta Magna do País.

Manter o povo no mais absoluto e completo breu é estratégia que vem dando resultado nas urnas. Embora haja decisão liminar no STF para mudar aspectos da lei, os políticos que compõem o Congresso Nacional não têm a menor intenção em alterar o Código Eleitoral.
Concluindo, caro internauta, o momento em que a informação sobre os candidatos é mais importante, é justamente aquele em que o Brasil impõe, através de normas, o silêncio e o cerceamento da liberdade de imprensa - até e, inclusive, através do humor.

Mas, nem tudo está perdido. Ainda temos alguns meses para compartilhar com risos a tragédia de Porto Velho através das charges muito bem elaboradas do jornalista Rondineli Gonzalez.
Só rindo para a indignação transformar-se em lucidez.

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