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Publicado em Segunda, 28 de Março de 2016 - 20h43

Análise Semanal do Mercado de Soja

Da Ceema


As cotações da soja em Chicago voltaram a romper o teto dos US$ 9,00/bushel nesta semana, algo que não se via desde outubro passado. Aliás, o mercado girava entre US$ 8,50 e US$ 9,00/bushel desde agosto. No entanto, não há nenhuma garantia de que esse comportamento mais altista permaneça já que o mesmo está diretamente relacionado às expectativas quanto a uma possível redução de área semeada com soja nos EUA, fato que será definido no relatório de intenção de plantio do dia 31/03. Na prática, o mercado se antecipa ao relatório. O primeiro mês cotado fechou esta quinta-feira (24) em US$ 9,10/bushel, contra US$ 8,97 uma semana antes.
 

Outros fatores que colaboraram para o movimento foram: o anúncio do FED (Banco Central dos EUA) de que não haverá, tão cedo, novos aumentos de juros locais; a perda de força do dólar a partir deste anúncio, fato que dá mais competitividade ao produto estadunidense; a firmeza do Real, que tira competitividade da soja brasileira; e a nova melhoria nos preços mundiais do petróleo, que chegaram a ultrapassar os US$ 40,00/barril em alguns momentos da semana. Além disso, pelo lado do óleo, começa a preocupar a seca na Malásia, a qual poderia comprometer a oferta de óleo de palma, deslocando a demanda mundial, com mais intensidade, para o óleo de soja.
 

Entretanto, projeções privadas de que a área a ser semeada com soja nos EUA possa aumentar e não diminuir, além de uma colheita cheia na América do Sul, e que avança bem, derrubaram parcialmente o ânimo do mercado no final da semana. Efetivamente, a Informa Economics anunciou que a área de soja possa chegar a 34 milhões de hectares, crescendo cerca de 567.000 hectares sobre o semeado no ano anterior. Mesmo assim, em relação à projeção anterior da empresa, houve um corte de aproximadamente 486.000 hectares.
 

Por sua vez, as inspeções de exportação dos EUA, na semana encerrada em 17/03, chegaram a 575.087 toneladas, acumulando no atual ano comercial 2015/16, iniciado em 1º de setembro 2015, um total de 40,8 milhões de toneladas, contra 43,7 milhões em igual período do ano anterior.
 

Pelo lado da demanda, a China continua importando bem a soja, tendo atingido a 4,5 milhões de toneladas em fevereiro, com aumento de 5,7% sobre igual mês de 2015. O país asiático deverá fechar 2015/16 com importações em torno de 82 milhões de toneladas de grãos de soja, contra 78,4 milhões no ano anterior. Para 2016/17 já se avança um volume de 84,5 milhões de toneladas. Em 2014/15 o Brasil foi o principal fornecedor chinês, vendendo 36,4 milhões de toneladas de soja, ou seja, 46% do total comprado desta oleaginosa pela China (cf. Safras & Mercado).
 

No Brasil, a colheita chegou a 61% da área no início desta semana (a média histórica é de 57% para o período), porém, perdas começam a se consolidar em algumas regiões. Na conhecida Matopiba tais perdas, por falta de chuvas, chegaram a 12% do volume previsto. Essa região representa 10% do total colhido pelo Brasil. A produtividade média na região ficará em apenas 41,6 sacos por hectare, sendo que o Piauí atingiria tão somente 37,8 sacos/hectare (cf. FC Stone). Na Bahia, a soja de sequeiro registra 30% de perdas.
 

No Paraná a colheita chega a 79%, em São Paulo 91%, em Minas Gerais 43%, no Mato Grosso 85%, em Goiás 86%, em Mato Grosso do Sul 92%, no Rio Grande do Sul 10%, no Maranhão 29% e na Bahia 18% (cf. AgRural).
 

Por enquanto, o volume final no Brasil continua estimado entre 98 e 100 milhões de toneladas. Todavia, o que preocupa os produtores é a firmeza do Real, a qual continua em todo este mês de março a partir dos desdobramentos políticos nacionais e da Operação Lava-Jato. Durante a semana o câmbio girou ao redor de R$ 3,60. Com isso, os preços da soja no balcão gaúcho fecharam a semana na média de R$ 67,69/saco, enquanto os lotes ficaram em R$ 71,00/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 56,80/saco em Sorriso (MT) e R$ 71,00/saco em Londrina e Maringá, no Paraná.
 

Os preços futuros igualmente recuam, com o interior gaúcho registrando R$ 71,00/saco para maio, no FOB, enquanto o CIF Rio Grande ficou em R$ 77,00/saco. Nas demais praças nacionais, para maio, os preços registraram os seguintes valores: R$ 61,50/saco em Rondonópolis (MT), R$ 62,00 em Dourados (MS), R$ 64,00 em Rio Verde (GO), R$ 63,50 em Brasília (DF), R$ 63,00 em Uberlândia (MG), entre R$ 64,00 e R$ 65,00/saco na região do Matopiba (cf. Safras & Mercado). A considerar que todos estes preços são CIF o que significa um valor bem mais baixo ao produtor.

 


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/analise-semanal-do-mercado-de-soja)
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